25 dezembro 2018

Futebol moderno


Demitido, Mourinho foi engolido por próprio personagem

Enquanto futebol segue Guardiola, técnico do Manchester United deixou o clube

 

Tostão, na Folha de S. Paulo


Mourinho foi demitido do Manchester United por causa de péssimos resultados e desempenhos. Uma das razões foi o crescimento técnico, neste ano, das outras grandes equipes inglesas. A gota d´água foi o massacre técnico e tático sofrido na derrota para o Liverpool. Mourinho, mais uma vez, preferiu o razoável Fellaini a Pogba, já que o craque francês, às vezes, inventa e transgride as regras do técnico.
Mourinho, nas grandes equipes, especialmente no Real Madrid, onde quis ser o anti-Guardiola, se tornou, por ter mais conquistas que fracassos, o símbolo do treinador pragmático, utilitarista, que prioriza a marcação e os contra-ataques e que, contra fortes adversários, costuma “colocar um ônibus à frente da área”. Além disso, passou a ser um técnico prepotente, ranzinza. Mourinho criou um personagem e se apaixonou por ele. A criatura engoliu o criador.
A tendência mundial das grandes equipes é seguir o modelo Guardiola, de pressionar, de tentar recuperar a bola onde a perdeu e de formar times compactos, que jogam com intensidade, troca de passes e triangulações, de maneira eficiente e prazerosa. O torcedor também evoluiu e passou a exigir um futebol bem jogado.
Evidentemente, os grandes times têm suas particularidades. O Manchester City possui várias. Como os pontas atuam abertos, os laterais passam a ser armadores, ao lado do volante, formando um trio no meio-campo. Com isso, os dois meio-campistas avançam para receber a bola mais perto do centroavante, entre o meio-campo e os zagueiros adversários. Na prática, o time tem cinco atacantes, dois pontas, um centroavante e dois meio-campistas. Quando a equipe perde a bola e não dá para marcar por pressão, todos voltam para marcar, com exceção do centroavante.
O Liverpool mudou a estrutura tática e passou a jogar com dois volantes, dois jogadores abertos, que atacam e defendem, um meia de ligação (Firmino) e um centroavante (Salah), em vez de três no meio-campo e três no ataque. Funciona bem das duas maneiras. Muito mais importante que o sistema tático é a intensidade, a movimentação e maneira organizada e explosiva de atacar, do início ao fim do jogo.
Outras grandes equipes europeias, como PSG, Real Madrid, Barcelona, Bayern, Juventus e Atlético de Madri, alternam, em um mesmo jogo, estilos defensivos e ofensivos. Mesmo o Atlético de Madri, que se destacou, nos últimos anos, pela marcação, tornou-se também um time ousado. Além das equipes inglesas, todas estas são candidatas ao título europeu. A Liga dos Campeões está mais equilibrada.
No Brasil, com raras exceções, os técnicos são mouristas, cada um de seu jeito. Alguns jovens chegam com novas ideias, mas são consumidos pelo péssimo e desorganizado calendário, pelos vícios acumulados durante longo tempo. Há também um medo de inovar.
Sampaoli e Fernando Diniz, novos técnicos de Santos e Fluminense, são guardiolistas, bielsistas. A dificuldade principal de Fernando Diniz não é a estratégia de jogo, e sim a incapacidade de fazer com que os jogadores executem bem o que foi planejado, por ineficiência e inexperiência do treinador e pelo pouco talento individual dos atletas.
Guardiola é excepcional porque faz ótimos jogadores evoluírem, por atuarem em equipes organizadas e inovadoras, de acordo com suas características, e não porque transforma equipes individualmente modestas em brilhantes e vencedores times.
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Mulher revolucionária


Luciana Santos: o desafio de ser vice-governadora 

Em entrevista ao jornal Diário de Pernambuco, a presidenta do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) Luciana Santos, deputada federal e vice-governadora eleita do estado pernambucano, diz que ser vice será uma experiência nova e desafiadora.

