Segundo turno: o país atravessa dias que valem por anos
A partir de agora, cada hora é preciosa. Pôr em ação um vigoroso mutirão
digital e presencial para conquistar votos, eleger Lula e salvar o Brasil da
tragédia bolsonarista
Editorial do 'Vermelho'
A partir
desta sexta-feira, 9, o segundo turno das eleições presidenciais adentra-se aos
intensos e cruciais dezesseis dias finais, quando, cada hora, cada lance, cada
movimento, são decisivos. A campanha do presidente Lula fez com agilidade
ajustes e mudanças para responder às múltiplas exigências do desafio de ganhar
de virada o segundo turno.
Rapidamente,
o impacto do resultado do primeiro turno foi absorvido, a torrente
comunicacional da extrema-direita de um falso “já ganhou” foi repelida pelos
fatos e pela poderosa força da base social e eleitoral do presidente Lula. O
eixo político foi ajustado e as bases da campanha voltaram a se movimentar.
A
possibilidade de vitória é o principal impulsionador dessa largada da campanha
no segundo turno. A ordem é ter iniciativa. Conversar com o povo, despertar,
alertar, pedir votos. As primeiras pesquisas eleitorais embora indiquem Flávio
Bolsonaro à frente, apontaram que há um embate técnico.
A
juventude estudantil, com a União Nacional dos Estudantes (UNE) na liderança,
ocupou ruas e praças de dezenas de cidades do país, rechaçando o candidato da
extrema-direita. No próximo domingo, 11, haverá uma nova carga de mobilizações.
Elas conquistam votos dos jovens, mas transcendem.
Historicamente,
a juventude tem sido a centelha que desperta outros setores do povo e dos
trabalhadores. A vitória depende dessa convergência, da capacidade de unir
forças mobilizando o povo e os trabalhadores. Que novas iniciativas floresçam
nessa direção.
A
campanha do presidente Lula, nas redes sociais, revigora-se visivelmente.
Dezenas de milhares de ativistas digitais se engajam em vários coletivos
liderados por influenciadores/as. Foram criadas plataformas que oferecem farta
e criativa “munição” à verdadeira guerra digital em curso.
A esse
primeiro trunfo se soma a reformulação da comunicação, com mudança de mensagem,
linguagem e de formato. O próprio presidente Lula passou a gravar vídeos em
estilo selfie, convocando a militância para as ruas e, ao mesmo tempo,
ampliando a mobilização nas redes.
A pauta
do povo tende a ser eixo propulsor da campanha pela virada e pela vitória de
Lula. É decisiva para ganhar e virar votos. Os direitos, as necessidades e os
sonhos do povo elucidam o que está em jogo. Tocam no cerne das questões de
interesse concreto da população, apontando o impacto destrutivo que a vitória
da extrema direita produziria na vida das pessoas, eliminando direitos
duramente conquistados.
Em
contraposição, dá visibilidade, de forma direta, à verdade de que somente um
novo governo do presidente Lula poderá assegurar um futuro de prosperidade ao
povo, não somente preservando, mas criando uma geração de direitos para elevar
a qualidade de vida da população.
Essa
pauta não é tratada de forma abstrata ou doutrinária, mas sim pelo fluxo dos
acontecimentos. Na próxima semana deverá ser votada a proposta sobre redução de
jornada de trabalho e o fim da escala 6×1. Lula encurrala e confronta Flávio
Bolsonaro, jogando luzes sobre a nova sabotagem da extrema direita para tentar
impedir que os/as trabalhadores/as tenham direito a dois dias de descanso, sem
diminuir o salário.
Outro
fato é o chamado “tesouraço” de Flávio Bolsonaro, garganteado por ele
publicamente e pactuado por seus assessores com banqueiros e especuladores da
Faria Lima. A equipe do candidato da extrema direita trabalha com uma tesourada
equivalente a cerca de 2% do PIB, aproximadamente R$ 250 bilhões, recursos que
atendem aos interesses do sistema financeiro, os rentistas detentores de títulos
da dívida pública. “Vão tirar do povo e trabalhador”, sintetizou Lula.
A conta
recairia sobre aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro
Social (INSS), especialmente os que recebem o salário mínimo, além de
beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC), trabalhadores e
famílias que dependem da renda previdenciária. O efeito também alcançaria
usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), atingindo consultas, exames,
cirurgias, internações, vacinação, fornecimento de medicamentos, atendimento da
atenção básica, saúde da família e tratamentos de alta complexidade, inclusive
câncer.
Na
educação, seriam atingidos estudantes beneficiários do Pé-de-Meia, alunos da
rede pública dependentes de merenda escolar, transporte, bolsas e infraestrutura,
além das universidades e institutos federais.
Sobre a
grande necessidade e aspiração da população de ter direito à paz e à segurança,
Lula foi direto. Flávio não vota e não quer apoiar a Proposta de Emenda à
Constituição (PEC) da Segurança Pública por uma questão grave: “Porque ele faz
parte desse crime organizado.”
A pauta
do país também é relevante para a campanha de Lula. A defesa da democracia, da
soberania nacional e das riquezas do país está no centro do enfrentamento com
Flávio Bolsonaro, uma candidatura abertamente entreguista, submissa aos
interesses do imperialismo estadunidense.
Além do
“tesouraço” e da traição à pátria, Flávio Bolsonaro assumiu que mutilará a
democracia ao dizer que pretende aproveitar a maioria de direita no Congresso
para “mudar a Constituição e redemocratizar esse país”. No dia seguinte,
tergiversou e, como sempre, mentiu. A declaração não passa de reiteração do que
seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, sempre anunciou como meta da extrema
direita.
Mas não é
só. Proclamou em alto e bom som um golpe contra a soberania do voto popular ao
dizer que pretende, caso vença, aumentar o seu próprio mandato para cinco anos.
Golpe que certamente aumentaria também os mandatos de parlamentares e
governadores, à revelia do povo. Isto está sendo naturalizado pela mídia, mas é
golpe.
Ou seja:
ele se desmascara a cada fala quando é instado a se pronunciar sobre suas reais
intenções. A pressão das pautas do povo e do país força a sua candidatura a
sair das ambiguidades e apresentar ao eleitor não apenas o que promete fazer,
mas também a quem pretende se associar e quais interesses defenderá.
Outro
eixo da campanha é a necessidade de impulsionar um movimento de frente ampla
que incorpore à batalha os segmentos que têm ressalvas e críticas ao governo e
ao candidato Lula, mas que julgam ser imperativo livrar o país da regressão em
toda linha que seria um governo da extrema-direita.
É hora de
transformar disposição em organização, indignação em presença e conversa em
voto. A campanha começa agora, em cada tela e onde houver alguém a ser
alcançado, uma dúvida a ser enfrentada, uma consciência a ser despertada. É
dessa corrente humana, multiplicada de pessoa em pessoa, que nascerá a virada e
a vitória do presidente Lula.
Divisor de águas e um passo adiante https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/fim-da-escala-6x1.html

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