A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
05 outubro 2016
Blindando Temer?
A Polícia Federal (PF) tem defendido,
enquanto ninguém está vendo, o fim dos acordos de delação premiada nas
investigações da Operação Lava Jato. Segundo delegados federais da PF, no
Paraná, confidenciaram a repórteres, o “material recolhido” já seria suficiente
para encerrar as investigações. Principalmente, agora que o presidente de
facto, Michel Temer, tem sido apontado como beneficiário do esquema
fraudulento. Leia mais http://migre.me/v9zSj
Indústria nacional em baixa
O governo Temer, que prometia a volta
da confiança e o fim de todos os males da economia, até então, tem colecionado
indicadores negativos. Nesta terça (04), O Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) divulgou mais um: o declínio da indústria brasileira. A
pequena alta da produção industrial nos últimos meses foi completamente anulada
por um recuo de 3,8% em agosto, na comparação com julho. Trata-se da maior
queda de um mês para o outro desde janeiro de 2012. Leia mais http://migre.me/v9zLu
O centro do debate
A realidade não cabe numa bitola
Luciano Siqueira,
no Blog de Jamildo/portal ne10
Conhecer a realidade para transformá-la – assim pode ser
dito, de modo simplificado, um dos postulados básicos da teoria marxista.
O corolário é partir da realidade concreta, e não
enquadrá-la em esquema rígido para atender nosso desejo subjetivo.
Por isso se diz – e a História o demonstra – que a sociedade
nova nasce das entranhas da velha sociedade.
Não se trata aqui de abrir uma discussão filosófica, ainda
que assim em termos simplificados.
Trata-se de examinar um detalhe relevante na cena política
eleitoral de agora.
Ou seja, no pleito municipal.
E a questão é: o debate se “nacionaliza” ou se cinge aos
problemas locais?
No intuito de “politizar” o processo e, assim, contribuir
para elevação da consciência política cidadã, estou entre os que nas campanhas sempre
relacionaram os problemas da cidade com a realidade nacional. Por muitas razões,
entre as quais a equação tributária que incide sobre o financiamento do poder
local.
Porém historicamente esse esforço nunca teve grande aderência
na realidade. No Brasil, pleitos municipais são um fenômeno político eminentemente
local.
É possível que em alguns centros questões nacionais tenham
ganhado maior relevo no primeiro turno encerrado no dia 2 último. Talvez, em
certa medida, no Rio de Janeiro, por exemplo.
Pelo país afora não ocorre, mesmo em cidades muito politizadas,
que guardam um traço histórico de disputas polarizadas.
Candidatos dos mais diversos matizes, situados à direita ou
à esquerda ou centro, debateram a gestão atual e os desafios presentes e futuros
da cidade.
Não me parece ser esta uma escolha meramente subjetiva. Antes
é o reconhecimento da realidade subjetiva socialmente considerada e conferida
em pesquisas, isto é, o interesse e as expectativas dominantes na quase
totalidade do eleitorado.
Problemas políticos nacionais não devem ser interditados, é
obvio. Mas é preciso ter em conta que a convergência se dá em torno do programa
para a cidade, ressalvadas divergências políticas e ideológicas sobre questões
de fundo.
Assim, prevalece a maturidade e o respeito às diferenças. Boas
experiências de convivência democrática num tempo em que o sectarismo e a intolerância
se expressam com certa força na sociedade.
Em suma, na quase totalidade das cidades os contendores não caíram
no equívoco de enquadrar subjetivamente o eleitorado, nem de submeter a
realidade a uma bitola.
Leia
mais sobre temas da atualidade: http://migre.me/kMGFD
Tirando de quem mais precisa
A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, que
tramita na Câmara e pretende criar um teto para o crescimento dos gastos
públicos, terá efeitos nefastos sobre a política de assistência social no país.
De acordo com nota técnica do instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea),
caso seja aprovado, o Novo Regime Fiscal – que vigoraria por 20 anos – irá
impor uma redução de mais 54% aos recursos da área, comprometendo os avanços no
combate à pobreza e à desigualdade. Leia mais http://migre.me/v9zB2
04 outubro 2016
A palavra de Renildo
O PCdoB no segundo turno em Olinda
Caros
amigos,
Antes
de mais nada, aproveito para informar que no segundo turno da eleição em Olinda
não apoiarei nenhum dos dois candidatos que estão na disputa. Posto isso, gostaria de agradecer a população da cidade
que confiou em nosso grupo político e nos deu quatro vitórias sucessivas. As
três últimas no primeiro turno.
Foram
16 anos de Governo, em que fizemos muito pela cidade, com obras, ruas calçadas
e grandes investimentos em infraestrutura e no fortalecimento de nossa
economia. Estes anos seguidos levaram a uma certa ‘fadiga de material’,
refletindo um desejo de renovação, perfeitamente compreensível. As obras em
curso criaram um roteiro para os próximos gestores, que refletem nossas
principais necessidades. Espero que prossigam e sejam concluídas.