Vermelho

Às vésperas de entrar para a história como a primeira vice-governadora eleita de Pernambuco, Luciana afirma que está organizando a vida para assumir um papel que diz 'ter plena consciência' das responsabilidades. Ela nem acreditou quando a notícia começou a circular nos bastidores. Mesmo a informação sendo repassada pelo assessor especial do governador Paulo Câmara (PSB), Antônio Figueira, um ano antes da confirmação da chapa majoritária da Frente Popular. “Sempre achei que era conversa de Figueira (risos) e que ele estava querendo afagar a gente”.

Foi dessa forma que a deputada federal e presidente nacional do PCdoB, Luciana Santos, respondeu ao Diario a pergunta sobre as articulações para a escolha do nome dela na disputa para o cargo de vice. Às vésperas de entrar para a história como a primeira vice-governadora eleita de Pernambuco, Luciana afirma que está organizando a vida para assumir um papel que diz “ter plena consciência” das responsabilidades que terá em “um futuro” próximo. 

A parlamentar deixará a Câmara dos Deputados depois de exercer dois mandatos consecutivos. Em 1º de janeiro de 2019, a rotina corrida de ter que se dividir entre Pernambuco, Brasília e São Paulo será um pouco mais branda. O tempo maior será dedicado aos planos que pensa para o estado. “Não tenho exatamente na cabeça o que será esse futuro próximo. Sei que tenho muita afinidade com alguns assuntos com os quais objetivamente convivi”, definiu Luciana, citando suas afinidades com ciência e tecnologia, cultura, além da disposição de atuar, junto com Paulo Câmara, em ações estruturantes para o estado, a exemplo dos projetos hídricos, uma área que, na avaliação de Luciana, o governador tem investido pesado, mas que ainda não capitalizou os dividendos políticos merecidos. Abaixo, a entrevista concedida pela vice-governadora eleita, na qual ela também destaca a oposição ao governo Bolsonaro, a aliança com o PT, a candidatura de Fernando Haddad (PT), entre outros temas.

A senhora vai entrar para a história por ser a primeira mulher a exercer o cargo de vice-governadora de Pernambuco. Qual a sua expectativa para assumir o cargo?

Tenho plena consciência das minhas responsabilidades. É natural que se crie uma expectativa, mas sempre tive mandatos políticos. Já fui duas vezes deputada estadual, duas vezes prefeita de Olinda, secretária de estado no tempo de Eduardo Campos (Tecnologia e Meio Ambiente), durante nove meses. É natural que esse meu papel político faça parte da minha trajetória, da minha experiência na política. Mas é algo (a função de vice) que ainda vou construir politicamente com o governador. Ele vai dizer a expectativa que tem e, ao mesmo tempo, vou construir as coisas sobre as quais tenho refletido (para realizar no cargo). Tenho muita intimidade com política cultural, por conta da experiência em Olinda (de prefeita), com ciência e tecnologia. Na Câmara, fui da Comissão de Ciência e Tecnologia, Informática e Comunicação. São nessas temáticas que devo transitar e dialogar com o estado. 

No cargo de vice-governadora, qual o projeto em execução no estado que a senhora pensa em atuar? 

O investimento em água é uma marca do governo. Uma coisa importante, estruturante. São coisas assim que vou procurar fazer. Acho que o governo não conseguiu capitalizar politicamente, mas é fato que os investimentos foram feitos no setor hídrico. São coisas assim que estou pensando em conversar com o governador. Sobre projetos especiais, estruturantes que ele acha importante e que eu que possa dialogar em Brasília, mesmo sendo o governo de Bolsonaro, que é um governo que somos do bloco de oposição, mas que precisamos ter pontes. Além disso, tem a questão da mulher, que é muito simbólicos. Somos o estado das heroínas de Tejucupapo, a expressão da mulher colonizadora. A história oficial nunca conseguiu dar a devida dimensão à luta política que as mulheres tiveram. Não só na luta política, mas de maneira geral. Na arte, na ciência, que é um desafio permanente na luta feminista. A questão da violência tem muita subjetividade da cultura machista. O homicídio que, por si só, não é aceitável, mas são homicídios com requinte de crueldade, com muito ódio. São subjetividades que você tem que compreender melhor para a gente ter uma política nesse sentido.

