11 março 2026

Ciência & Tecnologia

Investimentos em ciência e tecnologia batem recorde e chegam a quase R$ 50 bilhões em três anos
Recursos quase dobram em relação ao período anterior e impulsionam inovação, vacinas nacionais e plano brasileiro de inteligência artificial
Brasil 247  

O Brasil registrou um crescimento significativo nos investimentos em ciência e tecnologia nos últimos três anos. Desde janeiro de 2023, os recursos destinados ao fortalecimento do setor alcançaram R$ 49,3 bilhões, valor que representa quase o dobro do total aplicado entre 2019 e 2022, período em que foram investidos R$ 26,3 bilhões.

Os dados foram apresentados pela ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, durante participação no programa Bom Dia, Ministra, exibido pelo Canal Gov. Segundo a ministra, o volume de recursos tem ampliado o apoio às universidades, institutos de pesquisa e iniciativas de inovação tecnológica no país.

“É muito investimento que está indo para as universidades, institutos de ciência e tecnologia, e é o que muda na vida das pessoas”, afirmou Luciana Santos durante a entrevista.

Avanços científicos e vacinas nacionais

Durante a conversa com radialistas de diversas regiões do país, a ministra destacou resultados concretos obtidos a partir dos investimentos, como o desenvolvimento de vacinas produzidas integralmente no Brasil.

Ela citou o caso da vacina nacional contra a Covid-19 desenvolvida no Centro de Vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), financiada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

“Vou dar um exemplo. Nós agora temos uma vacina 100% brasileira da Covid. Todos nós sabemos o que aconteceu no período anterior, que nós tivemos uma dependência enorme, mesmo tendo o Butantan e a Fiocruz, que são patrimônio do povo brasileiro na área de vacinas, nós ficamos muito dependentes dos IFAs, dos insumos farmacêuticos ativos, e de uma posição negacionista do governo anterior. Então isso tudo adiou a capacidade que a gente tem de produção de vacinas. Agora nós temos uma vacina 100% brasileira, que é financiada exatamente pelo nosso ministério na Universidade Federal de Minas Gerais, que é o Centro de Vacinas, que se chama Espintec. Então isso é uma grande vitória para a ciência brasileira, nós vamos nos tornar autônomos, assim como também na dengue. Nós temos agora uma vacina 100% brasileira de prevenir a dengue, que é um fenômeno brasileiro relevante, e a gente está se preparando para isso”, explicou.

Recursos estratégicos para inovação e indústria

De acordo com o governo federal, 64% dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) foram direcionados para programas considerados estratégicos, como a Nova Indústria Brasil (NIB) e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A estratégia busca fortalecer a inovação tecnológica e estimular setores industriais de base científica, capazes de gerar empregos qualificados e melhor remunerados. Luciana Santos destacou também o impacto desses investimentos na autonomia produtiva do país.

“Os investimentos servem para que a gente tenha autonomia no complexo industrial de saúde. A gente tem o segundo déficit da balança comercial (neste complexo). São 20 bilhões de dólares de déficit da balança comercial, e a gente está fazendo investimentos para ter equipamentos. É para isso que serve, para proteger o povo brasileiro de qualquer tipo de dependência que a gente tenha, ainda mais nesse mundo da geopolítica, a gente tem que tomar medidas para fortalecer”, afirmou.

Ela acrescentou que o fortalecimento científico e tecnológico tem impacto direto em diferentes áreas estratégicas.

“É para isso que serve a ciência e tecnologia. Estou dando o exemplo de saúde, porque ele impacta mais diretamente na vida do povo brasileiro, mas isso vai para a área de defesa, isso vai para várias áreas de conhecimento para aquecer a nossa indústria, nós temos que ter indústria de microeletrônica, nós temos que ter indústria de semicondutores, e isso tudo é ciência e tecnologia”.

Plano brasileiro de inteligência artificial

Outro tema abordado pela ministra foi o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), iniciativa que prevê investimentos de R$ 23 bilhões até 2028. Os recursos devem vir de instituições públicas e privadas, incluindo o FNDCT, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o setor privado.

O plano está estruturado em cinco eixos principais: infraestrutura tecnológica, formação de especialistas, melhoria de serviços públicos com IA, inovação empresarial e governança da inteligência artificial.

Segundo Luciana Santos, o projeto inclui a aquisição de supercomputadores para ampliar a capacidade nacional de processamento de dados e treinamento de sistemas de inteligência artificial.

“Vamos adquirir computadores de alto desempenho e vamos nos colocar entre as dez maiores nações com capacidade de computadores de alto desempenho, que vão poder treinar a inteligência artificial. E vamos fazer editais ainda neste primeiro semestre para possibilitar que muita gente das áreas de engenharia, de ciência da computação, possam fazer IA no Brasil. 60% dos nossos dados são armazenados fora do Brasil. Então nós precisamos que esses dados sejam armazenados aqui. Soberania nacional hoje é sinônimo de domínio tecnológico”.

A ministra também ressaltou que o país busca ampliar sua autonomia em áreas estratégicas de infraestrutura digital e comunicação.

“Vamos abrir o mercado para outras economias. Mas nós precisamos ter os nossos. E o papel da ciência de tecnologia é fazer os nossos. Nós temos um satélite nosso de telecomunicações que é militar e civil. Mas existe um plano da gente fazer o nosso satélite de comunicação, assim como existe o plano de a gente fazer o nosso GPS. Não podemos depender exclusivamente do GPS norte-americano. Nós temos que fazer o nosso. E nós estamos em curso com esses projetos estratégicos que dão autonomia. Nós estamos confiantes que nós vamos dar o salto que o Brasil merece. Nós teremos esses supercomputadores e vamos ter, portanto, a capacidade brasileira de armazenar e processar dados”.

Lula defende governança global da IA https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/02/lula-na-india-posicao-avancada.html 

Nenhum comentário: