03 julho 2026

Palavra de poeta

Espiral
Mia Couto     

No oculto do ventre,
o feto se explica como o Homem:
em si mesmo enrolado
para caber no que ainda vai ser.

Corpo ansiando ser barco,

água sonhando dormir,
colo em si mesmo encontrado.

Na espiral do feto,

o novelo do afeto
ensaia o seu primeiro infinito.

[Ilustração: Oswaldo Guayasamín]

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