Recolho
o resultado da eleição com humildade e buscarei tirar as lições necessárias,
compreendendo que isso faz parte dos ciclos da luta política e eleitoral,
principalmente na quadra difícil que a economia brasileira vem atravessando,
onde os municípios brasileiros estão com suas finanças bastante combalidas. O
momento exige muitos cuidados para superarmos os enormes desafios. Sendo assim,
dedicarei os próximos três meses de gestão ao esforço de manter as finanças do
município equilibradas para facilitar o trabalho de quem me suceder.
Por
último, analiso que as eleições refletem a conjuntura política nacional marcada
por uma das maiores crises políticas da história, decorrente da ação
desestabilizadora das forças conservadoras que querem reimplantar a ordem
neoliberal, culminando com o impedimento de uma presidente eleita
democraticamente pelo povo. Este quadro pós-impeachment gerou uma enorme
dispersão de forças e a uma eleição atípica, de pouca campanha, poucos esclarecimentos,
nenhum debate e uma enorme despolitização, ocasionando um resultado
desfavorável para as forças de esquerda e progressistas.
De
minha parte, continuo na mesma trincheira, confiando no povo e lutando pelo que
acredito desde muito jovem, para estabelecer no meu país a liberdade, a
igualdade e a justiça. Minhas palavras são de agradecimento ao povo de Olinda.
Renildo
Calheiros, prefeito de Olinda.
Leia mais sobre temas da
atualidade: http://migre.me/kMGFD
Descrença e apatia
Um vazio a ser ocupado
Luciano Siqueira,
no Blog da Folha
Cedo ainda para analisar os resultados do pleito de domingo
último, até porque haverá segundo turno em muitas cidades importantes, a
exemplo do Recife.
Mas um dado emerge com força: os percentuais recordes de abstenções, mais votos brancos
e nulos, em torno 25% e 35% ou mais em grandes centros, como São Paulo e Rio de
Janeiro.
Em São
Paulo, somaram 3.096.186 contra João Dória, que obteve 3.085.181 votos e
os 967.190 obtidos por Fernando Haddad, segundo colocado.
No Rio
de Janeiro, foram 1.866.621 contra os 842.201 dados a Marcelo Crivella e os 553.424
votos alcançados por Marcelo Freixo, que ficou em segundo lugar.
Não é
propriamente um espaço vazio, porém revela o tamanho da insatisfação e da descrença
de milhões de brasileiros em relação aos partidos e ao processo político.
A permanecer
o atual sistema eleitoral e partidário, esse espaço tenderá a aumentar nas
próximas eleições, com consequências nefastas.
Este é
um ácido corrosivo que, em outros momentos pelo mundo afora, contribuiu para o
advento de regimes ditatoriais de matiz fascista.
No Brasil,
o drama é que cabe ao Congresso Nacional - senadores e deputados – eleitos por
esse sistema eivado de vícios e distorções, mudar o sistema. Dificilmente o
fará, até que surja um clamor nesse sentido no seio da sociedade.
Mais: no
contexto da onda conservadora que varre o País, na esteira do impeachment da
presidenta Dilma e das repercussões negativas da Operação Lava Jato (que, assimétrica,
mira essencialmente o PT e preserva o centro-direita), é temporariamente
diminuto o poder de pressão do campo democrático e progressista.
Entretanto,
mesmo nessas adversas condições, passado o pleito municipal, o debate em torno
da reforma política de sentido democrático haverá de ressurgir.
E aí os
campos estarão bem definidos: de um lado, propostas de restrição ao processo
democrático, como a adoção de cláusula de barreira elevada para excluir do
parlamento partidos ora eleitoralmente minoritários; a proibição de coligações
para as eleições proporcionais; o retorno ao financiamento empresarial de campanhas
e assemelhadas. De outro lado, a adoção das listas partidárias preordenadas
para cargos legislativos, o financiamento público de campanhas e assim por
diante.
Uma quebra
de braço que, vencida pelo complexo direitista partidário-midiático, poderá aprofundar
mais ainda, na esfera eleitoral e partidária, o golpe perpetrado conta a Constituição
via impeachment.
Tema obrigatório na agenda da resistência.
Leia mais sobre temas da
atualidade: http://migre.me/kMGFD
PCdoB forte
Ao comentar o resultado das eleições municipais, o
governador do Maranhão Flávio Dino (PCdoB) confirmam o fim da hegemonia da
família e do grupo político do ex-presidente José Sarney (PMDB) no estado. A
oposição ao PMDB maranhense conquistou 150 dos 217 municípios do Estado no
primeiro turno. Quatro anos atrás, foram apenas 17. Somente o
PCdoB, saltou de 4 prefeituras para 46. Leia mais http://migre.me/v8ZED
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