13 abril 2009

Trabalhadores resistem como podem

. O Valor Econômico noticia hoje que a crise econômica já interfere nas negociações salariais. Depois de cinco anos em que aumentos reais foram conquistados pela maioria das categorias - 78% do total em 2008, por exemplo -, os sindicatos encontram hoje um ambiente muito mais complexo para negociar e poucos estão obtendo resultados acima da variação do INPC.
. Em alguns casos, as empresas iniciam a negociação oferecendo aumentos abaixo da inflação.
. No Sul Fluminense, região que concentra a indústria de transformação do Estado, os reajustes firmados até o momento só repõem a inflação. O sindicato dos metalúrgicos obteve a variação do INPC em acordos com as montadoras Volkswagen Caminhões e Peugeot Citrõen, a valer a partir de maio.
. Tempo difícil, tempo de luta.

História: 13 de abril de 1843

O navio tumbeiro (negreiro) Progresso (!), a caminho do Brasil, enfrenta tempestade com 400 cativos trancados no porão; 54 morrem sufocados e pisoteados. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

Meu artigo semanal no site da Revista Algomais

Dinheiro caro só é bom para banqueiro
Luciano Siqueira


Não sou especialista na matéria, mas é óbvio que crédito caro não serve a ninguém, salvo aos que negociam com dinheiro – os banqueiros. Na verdade, a rigor o setor rentista é o único que continua ganhando – e muito! – nesse amargo tempo de crise.

O governo tem adotado medidas anticrise em várias áreas, sempre visando a estimular a produção, o emprego e o consumo, no pressuposto (reconhecido internacionalmente) de que o país está entre os poucos emergentes na cena mundial em condições de sobreviver sem maiores agravos aos terremotos financeiros globais. O sistema produtivo não se desestruturou – salvo uma ou outra grande empresa que embarcou nos derivativos em busca de ganhos financeiros fáceis e se deu mal. As finanças púbicas continuam organizadas e relativamente saudáveis. Os bancos estatais atuam com presteza e consistência. O mercado interno, ainda pequeno para as dimensões do país, continua em expansão.

Mas um entrave terrível se ergue a toda tentativa de manter o nível das atividades econômicas: a política de juros. Não há setor da produção que se sinta estimulado a investir, mesmo com o respaldo governamental, diante de juros básicos dos maiores do mundo e de spreads bancários escandalosos. Isso a despeito das “queixas” públicas do próprio presidente Lula (e também da ministra Dilma). Nessa matéria, o Brasil continua claramente na contramão da tendência internacional. Países como a Alemanha, por exemplo, já praticam taxas de juros negativas.

Agora o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) anteontem trouxe à luz novos dados, contidos no estudo Transformações na Indústria Bancária Brasileira e o Cenário de Crise. Comparando-se o custo do crédito no Brasil e em outros países verifica-se que as taxas brasileiras são bem mais altas do que as cobradas no exterior: aqui o empréstimo para pessoa física chega a custar dez vezes mais do que em uma agência européia do mesmo banco.
Já quando se trata de pessoa jurídica, paga-se quatro vezes pelo empréstimo em comparação com o valor cobrado nos Estados Unidos e na Zona do Euro, indica o estudo.

Dá pra ficar passivo diante de um abusos desses? Claro que não. Por isso urge um esforço conjunto de entidades e instituições representativas de trabalhadores, empresários, setores técnicos responsáveis e da sociedade civil em geral no sentido de pressionar o Banco Central pela redução das taxas de juros. Em tempo hábil – enquanto ainda é possível salvar o país da débâcle geral.

O olhar de Enio sobre os sinais de carestia



Charge de Enio Lins na Gazeta de Alagoas

Opinião pessoal de Sérgio Augusto

Uma proposta certa ou errada?
Sérgio Augusto Silveira*
sergioaugusto_s@yahoo.com.br

Colocado entre os maiores defensores da via educacional para que o Brasil supere uma série de mazelas, o ex-governador do Distrito Federal e senador Cristovam Buarque surpreende a todos nós ao sugerir que um passo importante para essa superação pode ser o fechamento do Congresso Nacional. É de ficar pasmo com essa idéia, levantada em público por um democrata pernambucano respeitado!!! Mas a pasmaceira é só coisa passageira, de momento.

Evidentemente, não é de se concluir apressadamente que o senador quer que isso aconteça. O que ele está fazendo é jogar no ar uma idéia que – diante dos escândalos e desrespeito ao País por parte de dezenas de congressistas – os cidadãos andam pensando. Afinal, passados 20 anos da redemocratização e recuperação do Estado Democrático de Direito, esse modelo agora dá mostras de que está corroído, cansado, com as juntas reumatizadas. Tudo isso agravado pelo cruel vírus da impunidade.

Cristovam Buarque não acende a fogueira destinada a liquidar os três poderes, pilares do respeito à cidadania. O senador, ao pensar e falar em plebiscito para decidir o destino do Senado e da Câmara dos Deputados (aliás, parece que voltou atrás na proposta inicial), o senador está propondo que se dê uma solução para a inoperância e submissão do Legislativo diante dos outros poderes. Tal submissão também é um desrespeito aos cidadãos e cidadãs, como se fosse uma espécie de golpe, mas incapaz de pronunciar o próprio nome.

Portanto, não se trata de derrubar o Estado de Direito, mas sim dar uma arrumada para que se possa legislar efetivamente, de tal modo que se acabe o império da Medida Provisória, para citar um dos males. Essa questão, aliás, não se resume a uma arrumada; não é simples e, se pegar, vai provocar uma gigantesca discussão no País, em torno de que fórmula deverá ser adotada contra o aleijão legislativo. O que não se pode é tirar uma das bases do tripé, fazendo com que o edifício desabe todinho.

A impressão é de que o senador Cristovam está sugerindo uma ampliação do ato de legislar, a ponto de colocá-lo além, ou muito além, da atual abrangência convocatória de nomes para isso, que hoje é através de eleição direta periódica e marcada a ferro pelos vícios históricos. Seria uma fórmula socializada e eficaz de consulta popular sobre os temas de interesse coletivo.

O senador não quis ou ainda não teve a oportunidade de expor essa proposta. Mas, estamos convencidos de que ele a desenvolveu e, de repente, apresentará à nação. Bem dentro de seu perfil de inovador, a exemplo das idéias que colocou em prática no Distrito Federal quando foi governador.
* Jornalista

Sindicalistas estão certos

. Em recente encontro com o presidente Lula, dirigentes das centrais sindicais refutaram a proposta do governo de diminuir os tributos pagos pelas empresas, incluindo o recolhimento do FGTS, sob a condição de que elas mantenham os empregos.
. Sensível aos argumentos dos sindicalistas, o presidente orientou o ministro Guido Mantega no sentido de que reexamine o assunto e tente marcar neste mês nova discussão com as centrais.
. Lula considera indispensável a opinião das centrais sindicais. No que está correto, e os representantes dos trabalhadores mais ainda.

12 abril 2009

Perdemos um democrata

. A morte do deputado Carlos Wilson priva a política de um democrata de muitos serviços prestados a Pernambuco.
. Sua trajetória de jovem parlamentar da antiga Arena, de que foi dissidente (para ajudar aos que lutavam contra a ditadura), ao PT, passando por outras agremiações partidárias, sempre foi marcada pela busca da unidade entre as correntes políticas progressistas.
. O PCdoB perde um amigo e aliado de muitas jornadas.