04 dezembro 2018

Postura inconsequente


Gol contra em jogo difícil
Luciano Siqueira

Em que circunstância vale a pena alimentar briga entre amigos? Nenhuma, pois leva a nada. Ou, pior, conduz a decidias permanentes e incontornáveis.

Na luta política essa assertiva é mais do que evidente. Assim mesmo, sempre há os que optam pela irracionalidade, superpondo suas próprias ideias e intenções ao interesse comum.

Tão grave e danoso que faz parte da tática política, como um dos seus pressupostos, sobretudo numa correlação de forças adversa, explorar contradições e desavenças no campo adversário.

No Brasil de agora, prestes a se iniciar um governo mesclado de primarismo obscurantista e imprevisibilidade, mas com marca autoritária explícita, não há desserviço maior às forças políticas e segmentos sociais que resistem em defesa da democracia do que semear a discórdia e o conflito intestino.

Na prática, enfraquece o lado de cá e escancara frestas por onde o adversário pode avançar. Ou, no mínimo, realizar seus propósitos danosos sem a oposição devida.

O fenômeno — exagero na abordagem das diferenças, transformando-as em divisões quase incontornáveis — acontece em plano nacional e local, invariavelmente fruto de uma visão tacanha, reducionista e infantil da luta política.

Nem a experiência recente do pleito presidencial, em que uma almejada frente ampla democrática foi inviabilizada por aspirações hegemonistas, serve de lição.

Raciona-se que, apesar das consequências de políticas elitistas sobre as condições reais de vida do povo, cabe disputar terreno entre aliados, a qualquer custo, mesmo enfraquecendo a luta comum contra essas políticas.

É o chamado gol contra por desatino e leviandade.

Assim, parte da resistência passa necessariamente pelo combate a posturas inconsequentes, que demandam enfrentamento no terreno das ideias, travando-se a boa polêmica com respeito às diferenças e em busca de consenso possíveis.

Mais: reproduzir e ampliar experiências concretas de união de forças no âmbito da chamada "grande política" e no micro universo de cada localidade.

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03 dezembro 2018

Ditadura policial-judiciária


Moro num país tropical

Janio de Freitas, na Folha de S. Paulo

A torrente de acusações judiciais que, de repente, voltou a cair sobre Lula, Dilma Rousseff e até Fernando Haddad —em contraste com o presente antecipado de libertação do delator Antonio Palocci— até agora não teve êxito algum em sua função extrajudicial. Não fez parecer que a continuidade de acusações nega a finalidade, nas anteriores à eleição, de impedir a candidatura de Lula e sua previsível vitória.
O próprio beneficiário do efeito extrajudicial, Sergio Moro, facilitou o fracasso. Ao renegar a afirmação de que jamais se tornaria político, e incorporar-se ao governo que ajudou a eleger, mais do que desmoralizou o seu passado de juiz  — como disse que aconteceria, se passasse à política. Tornou mais desprezível a imagem do futuro governo e do país exposta a cada dia pela imprensa mundial.
Voltamos a ser um país com algumas originalidades musicais, carnavalescas, geográficas, mas um país atrasado de um povo atrasado. E não há o que responder. Onde, no mundo não atrasado, um juiz faria dezenas de conduções coercitivas ilegais, prisões como coação ilegal a depoentes, gravações ilegais de acusados, parentes e advogados, divulgação ilegal dessas gravações, excesso ilegal de duração de prisões, e sua impunidade permanecesse acobertada por conivência ou medo das instâncias judiciais superiores? Condutas próprias de ditadura, mas em regime de Constituição democrática.
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Arte é vida

Alfred Stevens

Epa!

Ninguém pode ser contra o combate à corrupção. Mas ninguém pode ser favorável a ação dos aparelhos repressivos e judiciários além dos limites da Constituição, sob pena de a  anarquia e o autoritarismo corroerem a democracia.

Manipulação criminosa


Os jogos dos robôs para impor censura política no Facebook
Luis Nassif, Jornal GGN

A imensa dificuldade do Facebook em fiscalizar bilhões de posts diários está permitindo um jogo de censura política de grupos organizados, valendo-se dos seus algoritmos. Basta um exército de robôs “denunciando” um post, para ele ser retirado da rede.
Esse estratagema foi abundantemente utilizado na campanha eleitoral. Mas, aparentemente, continua sendo empregada.
O artigo “Xadrez do golpe derradeiro contra o estado de direito” foi suspenso pelo Facebook por supostamente violar os tais Padrões da Comunidade.
Não se trata de uma censura direta do Facebook, mas de jogadas de grupos organizados com ação articulada de denunciar conteúdos.
Outra suspensão foi aplicada em uma reportagem sobre grafeno – em que algum pirado identificou conteúdo sexual. E em um Xadrez denunciando o fundamentalismo do governo Bolsonaro. E até em uma matéria da Agência Xeque denunciando os fakenews na economia.
Talvez seja a hora do STF (Supremo Tribunal Federal) ou do Congresso definirem um documento legal subordinando as redes sociais aos mesmos princípios da Lei de Imprensa: o que for considerado veículo jornalístico ficaria blindado contra essas jogadas de militantes.
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Ré na contramão

Ex-ministro Rubens Ricupero adverte que uma "ideologia tosca e mal trabalhada" pode prejudicar o Brasil na relação com outros países a partir do próximo ano. [Uma crítica correta à política externa subserviente e atabalhoada que se desenha no governo Bolsonaro].

Dilema

Limitado por base aliada instável no Congresso Nacional, Governo Bolsonaro viverá dilema entre a política real e a exarcebação do autoritarismo.