O marxismo como bússola em tempos de regressão
A luta de classes permanece o motor da história, agora visível nas greves globais, nas rebeliões contra a carestia e em eventos recentes, como a perseguição aos imigrantes pelo ICE nos Estados Unidos
Thiago Modenesi/Vermelho
Em um cenário global marcado pelo avanço de forças ultradireitistas e pela erosão sistemática dos direitos trabalhistas e da democracia, a análise marxista se reafirma não como um relicário do passado, mas como uma ferramenta atual e incisiva para compreender e transformar a realidade.
A ofensiva da ultradireita frequentemente se apresenta como uma revolta contra “as elites”, mas o marxismo permite desvendar seu núcleo: uma reação burguesa em tempos de crise profunda do capital. Quando a acumulação se retrai e a lucratividade é ameaçada, frações do capital e setores médios radicalizados buscam bodes expiatórios (imigrantes, minorias, “esquerdas culturais”) para desviar o foco da luta de classes. O projeto é claro: intensificar a exploração, desmontar conquistas sociais históricas e fragmentar a classe trabalhadora através do nacionalismo e do ódio identitário.
A perda generalizada de direitos, com a precarização, a terceirização selvagem e os ataques a sindicatos e sistemas de previdência é a manifestação concreta deste momento, que se soma ao desmonte do sistema de freios e contrapesos do Estado capitalista pela própria burguesia.
O marxismo identifica nisso não um acidente ou simples má gestão, mas a lógica inerente do capital em sua fase neoliberal-financeirizada, que busca recompor suas taxas de lucro convertendo direitos em mercadoria e segurança em insegurança estrutural.
Mais do que nunca, conceitos marxistas fundamentais iluminam o presente. A luta de classes permanece o motor da história, agora visível nas greves globais, nas rebeliões contra a carestia e em eventos recentes, como a perseguição aos imigrantes pelo ICE nos Estados Unidos e os protestos advindos disso, assim como no conflito entre o capital financeiro especulativo e as necessidades humanas básicas.
A alienação se amplifica em novas formas, do controle algorítmico ao trabalho por aplicativo, que mascara a exploração com a falsa ideia de autonomia.
Além disso, o Materialismo Histórico demonstra como a crise econômica de 2008, nunca resolvida, criou o terreno fértil para a barbárie política e social que testemunhamos.
Portanto, a atualidade do marxismo reside em sua capacidade de fornecer uma análise unificadora que conecta a fúria reacionária na política à brutalidade econômica no quotidiano. Ele revela que a defesa dos direitos trabalhistas e a luta contra a ultradireita são fronts inseparáveis da mesma batalha: a resistência contra uma ofensiva coordenada do capital, que só pode ser enfrentada com solidariedade de classe internacionalista e consciência de que não há saída simples dentro dos limites de um sistema em crise estrutural.
Sua vigência está, assim, na pergunta crucial que nos obriga a fazer: crise para quem? E na resposta que organiza: a crise é do capital, e seu ônus recai sobre os trabalhadores. Superá-la exige mais do que resistência, exige projeto e organização para uma alternativa revolucionária e socialista, mas com os pés no chão, entendendo que é preciso compreender a correlação de forças, ampliar a politização de largas parcelas do povo, buscando o acúmulo para uma virada de chave num horizonte em que tenhamos acumulado forças para construir tal objetivo.
O lugar do PCdoB na cena política https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/11/partido-renovado-e-influente.html

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