NOSSA MARCHA
Vladímir Maiakóvski
Troa na praça o tumulto!
Altivos pincaros - testas!
Águas de um novo dilúvio
lavando os confins da terra.
Touro mouro dos meus dias.
Lenta carreta dos anos.
Deus? Adeus. Uma corrida.
Coação? Tambor rufando.
Que metal será mais santo?
Balas-vespas nos atingem?
Nosso arsenal é o canto.
Metal? São timbres que tinem.
Desdobra o lençol dos dias
cama verde, campo escampo.
Arco-iris arcoirisa
o corcel veloz do tempo.
O céu tem tédio de estrelas!
Sem ele, tecemos hinos.
Ursa-Maior, anda, ordena
para nós um céu de vovos.
Bebe e celebra! Desata
nas veias a primavera!
Coração, bate a combate!
O peito - bronze de guerra.
[Ilustração: Oswaldo Guayasamín]
Leia também "Retorno", poema de Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-de-poeta_0433487496.html
Lenta carreta dos anos.
Deus? Adeus. Uma corrida.
Coação? Tambor rufando.
Balas-vespas nos atingem?
Nosso arsenal é o canto.
Metal? São timbres que tinem.
cama verde, campo escampo.
Arco-iris arcoirisa
o corcel veloz do tempo.
Sem ele, tecemos hinos.
Ursa-Maior, anda, ordena
para nós um céu de vovos.
nas veias a primavera!
Coração, bate a combate!
O peito - bronze de guerra.

Nenhum comentário:
Postar um comentário