Debates eleitorais na TV esclarecem pouco https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_01011503777.html
A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
06 agosto 2026
Minha opinião
Tudo muda
Luciano
Siqueira
Prestes a concluir a sétima década de vida, tenho a impressão de que muita coisa já não é como antes.
Coisas simples da vida.
Sempre fui reconhecido aqui em casa como excelente lavador de pratos. E de panelas também. É a minha especialidade, já que a incompetência no fogão é total e absurda e a limpeza da casa a realizo apenas o suficiente, com a ajuda de um aspirador de pó.
Qual a novidade entre esponjas, detergentes e panelas?
Juro que até um dia desses eu acertava na mosca ao friccionar as panelas com a firmeza e a acuidade suficientes para deixá-las como se fossem genuinamente inoxidáveis. Mas de certo tempo para cá percebo o quanto é difícil deixar rigorosamente nos trinques aquelas reentrâncias e riscos que surgem com o uso, em lugares os mais inconvenientes porque de difícil acesso.
Ali próximo ao cabo, por exemplo.
As panelas se tornam esquivas e ainda por cima me enganam. Ao colocá-las para enxugar passo em revista todas com o olhar atento. Mas não basta.
Agora mesmo, discretamente, vi que duas delas que lavei após o almoço ainda exibem resíduos de gordura. Tive que fazer o serviço novamente até que as minúsculas manchas impregnadas no alumínio lustroso desaparecessem.
A experiência não é de todo ruim, funciona como advertência: o mesmo rigor vale para tudo o que me resta na vida, as tarefas políticas em especial.
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Quando Buenos Aires viu “Buenos Aires”, de Tuca Siqueira https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/buenos-aires-o-filme.html
Postei nas redes
Colunista do Globo tem a petulância de afirmar que "mesmo com interferência estrangeira (sic), disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro cheira a mofo". Zero atenção às propostas de Lula para o próximo governo e tratamento leviano das atitudes de Trump e Milei.
Com
Lula rumo a um Brasil soberano e desenvolvido https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-do-pcdob.html
Sem limites
André Mendonça pisoteia a Constituição
A coluna da Daniela Lima descreve Mendonça assumindo controle direto e informal sobre a PF nos casos Master e INSS
Luís Nassif/Jornal GGN
Há algo de profundamente errado no modelo institucional brasileiro.
Tem-se um Ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, atropelando todos os princípios de justiça, influenciando de forma escancarada as eleições, interferindo na autonomia de outros poderes. E o máximo que se consegue de reação é a informação sobre o “desconforto” de seus colegas.
A jornalista Daniela Lima, da UOL, trouxe um levantamento preocupante sobre a atuação de Mendonça, uma volta escancarada às piores arbitrariedades da Lava Jato.
A coluna da Daniela Lima descreve Mendonça assumindo controle direto e informal sobre a PF nos casos Master e INSS — reuniões presenciais com delegados, determinações fora da pauta corporativa, despacho travando remanejamento na direção-geral. Isso é uma escalada em relação ao que já estava documentado: em fevereiro ele já havia revertido decisões de Toffoli e “empoderado” a PF; agora o relato é de que ele foi além — de árbitro processual para gestor operacional da investigação.
Se ele está de fato dando ordens diretas a delegados sobre prioridades de apuração — “escapando à agenda da corporação e às funções de praxe de relator”, como diz a coluna — isso dá sustentação factual adicional à tese de que o enquadramento “Lava Jato 2” envolve uso direcionado do aparato investigativo, não descoberta orgânica.
O despacho proibindo a direção-geral da PF de remanejar equipe. Isso é mais forte que os episódios anteriores (troca de peritos, restrição de acesso) porque tira do comando institucional da PF qualquer margem de resistência — fica sem “defesa”.
O problema não se esgota na arbitrariedade processual. Mendonça quebrou o sigilo de Fábio Luís sem qualquer indicação pública, até agora, de vínculo com o caso Master. Houve vazamento de informações envolvendo a lobista Roberta Luchsinger. Já no caso de Flávio Bolsonaro — mesmo após o áudio em que pede R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro vir a público em maio —, o inquérito só foi solicitado pela PF em julho e autorizado por Mendonça em 23/07, mais de dois meses depois. É esse descompasso de ritmo, e o absoluto sigilo das investigações sobre Flávio, que faz a diferença. Mendonça interfere diretamente no processo eleitoral.
Ou seja, não é uma arbitrariedade que se esgota em si, um abuso contra a ordem institucional, mas algo que mexe com o futuro do país. E como fica? A ordem institucional no país depende de uma série de tribunais, de instituições, do trabalho da mídia, como defensora da democracia, da independência entre os poderes, dos freios e contrapesos. Mendonça pisoteia todos esses princípios, humilha a Nação, e o máximo que se ouve são muxoxos de Ministros do STF.
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É criminoso o mito bolsonarista sobre a segurança pública https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/enio-lins-opina_0913668491.html
Minha opinião
Debates eleitorais na TV esclarecem pouco
Luciano Siqueira
Algumas vozes na mídia dominante se queixam da
ausência do presidente Lula em debates na TV no primeiro turno do pleito.
Se houver segundo turno, Lula participará.