O PT ficou fora do bloco de oposição a Bolsonaro na Câmara. A parceria com os petistas foi só na campanha?

Não é bem assim. Foi formado um bloco partidário parlamentar. Sei que esta é uma leitura (de distanciamento com o PT) que interessa a muitos interlocutores do bloco, que seja desse jeito. E isso acontece por vários motivos. O PT, nas alianças, tem uma prática, às vezes, exclusivistas. Então, fica todo ali querendo marcar uma posição. Mas, outros blocos já existiram nesses termos. Já se fez um bloco de PSB/PDT/PCdoB em pleno governo Lula. Por que? Porque o PT é grande demais. Tem a maior bancada do Congresso e vai continuar tendo na nova legislatura. Quando você faz o bloco interessa ter ferramentas regimentais que facilitam o movimento desse grupo. Ter espaço nas comissões, na Mesa. O bloco de oposição tem que ser além de PT, PSB, PCdoB, PROS. A oposição tem que ser o que a campanha de Fernando Haddad se tornou no final. Tem que ser de personalidades, nas áreas acadêmica, cultural, empresarial, jurídica, todos aqueles que sejam democráticos. Vamos precisar disso. 

Na sua avaliação, o PT errou em ter demorado a confirmar o nome de Haddad para a disputa presidencial?

Errou. E a gente disse isso várias vezes nas conversas bilaterais. Sempre dissemos que o candidato tinha que ser Haddad. Existe um sentimento latente que Lula sempre foi maior que o PT. Existe uma memória afetiva que o tempo de Lula foi bom, mas em não sendo Lula (candidato), você tem que preparar outro em tempo suficiente para que as pessoas compreendam.

A senhora acha que a oposição vai precisar se reinventar para se contrapor ao governo Bolsonaro?

Sem dúvida. É uma nova ordem. Nesses 500 anos de República nunca teve uma extrema direita eleita. Tivemos generais, no tempo do golpe, mas a extrema direita eleita nas urnas é a primeira vez no país e com um candidato que tem uma narrativa agressiva.

E como a oposição vai enfrentar isso?

Primeiro, desconstruindo o que a gente não conseguiu desconstruir na campanha eleitoral. Que é um pouco que a vida vai revelar que ele não tem nada de ser antissistema. Ele é o cara do sistema e da velha política. Vai ser um desafio e a vida vai revelando porque ele não tem governabilidade se não fizer essas concessões. É um negócio meio truculento. São os meninos (filhos de Bolsonaro) que fazem as entrevistas com os possíveis futuros ministros. E os meninos ameaçam quem fala contra o pai nas redes sociais. Um negócio totalmente fora do padrão civilizatório. O que tem que prevalecer é a constitucionalidade, a Constituição Brasileira e o próprio presidente tem afirmado isso. É muito estranho em 30 anos da Constituição os próprios representantes das instituições, todos eles, afirmando ser necessário defender a Constituição. E falam isso como que se dirigissem a Jair Bolsonaro.

Como será a convivência com Paulo Câmara?

Sou admiradora dele. Conheço Paulo do tempo que eu era secretária. Ele sempre foi discreto, competente, sério, concentrado no que faz e revelou isso nesses quatro anos. Nunca quis ser candidato a nada. Nunca quis percorrer nenhuma carreira política, no entanto, foi o escolhido de Eduardo (Campos). Talvez, por isso, mesmo. Porque ele não era movido pela vaidade e talvez porque Eduardo achasse que, diante da crise que atravessava o estado, seria melhor ter alguém do perfil dele. A minha expectativa é a melhor relação possível. Claro que será uma construção política cotidiana. Acho que vai ser uma ótima experiência e um aprendizado muito grande para mim. Por mais que eu viva Pernambuco, tem muitas coisas que preciso mergulhar. Vai ser uma experiência nova, desafiante e enriquecedora.

A senhora vai continuar na presidência nacional do PCdoB, conciliando com a função de vice-governadora?

