O papel estratégico da tecnologia e inovação na prevenção de desastres climáticos
Uso de ciência, monitoramento e educação é apontado como caminho essencial para reduzir riscos, proteger populações vulneráveis e enfrentar os efeitos das mudanças climáticas no país.
Luciana Santos/Vermelho
Temos acompanhado, de forma recorrente, os graves danos que os períodos chuvosos impõem aos estados brasileiros. Em razão das mudanças climáticas, cada vez mais as chuvas integram a dinâmica natural do nosso clima e evitar desastres se torna um desafio para gestores em todo o país.
Na minha trajetória na vida pública sempre tive a convicção de que prevenir é sempre o melhor caminho. Quando estive à frente da Prefeitura de Olinda, enfrentamos de forma direta o desafio das áreas de risco, especialmente nos morros, onde a população mais vulnerável está exposta aos efeitos mais severos das chuvas. Ali, aprendemos que não basta agir na emergência, é preciso antecipar, planejar e cuidar.
Essa mesma diretriz orienta hoje a nossa atuação no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Diante da emergência climática que bate à nossa porta, a prevenção deixou de ser uma opção administrativa para se tornar um imperativo ético e humanitário.
A ciência não dorme. E isso, no nosso Ministério, é literal. Através do Cemaden, nosso Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, mantemos uma vigília ininterrupta. São cientistas e técnicos dedicados 24 horas por dia, monitorando mais de 1.100 municípios em todo o território nacional.
Estamos falando de um dos sistemas mais sofisticados do mundo. Integramos dados de satélites, radares e pluviômetros para transformar números em decisões que salvam vidas. Também atuamos com parcerias importantes, como é o caso do Recife, onde estamos financiando a aquisição do radar meteorológico de Banda S, resultado de um protocolo de intenções entre o MCTI e a prefeitura. O equipamento conta com investimento superior a R$ 30 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), operado através da Finep, e vai ampliar a precisão das previsões e fortalecer o monitoramento das chuvas não só na capital, mas em toda região metropolitana, onde vivem mais de quatro milhões de pessoas.
O desastre se pronuncia quando a chuva encontra a vulnerabilidade. E é possível se antecipar para diminuir os pontos de risco. Por isso, o trabalho realizado pelo MCTI e pelo Cemaden é um grande exemplo de como a ciência se transforma em proteção.
Mas a prevenção não se faz apenas com tecnologia. Ela se constrói também com educação e participação social. A ciência precisa estar presente no cotidiano das pessoas. Precisa ser compreendida, apropriada e transformada em instrumento de cuidado coletivo. Programas como o Cemaden Educação mostram que isso é possível. Ao levar o conhecimento sobre riscos para dentro das escolas, formamos uma geração capaz de proteger a si mesma, suas famílias e suas comunidades.
Em Jaboatão dos Guararapes, por exemplo, estudantes construíram pluviômetros caseiros, monitoraram a chuva e ajudaram a alertar moradores durante eventos extremos em 2022. É a ciência cidadã salvando vidas, mostrando que o conhecimento, quando compartilhado, se transforma em ação concreta.
Ainda nesse espírito lançamos, neste ano, em Recife, a 9ª Campanha Nacional #AprenderParaPrevenir: Cidades sem Risco. A iniciativa mobiliza escolas, comunidades e organizações sociais para fortalecer a cultura de prevenção.
Estamos utilizando os recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e investindo pesado em infraestrutura científica e supercomputação para que o Brasil esteja à altura dos desafios do século XXI.
Em um mundo de eventos climáticos extremos, falar de prevenção é, fundamentalmente, falar de justiça social. As chuvas continuarão a cair, mas o nosso compromisso é garantir que elas encontrem um Estado presente, uma ciência robusta e um governo que coloca a vida acima de tudo. É esse o Brasil que estamos reconstruindo, sob a liderança do presidente Lula: um país onde o conhecimento serve para proteger cada cidadão e cidadã.
Investir em ciência não é um luxo. É uma estratégia de proteção à vida.
Foto: Catástrofe no Rio Grande do Sul | Lauro Alves/Secom-RS
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