Centenário de Fidel Castro irradia “poderosa força de energia e esperança”
Lutas anti-imperialistas e pelo socialismo que marcaram a trajetória do líder cubano, reverberam nas jornadas revolucionárias do Século XXI
Editorial do 'Vermelho'
A celebração do centenário de Fidel Castro Ruz, líder revolucionário cubano, em 13 de agosto de 2026, é um acontecimento histórico dos mais relevantes. Sua trajetória marcou um período de intensas lutas anti-imperialistas, democráticas e socialistas. Esse significado ficou demonstrado pela abrangência do Primeiro Colóquio Internacional Fidel: Legado e Futuro, realizado no Teatro Karl, em Havana, que reuniu lideranças revolucionárias de todo o mundo. Sua memória e legado foram reverenciados em atividades em diferentes regiões do planeta.
Como disse o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, em uma reunião da direção do Partido Comunista, “não se trata de recordar Fidel, mas de trazê-lo para este momento, de nos imbuirmos de sua doutrina revolucionária para enfrentarmos os desafios colossais destes tempos”.
No colóquio, ele disse que Fidel não é apenas de Cuba, mas de todos os revolucionários que admiram e compartilham seu ideal. “Ele pertence a toda a humanidade”, afirmou, ressaltando a luta histórica contra o bloqueio criminoso imposto pelos Estados Unidos. Díaz-Canel enfatizou que Cuba empreendeu um profundo processo de transformações econômicas e sociais, cujo objetivo fundamental é o bem-estar do povo e a justiça social.
De fato, a elaboração teórica e a práxis revolucionária de Fidel Castro transformaram Cuba em referência para a luta dos povos por independência, desenvolvimento soberano e pela transição do capitalismo ao socialismo na América Latina e no Caribe, na Ásia e na África. Daí a verdadeira obsessão do imperialismo estadunidense, no passado e no presente, para estrangular a ilha rebelde e revolucionária do Caribe, que tanto representa e simboliza.
Fidel foi internacionalista. Um exemplo foi a heroica vitória das forças patrióticas e revolucionárias de Angola sobre o colonialismo, o imperialismo e o regime racista da África do Sul, para a qual foi decisivo o apoio de tropas cubanas, feito celebrizado pelo relato jornalístico de Gabriel García Márquez em 1977, intitulado Operação Carlota.
As missões humanitárias cubanas se estenderam pelo globo, tecendo uma rede humanitária. Desde o seu lançamento, em 1963, na Argélia, mais de 132 mil médicos e médicas cubanas, além de outros profissionais da saúde, atuaram voluntariamente em 102 países. Como assinalou o PCdoB quando da morte do líder cubano, em nota do Comitê Central (CC), em 2016, intitulada Pensamento de Fidel Castro é poderosa fonte de energia e esperança, “no total, os médicos cubanos atenderam aproximadamente a 100 milhões de pessoas no mundo e salvaram um milhão de vidas.”
A referida nota do CC do PCdoB também ressaltou o valor da elaboração teórica do líder cubano: “Fidel assimilou a fundo também o pensamento de José Martí, o líder da luta pela independência de Cuba. Fundiu na sua obra e ação política o pensamento marxista-leninista e o martiano, e armado com esses pressupostos ideológicos unificou organizações revolucionárias no Partido Comunista de Cuba e educou com sua prédica a jovem geração.”
O papel de Fidel Castro foi marcante também na virada à esquerda na América Latina, iniciada em fins da década de 1990, quando a integração da região tomou impulso com iniciativas como a criação da Aliança Bolivariana para os povos da nossa América (Alba) e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Foi um defensor ativo da paz, inclusive em memoráveis discursos na Assembleia Geral das Nações Unidas. Em 2014, a Celac, sob a presidência de Cuba aprovou a Proclamação da América Latina e Caribe como zona de Paz.
Nesse período ele denunciou também as políticas neoliberais com contundência. Na Conferência Internacional sobre o Financiamento para o Desenvolvimento promovida pela ONU em Monterrey, México, em março de 2002, disse que “a atual ordem econômica mundial se constitui num sistema de saque e exploração como jamais existiu na história”. “Por cada dólar empregado no comércio mundial, mais de cem vão para operações especulativas que nada tem a ver com a economia real. Essa ordem tem conduzido ao subdesenvolvimento de 75% da população mundial. Chegamos ao extremo de as três pessoas mais ricas do mundo possuírem ativos equivalentes ao PIB combinado dos 48 países mais pobres”, afirmou.
O centenário de Fidel Castro ocorre em um momento que exige elevar a solidariedade a Cuba. Recentemente o presidente Díaz-Canel anunciou um pacote de reformas econômicas para proteger o sistema socialista diante da grave crise econômica do país e ameaças de agressão militar pelos Estados Unidos, a política de “pressão máxima” deflagrada pelo governo de Donald Trump após o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro.
O secretário da Defesa estadunidense, Pete Hegseth, reafirmou que não descarta a intervenção militar em Cuba, vociferando que Havana “faria bem em prestar atenção” à vontade de Trump de “fazer valer as suas prerrogativas estratégicas”. As declarações ocorreram no Panamá, onde ele acompanhou exercícios militares hipocritamente definidas como ações para combater cartéis “onde quer que atuem os grupos de narcotráfico”.
A aliança imperialista faz parte da chamada “Coalizão Anticartéis das Américas”, que reúne 19 países, entre eles Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Honduras e Peru. O secretário de Trump declarou também que “ninguém se pode comparar aos Estados Unidos” e atacou a “influência estrangeira” (uma referência à China e à Rússia) no Hemisfério, na linha do resgate da Doutrina Monroe para o domínio absoluto de Washington sobre a região.
Em um vídeo divulgado recentemente, uma peça oficial narrada pelo embaixador estadunidense no Panamá, Kevin Marino Cabrera, os Estados Unidos disseram que o seu domínio nas Américas “nunca mais será questionado”, a ideia da Estratégia de Segurança Nacional que expressa, sem ambiguidades, as pretensões de Trump, o expansionismo e o intervencionismo dos Estados Unidos, um punhal historicamente cravado nas costas dos povos da região. Mas, contra o qual, ontem como hoje, sempre se levantou a resistência patriótica e popular impondo derrotas à violência e à arrogância da Casa Branca.
Fidel Castro se destacou também na luta de ideias, erguendo a bandeira do socialismo. Em Cuba, defendeu o ideal socialista da Revolução, proclamado em 1961, como condição para avanço e garantia do bem-estar social. Certa vez afirmou: “As ideias podem mais do que as armas, por mais sofisticadas que sejam.”
Uma delegação do PCdoB, sob a coordenação de Ana Prestes, secretária de Relações Internacionais, esteve presente no colóquio em Havana. A legenda, em sua contribuição às reflexões do evento, rendeu homenagens “ao partido e ao governo de Cuba, liderados pelo presidente Miguel Diáz Canel, que com coragem, dignidade e criatividade conduz a resistência nestes tempos sombrios, mostrando que o pensamento de Fidel segue vivo.”
E afirmou que, neste momento, homenagear Fidel é ampliar e fortalecer a solidariedade política e material a Cuba. E que no Brasil é imperativo derrotar o neofascismo capataz do imperialismo, posto que “não há solidariedade eficaz a Cuba sem soberania nacional.”
Hegemonia imperialista em crise https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/decadencia-imperialista.html

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