Fui reeleita presidente. Só se elege presidente de partido em congresso que acontece de quatro em quatro anos. Fui eleita três anos e meio atrás em uma conferência extraordinária, entre um congresso e outro. O congresso que me elegeu foi o do ano passado. Fui eleita presidente do partido no ano passado, embora já tenha três anos e meio de presidência. O próximo congresso é só daqui a quatro anos. Teremos um congresso extraordinário agora por conta da incorporação do PPL, mas congresso mesmo, só daqui a quatro anos. Certamente até lá vou continuar presidindo nacionalmente o partido e acho que isso é bom para o estado pelo trânsito que temos na política, com os possíveis presidentes da Câmara, do Senado e dá força ao nosso campo político. 

E no estado, o PT vai participa do segundo mandato de Paulo Câmara?

Acho que vai. Agora, não sei onde. Não tenho a mínima ideia do espaço que será ocupado pelo PT. Mas o PT participou da chapa do Senado. Não é pouca coisa. O senador do PT (Humberto Costa) foi o mais votado. É natural que participe do governo. 

Qual o balanço que a senhora faz dos mandatos na Câmara?

No geral foi um mandato muito positivo, que procurou dialogar com tudo que era estratégico para Pernambuco. Sempre fui da que encheu o saco, mesmo no governo Dilma, para pedir recursos para a adutora (do Agreste). Tudo aquilo que era mais estruturante para Pernambuco a gente ficava fazendo pressão. A Transnordestina, por exemplo. Fora as coisas mais próprias do mandato, como a questão feminina. Tivemos um mandato muito focado para essas questões, emendas para secretarias, iniciativas de debates, a PEC das Domésticas, as 30 horas para enfermeiras, que a grande maioria é de mulheres. Fui presidente da Frente Parlamentar em defesa da cultura. Fazer do ponto da cultura uma política de estado foi uma grande vitória da frente. Infelizmente a cultura do estado pode virar pó se não tiver vontade política. Faço um balanço positivo. Na ciência e tecnologia podemos citar o debate do Marco Civil da Internet, da PEC da Ciência e Tecnologia, que mudou muito a Constituição para flexibilizar as ações na área, facilitando muito a produção científica. Tem a questão da resistência do impeachment (da ex-presidente Dilma). Foi um mandato pautado pela coerência e pela combatividade.(
Fonte: Diário de Pernambuco)

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Trump x Congresso


Qual o impacto econômico da paralisação dos EUA?
Jornal GGN

O presidente Donald Trump e o Congresso estão novamente à beira de uma paralisação parcial do governo federal . Se eles não conseguirem chegar a um acordo, será a terceira parada em dois anos.

