A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
02 junho 2014
Intenção
A segunda-feira é de Manuel Bandeira: "Escuta, eu não quero contar-te o meu desejo/Quero apenas contar-te a minha ternura"
Geopolítica mundial em transição
Já vivemos num mundo multipolar?
Emir Sader, na Carta Maior
A mais importante virada da história contemporânea foi propiciada pelo fim da guerra fria, momento em que um dos campos da era bipolar desapareceu, abrindo caminho para um mundo unipolar, sob a hegemonia imperial norteamericana.
De imediato os EUA passaram a se valer de sua inquestionável superioridade, buscando transferir os conflitos para o enfrentamento miliar. O ápice dessa política de militarização dos conflitos se deu no Afeganistão, no Iraque e na Líbia. Ainda que sob formas relativamente distintas, o desenlace dos conflitos se deu pela via militar – invasão, ocupação, bombardeio, derrubada dos governos.
Mesmo com desgastes, essa via se impunha até recentemente sem que aparecessem obstáculos para que a dominação norteamericana se impusesse. Até que o conflito com a Síria, que se encaminhava para um bombardeio do território desse país, teve uma virada inesperada, com uma proposta de acordo formulada pelo Ministro de Relações dos EUA e aceita pelos EUA.
Acontece que os desgastes anteriores começavam a desgastar a capacidade hegemônica dos EUA. Foi muito significativo que a primeira rejeição a participar do bombardeio viesse do maior aliado estratégico dos EUA – da Grã Bretanha -, com a negativa do Parlamento britânico a acompanha os EUA em uma nova aventura, como consequência direta dos desgastes da invasão do Iraque, em que o ex-primeiro ministro Tony Blair saiu desgastado, por ter jogado seu prestígio numa versão que se revelou falsa.
Obama teve que aceitar a oferta russa porque, além de tudo, não conseguiu apoio da opinião pública dos EUA, sem vontade de que o país se metesse em uma nova guerra, com consequências imprevisíveis, como tampouco dos militares, a quem a ideia de um “bombardeio cirúrgico” não tinha convencido. E, como relatou o próprio Obama, nem de sua família ele conseguiu apoio.
A passagem a um clima de acordo sobre a Síria se estendeu ao Irã – inclusive pelos vínculos diretos que tem os dois conflitos -, valendo-se também da eleição de um novo presidente no Irã. Em ambos os casos, mesmo com dificuldades, há avanços, projetando paralelamente a Russia como novo grande protagonista da negociação dos conflitos contemporâneos. Pela primeira vez, desde o fim da guerra fria, os EUA tiveram que limitar sua ação baseada na força, para aceitar termos políticos de acordos negociados entre governos.
O caso da Ucrânia, mesmo com características distintas, confirma essa nova tendência. Com o final da guerra e a desaparição do campo socialista, as potências ocidentais avançaram com grande codícia sobre os países até ali participantes desse campo, incorporando-os à União Europeia e inclusive à Otan.
A Ucrânia é um caso especial, porque se localiza na fronteira da Rússia e porque a Crimeia tem um porto essencial para o país, em termos comerciais e militares. A forma violenta com que as forças pro-União Europeia atuaram – decretando inclusive a proibição do idioma russo – enfraqueceu mais ainda sua capacidade
A realidade é que se desatou uma dinâmica centrifuga, em que as potências ocidentais denunciam a ação da Russia como força que estaria impulsionando o desmembramento da Ucrânia. Conforme aumenta a ira da imprensa ocidental, se veem confrontados com a impossibilidade de intervir, gerando-se uma situação a mais de limites da ação dos EUA.
Conforme as potências ocidentais se viam limitadas a medidas inoquas de punição à Russia, Putin se reunia com Xi Jinping, para acertar um grande acordo energético, assim como uma estratégia de desdolarização do comércio entre os dois países. Em todos os seus aspectos os acordos contribuem a configurar campos próprios de ação, em oposição ao boco dirigido pelos EUA. No próprio conflito ucraniano, enquanto os EUA contam com seus tradicionais aliados europeus – com distintos graus de coincidência – a Russia conta com os países do Brics.
Os acordos entre a China e a Rússia, o fortalecimento dos Brics e os processos de integração regional na América Latina são elos do que pode chegar a ser um mundo multipolar. Os próximos anos confirmarão ou não esta perspectiva.
01 junho 2014
Diálogo sim, agressão não!
Quem
lutou a vida inteira pela democracia não pode perder a atingido quando alvo da
maledicência ou de críticas ou cobranças mal situadas e expressas de modo
agressivo ou desrespeitoso. Defendo firmemente o direito das pessoas dizerem o
que sentem e o que pensam. E quando o fazem com sinceridade e consistência, em tom
elevado merecem toda a minha atenção (ao contrário da provocação odiosa e
irresponsável). Pois é pelo diálogo que as ideias se esclarecem, a boa polêmica
se trava e a unidade possível se forja. E o tempo se e carrega de revelar a
verdade dos fatos.
Negação da política, atitude antinacional
Demagogia nas ruas
Por Aldo Rebelo*, no Diário de São Paulo
As jornadas da Copa do Mundo têm projetado
antigas virtudes e deformidades do Brasil, entre estas uma crise de valores que
há muito esgarça relações na sociedade nacional. A crise não se localiza apenas
nos desvãos do aparelho de Estado nem nos estratos sociais mais vulneráveis à
delinquência.
