03 junho 2007

Bom dia, Severino Filgueira


Reverência

Tanta brisa e tanto desconhecimento
Expressional no que se desdobra
Sobre a mesa
E atinge o alto de nós mesmos
Só pode ser
O que falta ser dito
Mas onde
O resíduo da vela?
Os que não ocuparam lugar
Chegando
Não se sabe quando
Os velhos troncos decepados
Crescem
Na obrigação do sopro.

Tomara que seja

A crença que se irradia entre analistas de diversas correntes numa aceleração no ritmo de queda da Selic, atualmente em 12,5% ao ano - que pode se reduzir em 0,5 ponto percentual no juro na semana que se inicia - é um bom sinal.

Na medida do possível

Beijin: idosos no parque
Esse modesto blog permite a esse amigo de vocês compartilhar notas de leituras, impressões sobre a vida e a luta política, um pouco de história, cultura e humor, além de opiniões pessoas sobre fatos relevantes na cena nacional e local. É sobretudo um prazer que se acentua quando recebemos comentários de generosos leitores, diretamente no blog ou por e-mail.

Nessa longa viagem, em missão oficial à China, com breves contatos em Lisboa (Portugal) e Nanterre (França) também a trato de interesses de nossa cidade, as notas aqui se seguirão na medida do possível, sem a regularidade habitual.

Nossa coluna de toda quinta-feira no portal Vermelho

Veja o texto publicado na última quinta-feira:

“Data vênia, Palavra de honra”

Havia pedido uma audiência ao “Exmo. Sr. Vice-Prefeito” – as palavras pronunciadas assim, entre aspas e com toda a formalidade -, anunciando apenas que o tema seria de “alta relevância para a comunidade”, sem entretanto declinar os detalhes.

Umas três semanas após nossa breve conversa ao telefone, o atendemos em nosso gabinete. Já nem nos lembrávamos ao certo de quem se tratava. Nem do assunto. Apenas o nome, anunciado pela secretária, pouco comum (que não declinaremos aqui, pois raro que é pode fazer dessa crônica um ato de imperdoável indiscrição), nos fez recordar a voz e os termos alegóricos com que se expressa.

E bote alegoria nisso. Moreno claro, cabelos grisalhos, magro e ligeiramente alquebrado em seus talvez setenta anos, porém de olhar firme e gestos largos. O terno preto e a pasta tipo 007 também preta, ambos surrados, sugeriam um aposentado de poucas posses.

E assim tivemos o que ele chamou de “colóquio” entre um “ínclito homem público” (esse amigo de vocês) e um “emérito assessor informal de diversas entidades e instituições de utilidade pública”, ele próprio, assim auto-apresentado.

Tinha queixas a fazer. Quase todas procedentes, de vendedores ambulantes ocupantes de calçadas no centro da cidade, a impedir o livre deslocamento dos transeuntes; a sujeira do canal Farias Neves, no Arruda, que a Prefeitura limpa mas o povo cuida de novamente encher de lixo; da irregularidade das aulas de uma professora de matemática numa escola (esta estadual) do bairro; da má qualidade do transporte coletivo em algumas áreas... e assim por diante. Uma lista alentada. E para cada problema, organizadas em pastas, cópias de memorandos, ofícios, apelos; e de respostas, poucas, aos expedientes que havia enviado aos órgãos públicos.

Documentos à mão, ao final da “sustentação oral” de cada um dos seus reclamos e das suas propostas:

- “E em assim sendo, diante de tais fatos sobejamente comprovados e devidamente documentados, como V. Exa. pode constatar, aqui me encontro para reiterar este pleito ao qual aduzo a minha palavra de honra.”

- Sim, amigo, compreendi. Mas, veja, alguns dos problemas que o senhor me apresenta carecem de um exame mais atento e de providências que prometo tomar, juntamente com o nosso prefeito, junto à Secretaria da área.
- “Acredito e confio, porém quero aduzir, com a devida vênia de V. Exa., que será da maior importância para o bom termo dessas providências, que esse “emérito assessor informal” tenha o ensejo de fazer a mesma sustentação oral que acabo de proferir.”

- Seus argumentos são válidos (e eram mesmo, apenas empolados em demasia), mas não é necessário uma audiência para cada um desses problemas. Podemos agir com rapidez e garanto que o senhor será informado de tudo e em tempo hábil.

- “Isto posto e diante da ponderação de V. Exa., resta-me aceitar que assim seja, mas permita sugerir que as informações emanadas dos órgão municipais me sejam comunicadas por escrito, para que possa arquivar a documentação correspondente.”

A essa altura cabia encerrar a conversa e escalar um integrante de nossa equipe para lidar com tão ilustre cidadão no desdobramento das providências que passamos adotar. Para a tranqüilidade do “emérito assessor informal”.