O impacto imediato e mais visível de uma paralisação está nas operações do dia-a-dia do governo. Alguns departamentos e escritórios, como o Internal Revenue Service ( Serviço da Receita Federal) , seriam fechados e os funcionários federais não essenciais do governo permaneceriam em casa.
Mas além dos trabalhadores individuais e das famílias afetadas, uma paralisação curta ou prolongada poderia afetar também a economia mais ampla dos EUA?
Constantine Yannelis , professora de administração da Universidade de Nova York, e eu examinamos dados da paralisação do governo de 2013 para entender melhor seu impacto.
Um aumento de velocidade econômica - Embora a paralisação afete a economia de várias maneiras - desde atrasos de autorização de negócios e vistos até a redução de horas de serviço em inúmeras agências -, o principal canal através do qual a paralisação afeta a economia é a retenção ou o pagamento antecipado de funcionários federais que não recebem seus contracheques.
Como os gastos do consumidor representam cerca de 70% da atividade econômica nos Estados Unidos, reter pagamento de até mesmo alguns funcionários do governo poderia introduzir um aumento significativo da velocidade econômica no curto prazo.
E foi exatamente isso que vimos em 2013.
Semelhante à situação atual, um impasse partidário no Congresso levou a uma paralisação parcial do governo que durou pouco mais de duas semanas, a partir de 1º de outubro daquele ano.
Mais de um milhão de funcionários federais foram afetados e não receberam salário durante o desligamento. Alguns foram dispensados ​​- enviados para casa e disseram para não fazer nada relacionado ao seu trabalho. Aqueles considerados “essenciais” ou “isentos” - como o pessoal de segurança inspecionando passageiros em aeroportos ou agentes de patrulhamento de fronteiras - eram obrigados a continuar trabalhando em seus empregos, embora não estivessem recebendo cheques de pagamento. O governo eventualmente pagou a ambos os grupos o dinheiro que lhes devia, independentemente de trabalharem, depois que os democratas e os republicanos chegaram a um acordo em 16 de outubro.
Meu colega Yannelis e eu procuramos entender como as famílias respondiam acompanhando como elas se comportavam nos dias que antecederam, durante e após o encerramento, usando dados financeiros detalhados.
Obtivemos esses dados anônimos de um site de finanças pessoais onde as pessoas rastreiam suas receitas, despesas, economias e dívidas. Usando as descrições de transação de cheque de pagamento, identificamos mais de 60.000 domicílios que continham funcionários de órgãos federais afetados pela paralisação. Esses funcionários afetados incluíam os que foram solicitados a trabalhar sem remuneração e os que estavam de folga.
Como um grupo de comparação, também identificamos mais de 90.000 famílias com um membro que trabalhava para um governo estadual. Isso provavelmente significaria que eles têm níveis de educação, experiência e segurança financeira bastante semelhantes, mas seus pagamentos não foram afetados pela paralisação.
Impacto a curto prazo nas despesas
Nosso estudo levou a dois achados primários.
Primeiro, descobrimos que a paralisação levou a um declínio imediato nos gastos médios das famílias de quase 10%. Surpreendentemente, apesar do fato de a maioria dos funcionários federais ter empregos estáveis ​​e fontes de renda, eles foram rápidos em cortar gastos em praticamente tudo, de restaurantes a roupas e eletrônicos, apenas alguns dias depois de seu pagamento ser atrasado.
Enquanto as famílias com menos dinheiro no banco reduziram seus gastos em quantias maiores, mesmo aquelas com recursos significativos e fácil acesso ao crédito reduziram seus gastos.
Em segundo lugar, os agregados familiares com um membro que foi dispensado e obrigado a ficar em casa do trabalho reduziram drasticamente os seus gastos - em 15 por cento a 20 por cento, ou quase o dobro da média dos afectados. Esse declínio maior refletiu o fato de que essas famílias repentinamente tinham muito mais tempo em suas mãos. Ao invés de sair para comer ou pagar por cuidados infantis, por exemplo, eles foram capazes de passar mais tempo cozinhando e assistindo seus próprios filhos.
Esse comportamento é o que tende a espalhar os efeitos econômicos de uma paralisação que afeta uma fatia da população a um grupo mais amplo de empresas e indivíduos atrás de Washington, DC E em regiões com números substanciais de funcionários federais, essas quedas nos gastos podem prejudicar bastante o setor. saúde da economia local a curto prazo.
Impacto a longo prazo?
O fato de uma paralisação ter ou não um impacto econômico de longo prazo depende se os funcionários recebem seus vencimentos vencidos após sua conclusão - e por quanto tempo a paralisação dura.
Em 2013, o governo reembolsou até mesmo a licença de trabalhadores, o que eles teriam ganho se a paralisação não tivesse ocorrido.
Esse pagamento, essencialmente aumentando o tamanho de seus primeiros contracheques pós-desligamento, teve efeitos significativos e imediatos nos gastos das famílias. Um aumento repentino nos gastos ocorreu nos dias após o pagamento dos salários, em grande parte apagando alguns dos declínios mais dramáticos nos gastos nas duas semanas anteriores.
O governo geralmente paga a todos os seus funcionários, “essenciais” ou não, o pagamento atrasado após outros desligamentos anteriores, como os da década de 1990 . Enquanto o Congresso é legalmente obrigado a pagar funcionários federais que trabalharam durante o desligamento, não há lei que exija o mesmo tratamento para trabalhadores não essenciais.
Além disso, quanto mais durar o desligamento, pior será seu impacto. As famílias podem esgotar as poupanças ou atingir os limites do cartão de crédito, pois o impasse se estende dia após dia, dando-lhes tempo adicional para ajustar seus gastos de maneiras que não poderiam fazer com apenas alguns dias de antecedência. Por exemplo, em 2013, as faturas de seguro de saúde ou mensalidades não foram afetadas. Se a paralisação persistisse, as famílias também poderiam ter começado a cortar aqui.
Portanto, se o Congresso se recusar a oferecer salários atrasados ​​aos trabalhadores e a paralisação durar semanas, em vez de dias, o impacto econômico pode ser severo.
No entanto, se um desligamento for resolvido em um período de tempo relativamente curto, com os trabalhadores sendo pagos de volta sua renda regular, o dano provavelmente seria contido de forma justa.
Esta é uma versão atualizada de um artigo originalmente publicado em 19 de janeiro de 2018.
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O prazer da fotografia

