01 janeiro 2025

Violência contemporânea

As raízes estruturais da violência
Nilma Lino Gomes/Blog da Boitempo 

Neste livro, Patricia Hill Collins explora as causas e os contornos da disseminação da violência nas sociedades contemporâneas.

A autora compreende a violência como uma preocupação tanto em pequenas comunidades quanto no âmbito da geopolítica global. No entanto, não se limita a constatar sua presença; ao contrário, a análise problematiza dimensões interseccionais e multifacetadas da violência. Collins examina um conjunto diversificado de casos retirados da cultura popular, nos quais é possível perceber a relação entre violência e poder. Situações que podem ser encontradas em relatos jornalísticos, obras de ficção, não ficção, memórias e materiais similares da produção cultural contemporânea e outros documentos amplamente acessíveis ao grande público.

Ao longo da obra, a autora analisa as diferentes práticas de insurgência de sujeitas e sujeitos pertencentes aos coletivos sociais diversos historicamente tratados como desiguais para resistir à violência interseccional.

São mulheres, pessoas de cor, pessoas LGBTQIA+, imigrantes, pessoas em situação de pobreza, com deficiência, gente que enfrenta cotidianamente as intersecções letais da violência.

Provocativo e desafiador, este livro é fundamental para aquelas e aqueles que buscam compreender as raízes estruturais da violência, a qual Collins se recusa a aceitar como inevitável, convidando-nos a resistir a esse perverso fenômeno. Intersecções letais é uma leitura imprescindível para as pessoas engajadas na luta por justiça social e que buscam aprofundar suas reflexões sobre as conexões entre violência, relações de poder e desigualdades. 

Leia: A ONU à margem da realidade https://lucianosiqueira.blogspot.com/2024/12/minha-opiniao_98.html 

Humor de resistência: Miguel Paiva

 

Miguel Paiva

Leia: 'A República no campo de batalha' https://lucianosiqueira.blogspot.com/2024/12/minha-opiniao_72.html 

Salário mínimo aumenta

Lula aumenta salário mínimo acima da inflação e com alta do PIB: R$ 1.518
Presidente Lula aumentou o salário mínimo do país para R$ 1.518, um aumento de 7,5%, em decreto assinado neste 31 de dezembro.
Patrícia Faermann/Jornal GGN  

O presidente Lula aumentou o salário mínimo do país para R$ 1.518, em decreto assinado neste 31 de dezembro e o novo valor passa a valer a partir deste 1º de janeiro.

Trata-se de R$ 106 a mais do que o salário mínimo atual e é o primeiro aumento real da remuneração dos brasileiros nos últimos 4 anos. Entre 2019 e 2022, o piso teve reajuste somente de acordo com a inflação. O aumento assinado pelo presidente em decreto hoje é de 7,5%.

“O presidente Lula destacou hoje, durante a assinatura do decreto, que em seu governo o salário-mínimo terá reajuste acima da inflação em todos os anos, ou seja, ganho real”, anunciou o ministro do Trabalho, Luiz Marinho.

O novo salário mínimo teve o aumento de 4,84% da inflação, calculada no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) dos últimos 12 meses até novembro e um adicional de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo Marinho, é “um compromisso com o processo de distribuição de renda, que é o papel do salário mínimo”.

Segundo Marinho, é “um compromisso com o processo de distribuição de renda, que é o papel do salário mínimo”.

Leia: Luis Nassif, "Xadrez de 2025 e as cinco bestas do apocalipse" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2024/12/instituicoes-esgarcadas.html 

Palavra de poeta: Maurílio Rodrigues

VALORES
Maurílio Rodrigues* 

Não cuides
Do relógio na parede.
Não cuides
Dos minutos, e horas.
Cuides do teu coração,
Que implora 
Por um  momento de paixão.
 
São longos os instantes,
Quando o amor
Não acontece.
Não cuides das estações,
Nem dos anos.
Cuides das emoções,
Basta de desenganos.
 
Cuides da esperança,
Do amor novo, do prazer.
Da vida curta pra se viver,
E do sonho, que não se alcança.

[Ilustração: Joan Miró]

*Médico cardiologista, poeta
 
Leia sobre o realismo fantástico https://lucianosiqueira.blogspot.com/2024/05/realismo-fantastico.html  

Arte é vida: Júlio Pomar

 

Júlio Pomar

Leia sobre o futebol brasileiro hoje https://lucianosiqueira.blogspot.com/2022/12/futebol-quem-somos-hoje.html 

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No primeiro dia do ano, previsões sobre todos os temas e a todos os gostos. Gente, melhor parar de "chutar" e examinar a realidade concreta de modo multilateral e consistente. 

