Investimentos em ciência e tecnologia batem recorde e chegam a quase R$
50 bilhões em três anos
Recursos
quase dobram em relação ao período anterior e impulsionam inovação, vacinas nacionais
e plano brasileiro de inteligência artificial
Brasil 247
O Brasil registrou um crescimento significativo nos investimentos em ciência e tecnologia nos últimos três anos. Desde janeiro de 2023, os recursos destinados ao fortalecimento do setor alcançaram R$ 49,3 bilhões, valor que representa quase o dobro do total aplicado entre 2019 e 2022, período em que foram investidos R$ 26,3 bilhões.
Os dados foram apresentados pela ministra da Ciência,
Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, durante participação no programa Bom
Dia, Ministra, exibido pelo Canal Gov. Segundo a ministra, o volume de recursos
tem ampliado o apoio às universidades, institutos de pesquisa e iniciativas de
inovação tecnológica no país.
“É muito
investimento que está indo para as universidades, institutos de ciência e
tecnologia, e é o que muda na vida das pessoas”, afirmou Luciana Santos durante
a entrevista.
Avanços
científicos e vacinas nacionais
Durante a
conversa com radialistas de diversas regiões do país, a ministra destacou
resultados concretos obtidos a partir dos investimentos, como o desenvolvimento
de vacinas produzidas integralmente no Brasil.
Ela citou o
caso da vacina nacional contra a Covid-19 desenvolvida no Centro de Vacinas da
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), financiada pelo Ministério da
Ciência, Tecnologia e Inovação.
“Vou dar um
exemplo. Nós agora temos uma vacina 100% brasileira da Covid. Todos nós sabemos
o que aconteceu no período anterior, que nós tivemos uma dependência enorme,
mesmo tendo o Butantan e a Fiocruz, que são patrimônio do povo brasileiro na
área de vacinas, nós ficamos muito dependentes dos IFAs, dos insumos
farmacêuticos ativos, e de uma posição negacionista do governo anterior. Então
isso tudo adiou a capacidade que a gente tem de produção de vacinas. Agora nós
temos uma vacina 100% brasileira, que é financiada exatamente pelo nosso
ministério na Universidade Federal de Minas Gerais, que é o Centro de Vacinas,
que se chama Espintec. Então isso é uma grande vitória para a ciência
brasileira, nós vamos nos tornar autônomos, assim como também na dengue. Nós
temos agora uma vacina 100% brasileira de prevenir a dengue, que é um fenômeno
brasileiro relevante, e a gente está se preparando para isso”, explicou.
Recursos
estratégicos para inovação e indústria
De acordo com
o governo federal, 64% dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (FNDCT) foram direcionados para programas considerados
estratégicos, como a Nova Indústria Brasil (NIB) e o Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC).
A estratégia
busca fortalecer a inovação tecnológica e estimular setores industriais de base
científica, capazes de gerar empregos qualificados e melhor remunerados.
Luciana Santos destacou também o impacto desses investimentos na autonomia
produtiva do país.
“Os
investimentos servem para que a gente tenha autonomia no complexo industrial de
saúde. A gente tem o segundo déficit da balança comercial (neste complexo). São
20 bilhões de dólares de déficit da balança comercial, e a gente está fazendo
investimentos para ter equipamentos. É para isso que serve, para proteger o
povo brasileiro de qualquer tipo de dependência que a gente tenha, ainda mais
nesse mundo da geopolítica, a gente tem que tomar medidas para fortalecer”,
afirmou.
Ela
acrescentou que o fortalecimento científico e tecnológico tem impacto direto em
diferentes áreas estratégicas.
“É para isso
que serve a ciência e tecnologia. Estou dando o exemplo de saúde, porque ele
impacta mais diretamente na vida do povo brasileiro, mas isso vai para a área
de defesa, isso vai para várias áreas de conhecimento para aquecer a nossa
indústria, nós temos que ter indústria de microeletrônica, nós temos que ter
indústria de semicondutores, e isso tudo é ciência e tecnologia”.
Plano
brasileiro de inteligência artificial
Outro tema
abordado pela ministra foi o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial
(PBIA), iniciativa que prevê investimentos de R$ 23 bilhões até 2028. Os
recursos devem vir de instituições públicas e privadas, incluindo o FNDCT, a
Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) e o setor privado.
O plano está
estruturado em cinco eixos principais: infraestrutura tecnológica, formação de
especialistas, melhoria de serviços públicos com IA, inovação empresarial e
governança da inteligência artificial.
Segundo
Luciana Santos, o projeto inclui a aquisição de supercomputadores para ampliar
a capacidade nacional de processamento de dados e treinamento de sistemas de
inteligência artificial.
“Vamos
adquirir computadores de alto desempenho e vamos nos colocar entre as dez
maiores nações com capacidade de computadores de alto desempenho, que vão poder
treinar a inteligência artificial. E vamos fazer editais ainda neste primeiro
semestre para possibilitar que muita gente das áreas de engenharia, de ciência
da computação, possam fazer IA no Brasil. 60% dos nossos dados são armazenados
fora do Brasil. Então nós precisamos que esses dados sejam armazenados aqui.
Soberania nacional hoje é sinônimo de domínio tecnológico”.
A ministra
também ressaltou que o país busca ampliar sua autonomia em áreas estratégicas
de infraestrutura digital e comunicação.
“Vamos abrir o
mercado para outras economias. Mas nós precisamos ter os nossos. E o papel da
ciência de tecnologia é fazer os nossos. Nós temos um satélite nosso de
telecomunicações que é militar e civil. Mas existe um plano da gente fazer o
nosso satélite de comunicação, assim como existe o plano de a gente fazer o
nosso GPS. Não podemos depender exclusivamente do GPS norte-americano. Nós
temos que fazer o nosso. E nós estamos em curso com esses projetos estratégicos
que dão autonomia. Nós estamos confiantes que nós vamos dar o salto que o
Brasil merece. Nós teremos esses supercomputadores e vamos ter, portanto, a
capacidade brasileira de armazenar e processar dados”.
Lula defende governança global da IA https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/02/lula-na-india-posicao-avancada.html

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