Cena urbana: Detalhe do Recife ao amanhecer (Foto: LS)

Poesia sempre


O Relógio
João Cabral de Melo Neto

Ao redor da vida do homem
há certas caixas de vidro,
dentro das quais, como em jaula,
se ouve palpitar um bicho.

Se são jaulas não é certo;
mais perto estão das gaiolas
ao menos, pelo tamanho
e quadradiço de forma.

Umas vezes, tais gaiolas
vão penduradas nos muros;
outras vezes, mais privadas,
vão num bolso, num dos pulsos.

Mas onde esteja: a gaiola
será de pássaro ou pássara:
é alada a palpitação,
a saltação que ela guarda;

e de pássaro cantor,
não pássaro de plumagem:
pois delas se emite um canto
de uma tal continuidade.

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Brasil dividido


Dois Natais e um país no meio

Tudo está parecido com o final de 1954, ano em que o Brasil também estava dividido e irreconciliável

Janio de Freitas, Folha de S. Paulo

O Natal dói. Não são todos a sentir essa dor. Depende do que a memória diz, e como diz. Das perdas e dos ganhos. Do tempo, talvez. É uma dor vadia. Uma dor sem lugar de doer. Está aqui, está aí, simplesmente.
O Natal que chega me trouxe mais do que essa sensação. Há dias, para mim tudo tem se parecido muito com o final do primeiro ano que vivi como jornalista profissional, excitado com as descobertas naquele 1954. O país agora dividido, dizem, desde a eleição presidencial de 2014, naquele ano era reconhecido como dividido e irreconciliável.
Quatro meses antes, Getúlio se matara, e os defensores de uma política de desenvolvimento industrial e exploração própria de petróleo, contra a política americana de retenção da América Latina, estavam apreensivos e desnorteados. Os conservadores ocupavam outra vez o poder, e as conquistas do governo de Getúlio ficavam ameaçadas. Não é difícil encontrar paralelos entre aquela e a atual fase.
O que mais aproxima os dois momentos, porém, a meu ver é o estado de ânimo dos opostos. Os abatidos na Lava Jato e destituídos do poder reproduzem hoje os sentimentos dos golpeados com Getúlio e retirados do poder. Situações políticas e anímicas equivalentes. Mas a direita de 54 não desfrutou do otimismo que a vitória, por si, podia lhes dar. A situação febril continuou. O ano entrante era esperado com inquietação pelos conservadores, tanto mais que seria ano de eleições e o seu recente controle do poder estaria sob risco.
A euforia dos apoiadores populares de Bolsonaro —da qual não está claro se feita mais de direitismo ou de mera reação aos políticos— não é correspondida no segmento de fato e de direito representativo do conservadorismo. Por mais que evitada a sua exposição, a insegurança sobre o próximo governo é o senso comum no empresariado e na classe média, de sua camada central para cima.
As muitas incógnitas do plano e do próprio Paulo Guedes, os já iniciados problemas de comércio exterior decorrentes de política externa, e a reforma tributária produzem um quadro de tensões que dá equanimidade aos conservadores de 54 e de hoje.
Os Natais se sucedem. O Brasil se repete.
A cada leitor, ameno ou raivoso, o desejo de que viva um Natal de levezas e sorrisos.
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Futuro incerto


