25 abril 2021

Inoperância chata

Pelo visto na Cúpula do Clima, solicitada por Biden e com a presença de 40 chefes de Estado, videoconferências podem ser chatas em qualquer situação, quando prolongada demais.

Arte é vida

 

Mauricio Arraes

Veja: A poética ousada e cativante de Joana Côrtes https://bit.ly/3xdnKW8

Moro e aceclas

A conspiração contra a lisura da eleição presidencial não foi de uma figura só

Aos procuradores da Lava Jato e aos juízes nada sucedeu por sua atitude, respectivamente, preparatória e consolidadora do ato de Moro

Janio de Freitas, Folha de S. Paulo

 

Nem concluída ainda a votação, o Supremo Tribunal Federal já confirma a parcialidade de Sergio Moro contra o ex-presidente Lula da Silva, e nisso traz dois sentidos subjacentes. Se por um lado recompõe alguma parte da questionada respeitabilidade judiciária, por outro acentua a omissão protetora aos parceiros na deformação, pelo então juiz e a Lava Jato, do processo de eleição para a Presidência.

Muitas vezes identificado com Moro, o ministro Edson Fachin foi, no entanto, o proponente da aprovada anulação das sentenças contra Lula, invocando, entre outras, uma razão obscurecida no noticiário: constatou que o inquérito não encontrou prova alguma que ligasse o caso do apartamento em Guarujá a qualquer ato de corrupção na Petrobras, mas os procuradores fizeram tal acusação a Lula e Moro o condenou por isso. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região, do Sul, manteve e até aumentou a condenação, seguindo o conturbado relatório do juiz João Gebran.

Aos procuradores da Lava Jato e aos juízes nada sucedeu por sua atitude, respectivamente, preparatória e consolidadora do ato de Moro. Foi, porém, para fortalecer o truque da falsa conexão Lula-corrupção na Petrobras, que Deltan Dallagnol criou o espetáculo paranoico, na TV, em que situou Lula no centro de um círculo de atos/pessoas, às quais seu nome se ligava. Eram os apontados como criminosos da Petrobras e, no centro, aquele a quem designou como "chefe da quadrilha".

O objeto da condenação —o apê em retribuição a negócio escuso na Petrobras— integrava o colar dos atos criminosos alegados. Mas o Supremo confirma a falsidade da inclusão. Essa constatação que expõe Moro dá oportunidade a outra figura raiada, em que ele e Dallagnol ocupem o centro, com raios projetados até os procuradores. O TRF-4 tem a mesma oportunidade gráfica, com o juiz Gebran ao centro.

O juiz, os procuradores, os juízes eram todos um propósito só. Abençoados ora por covardia, ora por semelhança de fins, no concílio do Supremo e pelo procurador-geral da República à época, Rodrigo Janot.

Ao menos no plano interno, que do externo o francês Le Monde já cuida sobre conexões de Moro nos Estados Unidos, a conspiração contra a lisura da eleição presidencial não foi de uma figura só.

Outros têm contra a Constituição, as leis e a lisura eleitoral, responsabilidades equivalentes ou assemelhadas à de Sergio Moro. Os Conselhos Nacionais da Justiça e do Ministério Público, por sua omissão, ostensiva e elitista, entram nesse rol.

Um dinheiro aí

Bolsonaro se castigando para ler um escrito de autor letrado é cena de humorismo. Empedrado, com medo de cada palavra, olhar de faminto, para mentir no varejo e a granel, desdizer-se, negar-se. É o espetáculo da vergonha sem vergonha. Contudo, rica em motivos.

A recusa estúpida das altas contribuições da Noruega e da Alemanha ao Fundo Amazônia, já nos primórdios do atual governo, pouco depois mostrou servir para afastamento de protestos contra um plano de ação. O pedido de dinheiro, agora, é o complemento do plano.

assecla Ricardo Salles providenciou o desmonte de todo o sistema defensor da Amazônia. Serviço pronto, ou quase. O dinheiro pedido proporcionaria as empreitadas para explorar a Amazônia desguarnecida. Com a facilidade adicional prevista em projeto já na Câmara para liberação dos territórios indígenas à retirada de madeira, criação de pastos e mineração.

Até aqui, nem o desmonte de ser rentável. Quem achar que a proteção a garimpeiros ilegais e desmatadores contrabandistas —como a preservação de seus equipamento determinada por Bolsonaro e a suspensão de multas por Salles— são medidas sem compensações, ainda não chegou ao governo Bolsonaro.

Os ritos

Comandos militares não cessam de repetir que as Forças Armadas são protetoras da Constituição, das liberdades democráticas, dos interesses nacionais, e por aí afora. Diz agora o novo ministro da Defesa, general Braga Netto: "É preciso respeitar o rito democrático". A frase pode ter muitos significados e nenhum. Nos dois casos, é exemplar das formas nebulosas que são, sim, um modo de fazer política.

general Villas Bôas, então comandante do Exército, "respeitou o rito democrático"? Os generais coniventes com as investidas de Bolsonaro contra o Supremo e o Congresso estão "respeitando o rito democrático"? Perguntas e exemplos assim podem ser centenas.

O impeachment, as CPIs e processos criminais têm todos os seus ritos democráticos. As Forças Armadas comandadas pelo general Braga Netto devem, pois, respeitá-los, deixando-os a cargo das respectivas instituições —que não incluem quartéis.

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Um governante sob fogo cruzado https://bit.ly/3xacpGr

Unidade e idependência

A busca pela unidade das forças democráticas há de ser um esforço incansável; sem prejuizo, contudo, de que cada corrente política afirme a sua própria identidade e acumule força.

24 abril 2021

Impasses

Preços elevados de matérias-primas e fragfmentação das linhas de supeimento levam indústria brasileira a um beco de poucas saídas. Ou nenhuma.

Palavra de poeta

Araguaia

Agamenon Travassos Sarinho

 

Silenciosamente

esgueira-se na densa mata.

Pára, posta-se, espera.

Calam os pios, todos os ruídos,

o inimigo algoz avança.

Por entre as folhas

desponta o cano da carabina:

de repente o estampido, o grito, o baque.

Misturam-se  o cheiro da pólvora,

a fumaça e o sangue.

A turba debanda,

silêncio na mata.

Araguaia, Araguaia!

Concentras

a força de tuas águas,

a beleza de tuas matas,

a brutalidade do poder,

a morte, tortura, o medo,

a valentia de teus ribeirinhos,

a generosidade militante

de teus bravos filhos adotivos.

Araguaia, Araguaia!

És Brasil,

és poesia,

és exemplo

és luta!

Araguaia, Araguaia!

Nestes tempos,de novo, sombrios

vem nos inspirar!

Araguaia, Araguaia!

Panteão da liberdade!

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A poética ousada e cativante de Joana Côrtes https://bit.ly/3xdnKW8

Orçamento anêmico

Desenvolvimento Regional e Educação têm maiores cortes no Orçamento. Levantamento foi divulgado pela IFI, órgão consultivo do Senado. Cortes no Meio Ambiente geram críticas um dia depois de mentiras de Bolsonaro na Conferência do Clima. Leia aqui https://bit.ly/32Ijikr