17 outubro 2019

Desafios de 2020


Dispersão sem rupturas
Luciano Siqueira

Estamos a um ano no próximo pleito municipal. A variável tempo (na peculiaridade do calendário eleitoral brasileiro), precipita e antecede decisões políticas — ainda que até às vésperas das convenções partidárias, em junho ou julho, candidaturas possam ser reafirmadas ou subtraídas e alianças partidárias tomarem feição definitiva.

O fato é que, ao nos aproximarmos do peru do Natal e do foguetório do réveillon, já há como que um fogo de monturo preparatório do ano eleitoral.

E o pleito municipal é por natureza dispersivo.

Partidos componentes da coalizão que governa o estado, ou que ao governo fazem oposição, são chamados a encarar a disputa por prefeituras e por cadeiras nas câmaras municipais como temporariamente prioritária.

E agora coligações proporcionais estão vedadas legalmente, o que estimula muitas siglas a terem candidaturas próprias a prefeito como forma de aglutinarem pretendentes competitivos à vereança.

Legitimamente, todos buscam acumular forças.

Risco de dispersão e de um eventual segundo turno nas capitais e cidades maiores, que afeta diretamente esta ou aquela corrente política momentaneamente hegemônica. Sobretudo quando o exercício da hegemonia é chamuscado pela estreiteza e pelo exclusivismo.

Assim, todo cuidado é pouco.

Fraturas municipais podem repercutir sobre a coalizão estadual e dificultar a necessária conjugação de forças para disputa seguinte, em 2022.

A questão se coloca com um viés superior no caso da oposição ao governo Bolsonaro, que persiste dispersa, sob o impulso de partidos que já colocam antecipadamente pré-candidaturas presidenciais.

Uma obra de engenharia política que exige descortino, respeito às diferenças, paciência e determinação.

[Ilustração: Ben Nicholson]

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