A ausência do presidente é mais do que
justificada. Não apenas porque seria alvo de todos os concorrentes, em
termos provavelmente rebaixados.
Já um hipotético segundo turno, obviamente, são
apenas dois concorrentes — em pé de igualdade.
Aí as regras do debate e a condução usual por todos
os canais de TV que os promovem seria menos inadequadas e mais acessíveis ao
esclarecimento das opiniões dos contendores.
Cada canal de TV, com ligeiras diferenças, os têm
organizado de um modo inadequado, mais apropriado a uma espécie de teste sobre
a competência de cada um em evitar cascas de banana.
O presidente Lula se dispõe a receber jornalistas
dos diversos canais em agenda apropriada, em entrevista certamente muito mais
esclarecedora do que o bate boca televisivo.
A questão de fundo é bem informar o eleitor para
que faça sua opção com razoável consciência e percepção das diferenças
políticas entre os concorrentes.
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Três "questões de ordem" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0658357328.html
Postei nas redes
Governador Tarcísio de Freitas, de São Paulo, amarga agora na campanha pela reeleição o justificado desgaste por privatizações de estatais, incorretas e ainda por cima mal feitas. É o feitiço contra o feiticeiro. Merecido!
Três "questões de ordem" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0658357328.html
Miró da Muribeca
Miró 66
Marcelino Freire/Revista Araçá
[1] Miró pintava a rua com os pés.
[2] Miró era uma rua.
[3] Uma arruaça.
[4] Conheci Miró na praça Benedito Calixto. Miró era a raça da praça.
[5] Miró era um palhaço. Espalhava-se.
[6] Era todo espaço. Cômico. Cósmico.
[7] Era um dançarino nas nuvens.
[8] Uma chuva que caía e se levantava.
[9] Miró brincava de estátua antes de virar estátua.
[10] Fazemos estátuas porque não sabemos fazer árvores.
[11] Miró era um árvore que explodia sementes.
[12] Mirabolantes.
[13] Sua poesia aparecia de repente no nosso repente.
[14] Miró procurava um quarto de hotel na madrugada.
[15] Sempre o deixei na porta de um hotel. Com as poesias diárias.
[16] Ainda existe o Hotel Bali em que ele ficava ali na Vila Madalena.
[17] Merece um Bali quem inventou o Bali.
[18] Miró gostava de dormir entre travesseiros travessos.
[19] Miró sonhava com janelas. Em quartos sem janelas.
[20] Miró era um ônibus no campo. Uma casinha sem teto.
[21] Eu apresentei Miró ao bairro de Campo Limpo.
[22] Miró despoluía os ares de São Paulo.
[23] São Saraus.
[24] Miró morou na casa de Marco Pezão e Otília.
[25] Miró tinha famílias poéticas.
[26] Miró era uma criança esperança. Que não passava na Globo.
[27] Miró pisou um dia na TV Cultura.
[28] Era um astro deixando rastro.
[29] Miró cantava Djavan pegando uma van.
[30] Sonhos de Peninha.
[31] Miró fazia cócegas cegas.
[32] Morria de rir com a morte.
[33] Ele me telefonava para perguntar se eu estava vivo.
[34] Miró não podia ver um poeta desamparado que logo puxava versos.
[35] Miró era uma onda.
[36] Um banho de torneira.
[37] Miró dava banho em Elza.
[38] Elza tava cagando pra gente.
[39] Menos para o Miró.
[40] Miró era o melhor amigo do mundo.
[41] Miró era filho do casal Cida e Wilson.
[42] Eu amava o Miró como não amei a um irmão.
[43] Miró era um baladeiro. Veio em várias Baladas Literárias.
[44] Merece uma balada quem inventou uma balada.
[45] Miró amava o Zero.
[46] Uma vez fiz o reencontro entre ele e Loyola.
[47] Miró ressuscitou a poeta Maria do Carmo Barreto.
[48] Miró vestiu o vestido da própria mãe para encher o corpo da cidade.
[49] Recife é um vestido colorido.
[50] O Recife ressuscita o Miró todo dia.
[51] A poesia no meio-fio.
[52] Miró era um teatro a céu aberto.
[53] Levei Miró ao grupo Clariô.
[54] Ele iluminou Taboão.
[55] Miró chorava feito um raio de sol.
[56] Eu tenho saudades da alegria.
[57] Miró eu rimo.
[58] Fizemos uma homenagem para o Miró na Mário de Andrade.
[59] Foi a última vez em que vi Miró. E ele estava Miró.
[60] Eu estava na estrada, vindo de Garanhuns, a caminho do seu abraço.
[61] Na estrada Wellington me avisou que Miró se foi.
[62] Miró sempre estava indo embora. Mas sempre ficava mais um pouco.
[63] Eu juro que vi Miró se levantar do caixão.
[64] Miró, cor, ação do Brasil.
[65] Miró encruzilhada.
[66] Meia meia.
Marcelino Freire é escritor. Criou a Balada Literária, onde Miró esteve várias vezes. E continuará sempre presente. Porque vive em sua poesia.
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Leia também: "Sonho domado", de Thiago de Mello https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-de-poeta_0945526495.html