Para Dieese, faltam oportunidades e igualdade aos jovens
Instituto observa que a maioria da população jovem do país está efetivamente procurando trabalho ou envolvida em tarefas domésticas. Solução passa por crescimento da economia e políticas públicas de emprego e educação.
Portal Vermelho

"O problema não são os jovens. Chamá-los de nem-nem traz a falsa sensação de que são eles os responsáveis por uma situação de inatividade que nem mesmo é real, já que a maioria não está parada: está procurando trabalho, dedicando-se a algum tipo de curso não regular ou cuidando dos afazeres domésticos", diz o Dieese, em análise sobre o mercado de trabalho para a juventude. A expressão refere-se àqueles que nem estudam e nem trabalham, mas o instituto faz ressalvas ao termo.

No terceiro trimestre, segundo o Dieese, com base em dados do IBGE, a estimativa é de que mais de 11 milhões de jovens entre 15 e 29 anos estavam sem trabalho ou fora da escola – 24% do total. Mas apenas 8% deles não procurava trabalho ou tinha alguma atividade em casa. "A ideia de que os jovens estão nessa situação (nem-nem) por falta de vontade de trabalhar ou de estudar não se aplica na maior parte dos casos. Há evidências de que, em geral, esta é uma condição transitória."

Nas entrevistas para a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, apenas 5% dos jovens disseram que realmente não queriam trabalhar, lembra o Dieese. E 41% tinham procurado trabalho ativamente. Das mulheres, 31% disseram que não podiam trabalhar porque tinham de cuidar de afazeres domésticos. "Ou seja, na verdade, elas estavam trabalhando, sem ser consideradas força de trabalho." E ainda 6% dos jovens sem trabalho ou fora da escola frequentavam algum curso.

"É preciso considerar que boa parte desse grupo populacional sem trabalho e fora da escola está em um período de transição entre essas duas etapas, de estudos e de trabalho – momento em que se deparam, ao entrar no mercado de trabalho, com elevada instabilidade", lembra o instituto. 

Quase um quarto (24%) dos jovens considerados "nem-nem" no segundo trimestre já não estavam nessa situação nos três meses seguintes, a maioria porque começou a trabalhar. E o Dieese acrescenta que, considerado um período maior, a porcentagem de jovens que fica sem trabalho e fora da escola por quatro trimestres seguidos cai pela metade, de 24% para 12%.

Na análise, o instituto aborda também a questão da origem social: os jovens de renda menor que terminaram o ensino médio estavam mais empenhados na busca de emprego. "Praticamente metade dos que estavam no 3º ano do ensino médio em 2017 participava do mercado de trabalho no primeiro trimestre de 2018. No entanto, enquanto 32% estavam trabalhando, 15% estavam sem trabalho, fora da escola, mas procurando ativamente algum trabalho. Já entre os jovens de lares mais ricos, os percentuais eram inferiores: 13% e 8%, respectivamente", compara. 

Além disso, os jovens que vêm de lares mais pobres têm menos oportunidade de continuar os estudos e se veem "empurrados" a entrar no mercado de trabalho. "Ou seja, as origens socioeconômicas determinam as chances de matrícula no ensino superior e de conquista de trabalho."

Para o instituto, aumentar a oferta de cursos profissionalizantes não é medida suficiente, já que o mercado não consegue absorver toda mão de obra qualificada. Também não funcionam medidas como as da "reforma" trabalhista, como contrato intermitente e jornada parcial. "Em vez de resolver o problema, esse tipo de contrato cria vagas de curta duração, o que pode jogar os jovens continuamente de volta para a condição de desemprego."

Uma situação que reflete falta de oportunidades e desigualdade, conclui o Dieese. "A solução, muito mais do que uma responsabilidade individual, está na retomada do crescimento da atividade econômica e na valorização de políticas públicas de emprego que promovam trabalhos formais e estáveis; e de educação, visando ao acesso e à permanência dos jovens na escola, levando em consideração a realidade dessa população." (
Fonte: RBA)

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