10 agosto 2026

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Guido Sünnemann

A neutralidade insossa de Raquel Lyra https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_02093453504.html 

Abraham Sicsu opina

Agora caminha lento, mas caminha
Abraham B. Sicsu   

Não suporto livros de autoajuda. Trazem fórmulas mágicas. São guias do bem viver, se formos comportados, é claro. Tentam resolver todos os problemas dos indivíduos, acreditam fazer com que a autoestima se valorize quando se está por baixo celeremente. Para isso, prometem até sucesso profissional e mesmo emocional.

Nessa direção, descrevem os indivíduos como quase idênticos, padronizados, procuram transformar os seres humanos com fórmulas mirabolantes, infalíveis e iguais para todas as pessoas. Como se sentimentos e emoções, principalmente, fossem os mesmos para todos, como se as reações humanas sempre fossem similares e previsíveis. Por isso, não me dou tempo para ler essa literatura.

No entanto, sem nada para ler numa manhã chuvosa, peguei um livro da estante. Um livro que muitos já leram e releram. Que foi um sucesso editorial e continua sendo nos dias atuais. Editado em 2000. Do Dalai Lama, “Uma ética para o novo milênio”.

Minha curiosidade era tentar conhecer um pouco da filosofia oriental e de uma religião que me era desconhecida, o Budismo. Evidentemente, com todos os pés atrás ditos nos parágrafos anteriores.

Um livro denso com uma linguagem bem acessível. Não deixa de poder ser enquadrado na categoria de autoajuda. Não imaginava, mas a leitura me foi prazerosa, principalmente por não ver o excesso de dogmatismo que esperava. Um livro que me levou a reflexões filosóficas próprias do pensamento budista e que se centra na ética como caminho da convivência harmônica dos indivíduos.

Não pretendo fazer uma resenha. Mesmo porque me seria enfadonho, apenas vou ressaltar aspectos que me parecem relevantes e foram despertados pela leitura.

Parte da concepção de que todo ser humano busca ser feliz. Felicidade seria o norte para uma vida mais plena, aquilo que todo ser humano procura e deseja.

O problema que se coloca é que “criamos uma sociedade em que as pessoas acham cada vez mais ser difícil demonstrar um mínimo de afeto aos outros. Em vez da noção de comunidade e da sensação de fazer parte de um grupo, encontramos um alto grau de solidão e perda de laços afetivos.”

O individualismo impera e a busca de ignorar o sofrimento alheio o norteia. Sendo esse o aspecto crucial, propõe uma sociedade em que se valorize a compaixão e a empatia. Em que haja compromisso com o coletivo, com o comunitário, inclusive com o respeito ambiental e aos outros seres da Terra. Esta é a base do que chama de uma “revolução espiritual’.

Nessa visão, ressalta que “o descaso pela dimensão interior do homem fez com que todos os grandes movimentos dos últimos cem anos- democracia, liberalismo, socialismo- tenham deixado de produzir os benefícios que deveriam ter proporcionado ao mundo.”

Concordo com ele, mas o aprofundar dessa visão necessitaria uma reflexão sobre a visão do homem atual, das suas relações com o status vigente, da sua submissão aos males atuais, inclusive seu sofrimento frente às mazelas que seu semelhante enfrenta. É o que se propõe no texto. E isso exige compromissos difíceis de serem assumidos.

Dirão que estou sendo incoerente, que o aqui exposto se enquadra no gênero de autoajuda e da religiosidade. Eu diria que vocês têm razão, muitos pensadores de diversas correntes apontam esse caminho para a “salvação’, sem dúvida. Colocar o pensamento no campo da ética não modifica a essência, embora, para mim, lhe dê mais solidez. Não foi isso que me levou a este escrito.

 Tratar da velhice foi tema que me trouxe pensamentos, me identificando com o tema. É ele que me leva a escrever este texto. Tendo por base o que diz o religioso:

‘’Desde o dia em que nascemos temos diante de nós a perspectiva de envelhecer e perder o viço da juventude. Com o passar do tempo, nosso cabelo cai, os dentes se enfraquecem, a vista e a audição se deterioram. Não digerimos mais tão bem os alimentos preferidos. Acabamos descobrindo que não nos lembramos direito de acontecimentos que antes eram tão vividos em nossa memória, e às vezes até dos nomes daqueles que estão mais próximos de nós. Se nossa vida se prolonga muito, podemos atingir um estado de decrepitude capaz de causar aversão em quem olha para nós, embora seja esse precisamente o tempo em que mais precisamos de outras pessoas. ’’ 

No que se refere ao físico envelhecido, exatamente o que ocorre comigo, excetuando a perda de cabelo que, por algum fator genético, não veio e acho que não virá. Mas, isso não ocorre só comigo, e sim com a grande maioria dos idosos que conheço. Incomoda, mas é tolerável e os avanços científicos atuais os diminuem muito, pelo menos disfarçam as perdas.