China: uma realidade impactante


No Vermelho, por Bernardo Joffily:
China, crescimento e (des)harmonia vistos pela Folha
O jornal Folha de S.Paulo deixou-se intrigar pelo enigma chinês e despachou para Pequim a sua editora de Mundo, Claudia Antunes. A primeira reportagem promete uma série controversa: Novo-rico chinês é alvo de campanha contra a ostentação, diz o título. Mas, não se sabe se por descuido, um infograma no topo da página põe tudo a perder, com sua síntese de seis dados sobre a China de 1980 e a de 2007.

Veja o infograma acima. Não mudamos a ordem dos gráficos, pois a passagem dos números mais expressivos para o pé da informação não é o bastante para quebrar o seu impacto.
PIB e renda per capita: recordes mundiais - Claudia Antunes nos revela que o país de Deng Xiaoping em 27 anos multiplicou 12,18 vezes o seu Produto Interno Bruto (PIB). Uma matéria investigativa poderia pesquisar se algum país, em algum momento de sua história, realizou tamanha proeza. Pesquisei a Inglaterra da Revolução Industrial do século 19, os Estados Unidos e a Alemanha dos ''anos dourados'' (décadas de 50 e 60''), o Japão e a Coréia do Sul dos ''milagres'' de seus respectivos pós-guerra: nenhum deles chegou perto de ter 27 anos assim.

O último dado, sobre a renda per capita, é ainda mais impactante. As longas fases de prosperidade geralmente vêm acompanhadas por booms no crescimento populacional, o que atenua o crescimento per capita. No caso da China, uma política demográfica que estimula famílias com um só filho (a jornalista toca no tema, de passagem, sem relacioná-lo com a renda). O resultado foi a inédita decuplicação da renda per capita chinesa em apenas 27 anos.

Outro número assombroso mostra o crescimento do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da população chinesa, de 0,560 em 1980 para 0,768 em 2007. A China de 27 anos atrás tinha um IDH um pouco mais baixo que o de Botswana e um pouco acima do Paquistão atuais. Já a China atual fica abaixo da Ucrânia e do Líbano e acima do Peru e do Equador. Em 27 anos, o país passou do 132º lugar para o 81º, outra proeza sem precedentes, apesar do muito que ainda falta por avançar.

O preocupante índice de Gini - O centro da reportagem de Claudia Antiunes é o índice de Gini, que mede a desigualdade na distribuição de renda, e em 27 anos passou de tranqüilizadores 0,30 para preocupantes 0,47 (1,00 é igual à desigualdade absoluta; 0,0 à igualdade absoluta). O Gini chinês é hoje igual ao dos Estados Unidos, que por sua vez são uma das sociedades mais desiguais do capitalismo, se não levarmos em conta aberrações como o Brasil (0,567) ou o México (0,546). Este é o nó da campanha em busca de ''uma sociedade harmoniosa'', que a China, como reconhecem os chineses, está longe de ser.

O dado sobre população rural também é interessante. Aponta que a imensa massa camponesa da China, 741 milhões, segundo o infograma da Folha, já não é a maior do mundo em números absolutos. Foi suplantada pela da Índia, com 770 milhões no campo, apesar de ambos os países virem de fortes processos de urbanização. Em 1980 a realidade era outra: os 800 milhões de chineses residindo no campo suplantavam a totalidade da população indiana, de 684 milhões.

A sociedade harmoniosa segundo um ministro chinês - Em outra matéria, no pé da página seguinte, Claudia transcreve o que ouviu do ministro Cai Wu, do Escritório de Informações do Conselho de Estado, falando a jornalistas latino-americanos. Sob o intertítulo Neoliberalismo, Cai Wu dá uma definição de ''sociedade harmoniosa'' aos olhos da atual campanha chinesa:
''Uma sociedade harmoniosa, segundo nossos critérios, é justa, democrática, dinâmica, vive sob o império da lei e em harmonia com a natureza. Ainda não somos uma sociedade harmoniosa, é um objetivo. Nosso objetivo é que todos os chineses possam gozar de uma vida mais próspera. Essa é a diferença entre a China e o neoliberalismo praticado pelos países latino-americanos, que alcançaram algum progresso econômico e abriram suas economias, mas sofreram polarização social, má distribuição da renda e sacrifício da soberania econômica.''
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História: 3 de junho de 1992

Começa no Rio a Eco-92, conferência da ONU sobre ecologia, com 114 chefes de estado e 40 mil ecologistas. Marcada pelo conflito norte-sul, pouco avança. Os EUA resistem a assumir compromissos sobre temas como o buraco na camada de ozônio. (Vermelho www,vermelho.org.br).

Dois dias sem postagens

Chegamos hoje a Beijin, capital da República Popular da China, onde cumpriremos missão oficial. Quinta e sexta-feira passadas tivemos compromissos em Portugal – Évora, Beja e Serpa e Lisboa.

Agora retomaremos nossas postagens diárias.

Com a compreensão dos que generosamente acessam esse modesto blog.