A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
03 abril 2020
É rolo!
Quando o presidente da República, em meio a uma grave crise, repreende publicamente um ministro para onde vai a eficiência do governo?
Quem viver verá
Importa pouco saber agora quem admite se unir com quem. A realidade concreta superará preconceitos e uma ampla união pela salvação nacional vingará no desdobramento da atual situação do país.
02 abril 2020
Mais forte do que a dispersão
Imposições da realidade concreta
Luciano Siqueira
No tempo
conturbado em que vivemos em nosso país, verifica-se descompasso entre
correntes políticas de oposição e o evolver da realidade concreta.
Algo
semelhante a uma determinada situação na França que permitiu a Karl Marx, no “18
Brumário”, assinalar que há momentos em que a evolução do cenário político se
dá, objetivamente, em grande parte à revelia da vontade subjetiva dos principais
atores em presença.
Vejamos.
O presidente
Bolsonaro lida muito mal com a pandemia do coronavírus e, igualmente, com o
desafio da tomada de decisões destinadas a reduzir os impactos sobre a economia
e as condições de vida da população.
Mercê de sua
incompetência e incapacidade de exercer plenamente o cargo, engendra, ele
próprio, crise de governo que talvez venha a requerer solução institucional
atípica.
Qual uma
hidra de sete cabeças, o governo do ex-capitão se movimenta desordenadamente
conforme seus múltiplos subcomandantes.
Ian Bremmer,
titular da consultoria Eurasia, que analisa riscos políticos conjunturais para
os grandes conglomerados financeiros e empresariais no mundo, em relatório
noticiado pelo Valor Econômico semana passada, começou a cogitar a possibilidade
do impeachment como desdobramento da crise de governo atual.
Pesquisas
que detectam índices de aprovação e desaprovação do presidente, tanto na vida
real, digamos assim, como no mundo digital, revelam seu isolamento crescente, perdendo
força inclusive na franja social mais identificada com posições extremadas de
direita.
Politicamente,
Bolsonaro está seriamente infectado pelo coronavírus.
Concomitantemente
- da articulação de governadores a cientistas, de centrais sindicais e entidades
estudantis e culturais a associações municipalistas -, surgem sinais claros de
que se gesta na sociedade uma ampla e plural emergência de vontades para o
enfrentamento da pandemia e suas consequências.
(No meio
desse caminho, e ainda carente de uma liga mais ampla, lideres nacionais e dirigentes
do PSB, PT, PCdoB, PDT, PSOL e PCB lançaram manifesto pedindo a renúncia do
presidente.)
Então, para
além da vontade subjetiva e dos planos eleitorais de curto e médio prazos dos
partidos, a bandeira da salvação nacional pode vir a congregar forças de
amplitude pouco vista. Até parte da grande mídia presente.
Isto, a despeito
deste ou daquele líder priorizar a defesa do seu próprio partido ou seguir
guerreando com forças do campo democrático ou brandindo “princípios” a serem
invocados para selecionar aliados...
A realidade
concreta tende a fazer suas imposições.
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01 abril 2020
Qual é a dele?
Em zigue-zague e sem
rumo
Luciano Siqueira
Não
foi exatamente um recuo, nem uma mudança de rumo. O quarto pronunciamento do
presidente Jair Bolsonaro em cadeia de TV e rádio, a propósito da pandemia do
coronavírus, na essência o manteve onde sempre esteve: na contramão da ciência
e do bom senso, isolado e sem rumo.
Ou
melhor: no rumo do autoisolamento político e do enfraquecimento de sua própria
autoridade no exercício do cargo.
O
presidente troca os termos “gripezinha” e “resfriado” por “problema sério”, mas
insiste numa falsa dicotomia entre defender a vida das pessoas e tentar
preservar as atividades econômicas e a empregabilidade face o tsunami da
COVID-19.
Para
reafirmar, ainda que de modo algo acanhado, sua posição contrária ao isolamento
social, deturpou uma fala do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, usando como reforço de sua
esdrúxula tese do “isolamento vertical”.
Desmoralizante o
presidente de uma nação do porte do Brasil ser desmentido logo em seguida pela
OMS.
Entrementes, há
sucessivos registros jornalísticos acerca de divisões no núcleo do governo,
alguns ministros contrários às intenções do presidente, outros em desalento face
o crescente vazio de poder, a ponto da Folha de S. Paulo mencionar que
Bolsonaro teria chorado em meio a um diálogo tenso com alguns interlocutores,
dizendo-se semi-abandonado por alguns dos seus principais auxiliares.