O problema crucial é o psíquico. É quase geral a perda da memória, principalmente de fatos recentes. Não sei se boa parte dos anciões se tornam decrépitos, mas, as novas gerações assim nos vêm. Ainda, ao merecidamente nos alijarmos do mundo do trabalho e diminuirmos a vida na participação social e política, somos vistos como descartáveis. Muitos anos de vivência e de erros e acertos acumulados são ignorados socialmente. Experiência de vida pouco importa. Essa situação traz sofrimento e dor interna, traz tristeza, nos afasta da felicidade.

Alguns podem chamar de uma primeira morte, a social. Sem dúvida, assim pode ser entendida. No entanto, numa sociedade em que a Ética seja norteada pelo coletivo, pela compaixão, pela empatia, pelo respeito à história de vida, respeito ao contributo dado, ao ser que tem alguma experiência a transmitir, isso se reverte, passa a ser um norte importante de um mundo mais saudável e feliz. E é o que sua santidade, o Dalai propõe.

Depois, implacável, chega o fim. Novo processo a ser enfrentado. Como diz sua santidade:

“Então vem a morte- um assunto que parece ser quase um tabu na sociedade moderna. Mesmo que o encaremos como um alívio e não nos importemos com o que vem depois, a morte significa a separação daqueles que amamos, o abandono de nossos bens materiais preciosos, em suma, de tudo aquilo que nos é mais caro.”

Não negar e refletir sobre esse processo faz-se necessário. É parte natural da vida terrena.

Posso estar enganado, mas a leitura formou em mim uma percepção, o Budismo como uma postura objetiva de enfrentar e aproveitar a vida, uma filosofia para a vida, não como mais uma religião dogmática que amordaça os indivíduos, mas como caminho mais seguro e prazeroso a ser seguido.

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Leia também:: "Um jantar", crônica de Abraham Sicsu https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/abraham-sicsu-opina_01940242064.html 

Minha opinião

Redes nada inocentes

Luciano Siqueira  


Uso o Instagram, como milhões o fazem, porque infelizmente dispensá-la equivale a renunciar à comunicação com muita gente que me segue e outros tantos que eu sigo.

Tempo de comunicação digital. Que fazer?

Mas é preciso manter a vigilância. No site BBC News leio sobre o sistema de anúncios pagos do Instagram explorado por redes criminosas https://www.bbc.com/portuguese/articles/cx2jdd94z52o

Mais uma investigação revela que anúncios pagos no Instagram estão promovendo material de abuso sexual infantil, valendo-se, inclusive, de termos explícitos (como palavras ligadas à violência e exploração de menores) nos textos das postagens patrocinadas.

Esquema ardiloso: os anúncios no Instagram atuaram como uma "vitrine", exibindo imagens e pequenas chamadas tipo "clique para assistir mais" para atrair o usuário.

Ao clicar, o link do anúncio redirecionava o usuário para canais ou grupos no aplicativo Telegram, onde o conteúdo da violação era disponibilizado e comercializado sem moderação.

Evidente falha no sistema de controle da Meta!

Consta que todos os anúncios pagos passam por um crivo de aprovação. Mas não é bem assim. Ou o mecanismo é vulnerável. Nesse caso, a tecnologia da Meta falhou ao não identificar termos e imagens abusivas.

Nesse caso, autoridades de cibersegurança apontaram que os criminosos se aproveitaram da navegação integrada e da falta de verificação cruzada entre as redes para recarregar o conteúdo caso alguma conta seja derrubada.

Unidades de cibersegurança destacam um número desproporcional de alertas vindos das plataformas da Meta em comparação com outras redes sociais.

Na verdade, a busca do lucro advindos dos anúncios pagos fala mais alto.

O caso confirma a negligência no uso de inteligência artificial/algoritmos para aprovação de anúncios comerciais. As grandes plataformas de tecnologia não assumem a responsabilidade pela segurança dos usuários e pela prevenção do tráfego de conteúdo.

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Leia também: "O Leviatã digital" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/poder-algoritmico.html 

Humor de resistência

 

Aroeira

"O foco das grandes legendas e os desafios de João" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_01939828218.html 

Futebol brasileiro sofrível

Entre o caos e o êxtase
Últimos jogos da Copa do Brasil tiveram glória do Vitória e desorganização do Corinthians. Alvinegro, chutando a bola para a frente, nem parecia um time treinado por Fernando Diniz
Tostão/Folha de S. Paulo   

Na Copa do Brasil, estão definidos os oito classificados. O Vitória, que já tinha eliminado o Flamengo, goleou o Athletico Paranaense por 4 a 0. O técnico Jair Ventura mostrou, mais uma vez, que é bom também para jogar no ataque. O Corinthians, sem nenhuma organização, no caos, chutando a bola para a frente, venceu o Inter por 2 a 1, mas ficou de fora. Não parecia time treinado por Fernando Diniz.

Corinthians e Inter realizaram uma péssima partida. Muito confronto e nenhum futebol. Depois da partida, alguns disseram que decisão é assim mesmo. É a banalização da mediocridade. O jogo é um teatro de emoções e também de técnica individual e coletiva. Não pode ser o caos.

