Após o carnaval tudo pode acontecer*
Luciano Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65
Cá na província, costuma-se dizer que ultrapassados o perú do Natal, os fogos do Réveillon e o êxtase do Carnaval, a cena política se aquece e tudo pode acontecer.
Trata-se agora
do jogo de forças em função das eleições gerais de 4 de outubro. E, portanto,
dentre outras questões relevantes, a construção de alianças político-eleitorais
consequentes.
Frentes
partidárias não se constroem com facilidade. Nunca.
O fator
subjetivo, no que diz respeito à postura das diversas correntes e dos seus
líderes, faz-se decisivo a partir da compreensão da realidade concreta, para
além das boas intenções de cada um.
Isolar,
enfraquecer e derrotar o adversário principal é o que se impõe. Implica alianças
em diversos níveis de convergência — até para neutralizar, se possível, grupos
que possam se desgarrar do lado de lá, mesmo sem plena adesão às nossas proposições.
No que
diz respeito à esquerda propriamente dita, o PCdoB em particular, mãos
calejadas pela experiência acumulada são chamadas a contribuírem na construção
da unidade entre diferentes.
Tudo em
decorrência do conhecimento da realidade objetiva no intuito transformá-la.
O
corolário é partir da realidade dos fatos e não de nossos desejos subjetivos, e
fugir a qualquer esquema rígido alimentado por meras suposições voluntaristas.
A
abordagem do conflito político inspirada no que a História registra: a
sociedade nova nasce das entranhas da velha sociedade; o momento político
imediato é parido nas entranhas da situação recém-modificada.
Não se
cuida aqui de propor uma discussão filosófica, ainda que assim em termos
simplificados.
Trata-se
de examinar a situação como de fato se apresenta, para além dos nossos desejos
subjetivos.
Nossos
propósitos são ousados. Em seu recente XVI Congresso, sob a consigna “Vitória
do Brasil em 2026. Mudanças para o desenvolvimento soberano”, o PCdoB pautou
“duas grandes tarefas": conquistar uma nova vitória da nação e da classe
trabalhadora reelegendo Lula e seguir na luta por mudanças estruturais em
função do desenvolvimento como caminho para o socialismo.
Partindo
desse propósito, faz-se o que é possível – sobretudo a construção de alianças
políticas as mais amplas, capazes de, no âmbito de cada estado, canalizar
energias para a reeleição de Lula; a eleição de senadores e deputados federais
comprometidos com a plataforma da reconstrução nacional, assim como
governadores e deputados estaduais.
No bojo
disso, ampliar a representação comunista na Câmara dos Deputados e nas
Assembleia legislativas.
Desafio
nada simples em meio ao desenho furta-cor que caracteriza o quadro político em
cada estado.
Impõe-se
a clareza de propósitos associada à habilidade na interlocução com todas as
correntes suscetíveis de uma aliança no tempo presente, em suas diversificadas
dimensões.
As cores
do arco-íris em São Paulo ou no Pará não são necessariamente as mesmas no Ceará
ou em Pernambuco. A diversidade regional e a predominância de agremiações
partidárias não programáticas continuam refletindo a imensa diversidade
regional no país.
Será
possível duas candidaturas conflitantes ao governo do Estado apoiarem, ambas, a
reeleição de Lula? Talvez. Já aconteceu no passado no Maranhão em Pernambuco,
por exemplo. Algo que se constrói com paciência e habilidade, longe das
mídias.
PS - No
caso específico do PCdoB, ótima oportunidade para envolver o coletivo militante
no debate em torno da tática, questão essencial de nossa luta. Sempre.
*Texto da minha coluna semanal no portal 'Vermelho'

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