Frágil como um vidro, como um beijo de novela
Flávio, o Breve, queima a largada e condena candidatura à eliminação
precoce
João Cezar de Castro
Rocha/Liberta
Casa de vidro?
A
campanha de Flávio Bolsonaro é tão autêntica quanto a dianteira inicial de um
legítimo cavalo paraguaio. Passos ligeiros no princípio, fôlego curto a médio
prazo, vergonha própria no final da carreira. Mas Flávio, o Breve, decidiu
queimar a largada e sua candidatura deixará de ser realidade sem nunca ter sido
efetivamente uma promessa. No máximo um suspiro, que Daniel Vorcaro, dinheiro
na mão é vendaval, condenou à eliminação precoce.
(Ou
não?)
Resgatemos
a cronologia do naufrágio, antes que o tsunami do ecossistema de desinformação
bolsonarista já não nos permita compreender coisa alguma.
No
dia 13 de maio, pela manhã, um jornalista do Intercept Brasil colhe Flávio, o Breve, de baixa guarda
e pergunta, como se desse bom dia: “Senador, por que o filme do seu pai foi
bancado pelo Vorcaro?”. A linguagem corporal de Flávio, o Brevíssimo, tudo
revela; desconcertado, reage no piloto automático: “É mentira”. Ao mesmo tempo,
um instinto miliciano de sobrevivência sugere a pergunta-chave: “De onde você
tirou isso?”. O repórter solta um petardo: há uma apuração em curso e mensagens
do senador confirmam a tenebrosa transação.
(Seus
filhos erravam cegos pelo continente.)
Ao
contrário do que assegura o aforismo do filósofo Tiririca, no caso de Flávio, o
Brevíssimo, o que já está pior, pode sempre piorar. Seis horas depois da
negativa vacilante do senador, a reportagem do Intercept Brasil divulgou o
áudio do diálogo fraterno e solidário entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
Aqui, a rima é a trilha sonora da linda amizade que irmana o miliciano da
política e o miliciano das finanças.
(Malandro
é malandro, mané é mané.)
Fica muito pior
Pego
com a boca ávida na botija e mão gulosa no bolso de Vorcaro, Flávio mudou de
estratégia, mas somente se abismou ainda mais em seu Titanic eleitoral. Sim,
admito, disse o Brevíssimo, solicitei recursos, privados, para um filme,
igualmente privado. R$ 134 milhões no total,
mas “só” recebi R$ 61 milhões. A militância se acalmou; na verdade, passou para
a ofensiva. Viram, não foi nada demais! É assim que se faz em todo o mundo.
Mas
a calmaria não durou nem mesmo as míticas 72 horas. Tentando ajudar, a
produtora da película emitiu uma nota jurando que nem um centavo sequer de
Vorcaro foi investido no filme. O dinheiro se perdeu no meio do caminho? R$ 61
milhões não foram pagos para Flávio Bolsonaro?
O
dilema se agravou: onde está a fortuna que Vorcaro de fato doou? Nova frente de
investigação da Polícia Federal: o dinheiro foi transferido para um
fundo no Texas. Mas os recursos não se destinavam ao filme?
Terão sido usados como uma rachadinha master?
Indiferente
à arte, a campanha de Flávio, o Brevíssimo, pode ser ironicamente definida por
meio de versos perfeitos de Belchior: “frágil como um vidro, como um beijo de
novela”.
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