11 outubro 2026

Editorial do 'Vermelho'

Segundo turno: o país atravessa dias que valem por anos
A partir de agora, cada hora é preciosa. Pôr em ação um vigoroso mutirão digital e presencial para conquistar votos, eleger Lula e salvar o Brasil da tragédia bolsonarista
Editorial do 'Vermelho'   

A partir desta sexta-feira, 9, o segundo turno das eleições presidenciais adentra-se aos intensos e cruciais dezesseis dias finais, quando, cada hora, cada lance, cada movimento, são decisivos. A campanha do presidente Lula fez com agilidade ajustes e mudanças para responder às múltiplas exigências do desafio de ganhar de virada o segundo turno.

Rapidamente, o impacto do resultado do primeiro turno foi absorvido, a torrente comunicacional da extrema-direita de um falso “já ganhou” foi repelida pelos fatos e pela poderosa força da base social e eleitoral do presidente Lula. O eixo político foi ajustado e as bases da campanha voltaram a se movimentar.

A possibilidade de vitória é o principal impulsionador dessa largada da campanha no segundo turno. A ordem é ter iniciativa. Conversar com o povo, despertar, alertar, pedir votos. As primeiras pesquisas eleitorais embora indiquem Flávio Bolsonaro à frente, apontaram que há um embate técnico.

A juventude estudantil, com a União Nacional dos Estudantes (UNE) na liderança, ocupou ruas e praças de dezenas de cidades do país, rechaçando o candidato da extrema-direita. No próximo domingo, 11, haverá uma nova carga de mobilizações. Elas conquistam votos dos jovens, mas transcendem.

Historicamente, a juventude tem sido a centelha que desperta outros setores do povo e dos trabalhadores. A vitória depende dessa convergência, da capacidade de unir forças mobilizando o povo e os trabalhadores. Que novas iniciativas floresçam nessa direção.

A campanha do presidente Lula, nas redes sociais, revigora-se visivelmente. Dezenas de milhares de ativistas digitais se engajam em vários coletivos liderados por influenciadores/as. Foram criadas plataformas que oferecem farta e criativa “munição” à verdadeira guerra digital em curso.

A esse primeiro trunfo se soma a reformulação da comunicação, com mudança de mensagem, linguagem e de formato. O próprio presidente Lula passou a gravar vídeos em estilo selfie, convocando a militância para as ruas e, ao mesmo tempo, ampliando a mobilização nas redes.

A pauta do povo tende a ser eixo propulsor da campanha pela virada e pela vitória de Lula. É decisiva para ganhar e virar votos. Os direitos, as necessidades e os sonhos do povo elucidam o que está em jogo. Tocam no cerne das questões de interesse concreto da população, apontando o impacto destrutivo que a vitória da extrema direita produziria na vida das pessoas, eliminando direitos duramente conquistados.

Em contraposição, dá visibilidade, de forma direta, à verdade de que somente um novo governo do presidente Lula poderá assegurar um futuro de prosperidade ao povo, não somente preservando, mas criando uma geração de direitos para elevar a qualidade de vida da população.

Essa pauta não é tratada de forma abstrata ou doutrinária, mas sim pelo fluxo dos acontecimentos. Na próxima semana deverá ser votada a proposta sobre redução de jornada de trabalho e o fim da escala 6×1. Lula encurrala e confronta Flávio Bolsonaro, jogando luzes sobre a nova sabotagem da extrema direita para tentar impedir que os/as trabalhadores/as tenham direito a dois dias de descanso, sem diminuir o salário.

Outro fato é o chamado “tesouraço” de Flávio Bolsonaro, garganteado por ele publicamente e pactuado por seus assessores com banqueiros e especuladores da Faria Lima. A equipe do candidato da extrema direita trabalha com uma tesourada equivalente a cerca de 2% do PIB, aproximadamente R$ 250 bilhões, recursos que atendem aos interesses do sistema financeiro, os rentistas detentores de títulos da dívida pública. “Vão tirar do povo e trabalhador”, sintetizou Lula.

A conta recairia sobre aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), especialmente os que recebem o salário mínimo, além de beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC), trabalhadores e famílias que dependem da renda previdenciária. O efeito também alcançaria usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), atingindo consultas, exames, cirurgias, internações, vacinação, fornecimento de medicamentos, atendimento da atenção básica, saúde da família e tratamentos de alta complexidade, inclusive câncer.

Na educação, seriam atingidos estudantes beneficiários do Pé-de-Meia, alunos da rede pública dependentes de merenda escolar, transporte, bolsas e infraestrutura, além das universidades e institutos federais.

Sobre a grande necessidade e aspiração da população de ter direito à paz e à segurança, Lula foi direto. Flávio não vota e não quer apoiar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública por uma questão grave: “Porque ele faz parte desse crime organizado.”

A pauta do país também é relevante para a campanha de Lula. A defesa da democracia, da soberania nacional e das riquezas do país está no centro do enfrentamento com Flávio Bolsonaro, uma candidatura abertamente entreguista, submissa aos interesses do imperialismo estadunidense.

Além do “tesouraço” e da traição à pátria, Flávio Bolsonaro assumiu que mutilará a democracia ao dizer que pretende aproveitar a maioria de direita no Congresso para “mudar a Constituição e redemocratizar esse país”. No dia seguinte, tergiversou e, como sempre, mentiu. A declaração não passa de reiteração do que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, sempre anunciou como meta da extrema direita.

Mas não é só. Proclamou em alto e bom som um golpe contra a soberania do voto popular ao dizer que pretende, caso vença, aumentar o seu próprio mandato para cinco anos. Golpe que certamente aumentaria também os mandatos de parlamentares e governadores, à revelia do povo. Isto está sendo naturalizado pela mídia, mas é golpe.

Ou seja: ele se desmascara a cada fala quando é instado a se pronunciar sobre suas reais intenções. A pressão das pautas do povo e do país força a sua candidatura a sair das ambiguidades e apresentar ao eleitor não apenas o que promete fazer, mas também a quem pretende se associar e quais interesses defenderá.

Outro eixo da campanha é a necessidade de impulsionar um movimento de frente ampla que incorpore à batalha os segmentos que têm ressalvas e críticas ao governo e ao candidato Lula, mas que julgam ser imperativo livrar o país da regressão em toda linha que seria um governo da extrema-direita.

É hora de transformar disposição em organização, indignação em presença e conversa em voto. A campanha começa agora, em cada tela e onde houver alguém a ser alcançado, uma dúvida a ser enfrentada, uma consciência a ser despertada. É dessa corrente humana, multiplicada de pessoa em pessoa, que nascerá a virada e a vitória do presidente Lula.

Divisor de águas e um passo adiante https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/fim-da-escala-6x1.html

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