Não há perspectiva de
alteração substantiva no desempenho do governo em face de pandemia. Mesmo que
tenha, com palavras tímidas, falado em união com governadores e prefeitos,
estes seguirão articulados entre si e exigindo do governo central as medidas e
os recursos cabíveis.
E neste início de
abril espera-se o agravamento da pandemia em território brasileiro, um teste sem
precedentes para o sistema de saúde.
Na base da sociedade,
objetivamente o afastamento do governo e da figura do presidente dá lugar à
percepção gradativa da necessidade de uma ampla convergência de ideias e
vontades destinada a salvar o país da catástrofe sanitária, social e econômica.
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Cerco se aperta
Partidos da oposição
entram no STF com notícia crime contra Bolsonaro
Blog do Renato
Sete
partidos de oposição (PCdoB, PT, PDT, PSB, PSOL, Rede e PCB) protocolaram nesta
terça-feira (31) uma notícia crime junto ao STF (Supremo Tribunal Federal)
contra o presidente Bolsonaro. Os partidos pedem ao Supremo que a comunicação
de crime seja enviada à Procuradoria-Geral da República (PGR) para a avalição
do acolhimento da notícia.
O presidente está sendo acusado de colocar a vida das pessoas em risco;
infringir as normas sanitárias; prevaricação; e incitação ao crime. São
infrações tipificadas no Código Penal com penalidade que variam de três a um
ano de prisão, e multa. Caso a manifestação seja acolhida, a PGR pode propor
uma ação penal contra Bolsonaro no STF. Todas estão no contexto dos crimes
potencialmente cometidos pelo presidente na relação direta com a pandemia do
coronavírus.
Os partidos destacam que o mundo enfrenta uma pandemia com diversos
países adotando medidas “excepcionais” de distanciamento social, tendo em vista
ser medida recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e, no Brasil,
pelo próprio Ministério da Saúde.
Além de discordar institucionalmente de tal política, Bolsonaro adotou
posturas que vão na contramão das medidas indicadas por esmagadora maioria dos
especialistas e adotadas por todas as nações já atingidas pelo novo
coronavírus. O presidente ora incentiva aglomeração de pessoas, ora conclama
que elas descumpram as recomendações médicas de isolamento voluntário e até
mesmo utiliza a influência de seu cargo para infringir as medidas recomendadas.
“Configuram crimes de infração comum, que atentam contra a vida e a
saúde humana, a incolumidade pública, a paz pública e a probidade da
administração pública”, diz um trecho da petição.
Fatos relatados
Alguns fatos são relatados na notícia crime como a fala do presidente em
cadeia de rádio e tv, desaconselhando a realização de manifestações
antidemocráticas no dia 15 de março a favor do seu governo. Mesmo com a
proibição do ato pelo governo do Distrito Federal e contrariando o que disse na
tv, Bolsonaro foi às ruas e manteve contato direto com inúmeras pessoas. Na ocasião,
já se sabia sobre diversos casos de pessoas diretamente ligadas ao presidente
que estavam infectadas.
A
petição diz que no dia 24 de março, em pronunciamento oficial à nação,
Bolsonaro defendeu o fim do distanciamento social e incitou as pessoas a desrespeitarem
as medidas recomendadas e “voltar, sim, à normalidade”.
A comunicação também citou a entrevista ao jornalista José Luiz Datena,
apresentador do programa Brasil Urgente da rede de televisão Band, quando
Bolsonaro voltou a defender o fim das medidas de distanciamento social,
“pondo-a em rota de colisão com o sistema econômico brasileiro e aos postos de
empregos”.
Em seguida, o presidente liderou o governo federal com a propaganda de
slogan “#OBrasilNãoPodeParar”, pelo qual conclamava os cidadãos que voltassem
às suas rotinas, preservando apenas as pessoas mais idosas e aquelas que
possuam doenças complicadoras. Os partidos lembram que esse foi o mesmo
comportamento adotado pelo prefeito de Milão, Giuseppe Sala, que pediu
desculpas da população após o registro de 9 mil mortos na Itália.
“Como
se tudo isso não bastasse, o noticiado Jair Bolsonaro, no dia 29 de março,
violou as recomendações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da
Saúde e saiu às ruas do Distrito Federal em evidente rompimento às orientações
de distanciamento social”, diz a petição. (Por Iram Alfaia, Portal Vermelho)
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Que coisa!
‘Facebook apagou post de Bolsonaro por “alegação falsa” de cura para coronavírus.’ [E o Brasil amarga mais esse vexame]
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