Leia: Indispensáveis relações com o povo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2024/12/minha-opiniao_42.html 

Enio Lins opina

Feliz Ano Novo! Feliz 2025! Mas, cuidado... 2023 ainda não acabou
Enio Lins  

2024 JÁ ERA. Que seja 2025 ano novo de verdade, tinindo. O ano encerrado hoje, em linhas gerais, viveu seus 365 dias como um ser parasitado pelo ano anterior. Parafraseando o grande Zuenir Ventura sobre 1968, 2023 foi um ano que não acabou. O golpe bolsonarista tentado, e derrotado no mesmo dia, ainda é o centro dos cuidados – com razão, pois gato democrático escaldado teme água fria ditatorial. Afinal, ainda estamos aqui. Com “os amores na mente, as flores no chão/ A certeza na frente, a história na mão/ Caminhando e cantando e seguindo a canção/ Aprendendo e ensinando uma nova lição”.

MAS EXISTIRAM MUDANÇAS importantes neste ano findo, inovações vão se afirmando. Vamos ver a partir de amanhã como a coisa andará no porvir. O golpe tentado e derrotado em 8 de janeiro de 2023, embora tenha ensombrado e assombrado todo 2024, deixa no relato sobre o ano encerrado avanços essenciais e uma lição histórica sem precedentes: a Justiça tendo coragem para chamar à responsabilidade oficiais graduados das forças armadas. Nunca dantes na história deste país aconteceu algo semelhante. Repetindo o escrito aqui há duas semanas – na terça-feira, 17 –, o marechal Hermes e o General Lott foram em cana, em 1922 e 1961, respectivamente, mas por motivos fúteis e decisões estranhas à Justiça, sem envolvimento em quaisquer processos. Braga Netto levou suas quatro estrelas para as grades por tentar obstaculiza r investigações policiais onde figura como suspeito de organizar um golpe de Estado. Que 2025 siga adiante nessa toada, confirmando uma transformação profunda, civilizatória, na História do Brasil: militares de alta patente respondendo por delitos cometidos.

E A ECONOMIA, hein, gente? Apesar do crescimento do PIB brasileiro ter subido acima das previsões do mercado e do Brasil ter voltado a figurar na lista das dez maiores economias do mundo, 2024 seguiu azedando a Faria Lima e esse sentimento acre tende a se estender a partir de amanhã (o que pode ser um doce sinal para quem defenda um crescimento econômico com compartilhamento social). Move este ano novinho a nova expectativa de o Banco Central, finalmente, operar com alguma independência em relação ao rentismo radical dos donos do mercado. Tarefa difícil, mas possível, desde que não se acalente ilusões, afinal o sistema financeiro é o sistema financeiro – manipulável apenas por quem tenha montanhas de dinheiro. A batalha do Galípolo, no comando do BC, em 2025, ao contrário do imaginado pela vã filosofia, não será nada fácil; e todo cui dado será pouco para não ter seus resultados transformados nos resultados da Batalha de Galípoli para os britânicos e seus aliados, em 1915. Malgrado o desagrado causado ao mercado, 2024 finda seus dias com a menor taxa de desemprego da história. Aplaudo e tomarei uma dose por isso, confesso. Mas fico de olho no déficit das estatais e no preço do dólar...

NO QUESITO “governabilidade”, um fantasma – a deformação das vultuosas, escandalosas, emendas secretas – teima em seguir assustando 2025, embora o Supremo Tribunal Federal vire o ano virado numa serpente justiceira, constritora, cercando e apertando essa prática delituosa. Não é questão menor, nem efêmera, essa situação. Como escreveu José Serra, em artigo no Estadão, “a situação criada com o orçamento secreto e as emendas pix implica a destruição de toda a construção institucional que a Constituição de 1988 fundou”. No próximo ano, visitaremos novamente esse texto, agora apenas citado de passagem, do ex-ministro da Saúde, ex-senador e ex-governador de São Paulo. Mas, por enquanto, fica o registro positivo de que, em 2024, foi acesa a primei ra luz no túnel dessa anomalia orçamentária que espelha e fundamenta a deformação política do “semipresidencialismo”.

RESUMINDO: mesmo sendo uma extensão de 2023, valeu sim, 2024! Você abriu novas portas, iluminou caminhos inovadores, que oxalá sejam seguidos em 2025 e além. Feliz Ano Novo – especialmente para quem luta pela Democracia e por justiça social.  

Leia: "Quando dezembro passar" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2024/12/minha-opiniao_29.html