De vez em quando, é preciso repetir o óbvio. Alguns não conseguem enxergá-lo. As partidas mata-mata de Copa do Brasil, Libertadores e Copa Sul-americana são mais emocionantes, decisivas, mas no Brasileirão, um campeonato longo e por pontos corridos, é que podemos conhecer de maneira melhor os jogadores e as equipes.

Palmeiras e Flamengo são, novamente, os candidatos ao título do Brasileirão por terem os melhores elencos. Qualquer outro resultado será uma grande surpresa. O conceito de que o Flamengo possui um elenco superior ao do Palmeiras não é mais verdade. Hoje, são equilibrados.

A dupla de meio-campistas do Palmeiras formada por Marlon Freitas e Andreas Pereira tem sido brilhante e decisiva. Marlon, além de marcar muito, tem um ótimo e rápido passe e uma ampla visão do jogo. Andreas Pereira se movimenta muito bem de uma intermediária à outra, possui um bom passe e tem sido decisivo nos cruzamentos de bola parada. Assim saem muitos gols do Palmeiras e em todo o mundo.

O Flamengo não tem um bom reserva com as características de Pedro. O veloz Bruno Henrique é melhor pela ponta esquerda. Não entendo por que o mediano lateral direito Emerson Royal é quase sempre escalado.

No Brasileirão, das equipes abaixo de Palmeiras e Flamengo, a que tem mais chance de evoluir e de terminar entre os quatro primeiros é o Cruzeiro, embora o time sinta a falta do lateral esquerdo Kaiki e do meia/ponta Christian, negociados.

O Cruzeiro depende muito de Matheus Pereira e de Gerson. Muitos queriam Matheus Pereira na Copa do Mundo, por ser um clássico meia centralizado, camisa 10, que se movimenta bastante e cria belíssimos lances de gol. Este tipo de jogador é ainda importante desde que não seja o único responsável pela armação das jogadas. A maioria dos times brasileiros ainda divide o meio-campo entre os volantes que marcam e o camisa 10 que cria as jogadas ofensivas. Nada mais ultrapassado.

Formação de jogadores

A contratação pelos clubes brasileiros de um imenso número de jogadores de outros países sul-americanos prejudica a formação de jogadores no Brasil, além de diminuir as chances dos jovens nas principais equipes.

Décadas atrás, os europeus tiveram o mesmo problema por causa das contratações de jogadores de outros continentes. Eles resolveram o problema, mantendo as contratações, mas criando condições técnicas para formar grandes jogadores, como vimos na Copa do Mundo. As seleções e os times são fortes. O Brasil necessita resolver esse dilema. Não tem de ser uma coisa ou outra.

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Leia também: Futebol brasileiro banaliza a mediocridade https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/futebol-brasileiro-em-baixa.html    

Postei nas redes

Sabe-se agora que a propaganda eleitoral do candidato do PL usará apenas "Flávio", excluindo o sobrenome Bolsonaro. Sintomático, não? 

Três "questões de ordem" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0658357328.html 

Minha opinião

Campo de batalha preferencial 

Luciano Siqueira    


Muito se tem falado (e demonstrado) sobre os superpoderes do Congresso Nacional, fruto de distorções acumuladas na história recente, sobretudo no governo Bolsonaro, quando se adotou a aberração das emendas parlamentares acoitadas pela cumplicidade e pelo oportunismo.

A Folha de S. Paulo de hoje, em matéria assinada por Ana Luiza Albuquerque, traz à luz dados de pesquisa realizada pela Fundação FHC.

Nada de novo, mas oportunamente sublinhado.

Na prática, super poderes do parlamento, apoiados em normas informais e em crescente concentração de poder nas mãos dos presidentes das Casas, tornam crescentemente anêmico do chamado “presidencialismo de coalizão” pautado em relações harmônicas entre o Executivo e o Legislativo.

No próprio parlamento, há uma deterioração crescente das instâncias deliberativas, afetando negativamente as comissões temáticas e procedimentos equânimes de deliberação.

A exacerbação de procedimentos como a votação híbrida/remoto, o uso excessivo de urgência e compensação de projetos, inclusão de propostas relevantes (incluindo PECs) em tramitações conjuntas sem as etapas formais suficientes para debate consistente e esclarecedor.

Medidas Provisórias são condenadas à caducidade, privando a sociedade da necessária transparência quanto ao posicionamento do Congresso.

Não é sem razão que grandes legendas partidárias do Centrão e da Direita https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0658357328.html tenham optado pela neutralidade em relação ao pleito presidencial, liberando as seções estaduais para composições as mais diversas – inclusive com frentes comprometidas com a reeleição do presidente Lula -, no intuito de elegerem mais senadores e deputados federais.

Numa visão de médio e longo prazo e tendo em mira o desenvolvimento democrático e soberano do país, tais anomalias reforçam a necessidades de reformas estruturais a serem encetadas adiante, sob correlação de forças favorável.

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PCdoB aprova manifesto por novo ciclo de desenvolvimento com Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-do-pcdob_0907726579.html