Pessoas, grupos e categorias profissionais de que se esperam práticas éticas, debate esclarecedor e militância transformadora têm protagonizado o vale-tudo nas ruas.
Certos atos públicos estão sendo articulados por facções políticas que desprezam a Política e interditam a via democrática. São setores derrotados e ressentidos e sem perspectiva histórica. Acham que estão na Comuna de Paris em 1871 e sonham levar o Brasil ao inferno de assalto, vibrando metas delirantes como “não vai ter Copa”.
Cada manifestação traveste-se de microinsurreição a que, desta vez sim, o povo assiste bestificado, quando não indignado por ter negado seu direito de ir e vir. Ganham 15 minutos de fama, mas, como já dito, a infâmia que praticam dura para sempre.
O recente episódio de encurralamento da Seleção por um grupelho de professores no Rio de Janeiro é exemplo eloquente do ativismo deformado pela histeria política. A pretexto de pleitear benefícios profissionais, grevistas que se apresentam como educadores deram aula pública de grosseria ao agredir os jogadores, vaiando-os e acusando-os de simbolizar o desvio para a Copa de recursos que deveriam ir para a Educação.
Está exaustivamente demonstrado que o argumento é tão falso quanto os bordões gritados nessas algaravias. Segundo dados compilados pela Secretaria de Comunicação, desde 2010, quando prosperaram as obras associadas à Copa, com orçamento-teto de R$ 30 bilhões, o Governo Federal destinou R$ 850 bilhões para Educação e Saúde.
A Copa, e agora nossos craques, viraram, no entanto, um palanque de papel onde ecoa a parolagem dos demagogos.
Comparações absurdas desse naipe são a bandeira de grupos que, a pretexto de defender direitos, sabotam a Democracia. Felizmente, a contraposição a esses desatinos também já está nas ruas.
*Aldo Rebelo é ministro do Esporte e deputado federal licenciado pelo PCdoB de SP.
Pessoas, grupos e categorias profissionais de que se esperam práticas éticas, debate esclarecedor e militância transformadora têm protagonizado o vale-tudo nas ruas.
Certos atos públicos estão sendo articulados por facções políticas que desprezam a Política e interditam a via democrática. São setores derrotados e ressentidos e sem perspectiva histórica. Acham que estão na Comuna de Paris em 1871 e sonham levar o Brasil ao inferno de assalto, vibrando metas delirantes como “não vai ter Copa”.
Cada manifestação traveste-se de microinsurreição a que, desta vez sim, o povo assiste bestificado, quando não indignado por ter negado seu direito de ir e vir. Ganham 15 minutos de fama, mas, como já dito, a infâmia que praticam dura para sempre.
O recente episódio de encurralamento da Seleção por um grupelho de professores no Rio de Janeiro é exemplo eloquente do ativismo deformado pela histeria política. A pretexto de pleitear benefícios profissionais, grevistas que se apresentam como educadores deram aula pública de grosseria ao agredir os jogadores, vaiando-os e acusando-os de simbolizar o desvio para a Copa de recursos que deveriam ir para a Educação.
Está exaustivamente demonstrado que o argumento é tão falso quanto os bordões gritados nessas algaravias. Segundo dados compilados pela Secretaria de Comunicação, desde 2010, quando prosperaram as obras associadas à Copa, com orçamento-teto de R$ 30 bilhões, o Governo Federal destinou R$ 850 bilhões para Educação e Saúde.
A Copa, e agora nossos craques, viraram, no entanto, um palanque de papel onde ecoa a parolagem dos demagogos.
Comparações absurdas desse naipe são a bandeira de grupos que, a pretexto de defender direitos, sabotam a Democracia. Felizmente, a contraposição a esses desatinos também já está nas ruas.
*Aldo Rebelo é ministro do Esporte e deputado federal licenciado pelo PCdoB de SP.
Luz
Sebastião Salgado
O domingo é de Chico de Assis: “Mas em minha mente há
reflexos de luz./E eu ainda espero o poema/que nos ilumine através dos séculos.”
Verdade estabelecida
Relatório final da morte do Padre Henrique
Marco Albertim, no Vermelho
28 de maio de 1969, dois dias após o
assassinato de Padre Henrique, o investigador de polícia da Delegacia de
Segurança Social, Ayrisson Amorim, dá conta da escuta do 25513, número do
telefone do Juvenato Dom Vital, onde o arcebispo D. Helder Câmara despacha com
seus auxiliares. No "quarto de serviço de 6 as 12 horas", escreve ao
"Comissário Chefe da Delegacia de Segurança Social":
"Levo ao conhecimento de V. S. para os dividos fins (...)"; por certo o afã de se mostrar zeloso encobre o descuido quanto à ortografia. Está no ponto de largada. A propósito de conversa entre D. Helder e padre Lamartine, segue: "Don Euder, disse-lhe que se devia ter muito cuidado(...)"; afora o atropelo de separar o arcebispo de um inferior seu de sua estima, com uma canhestra vírgula, desfibra o nome do religioso da consoante que também o acudiu na fama de opositor ao regime militar. "Finalisando", acrescenta que, conforme D. Helder, padre Lamartine deve falar com o delegado Moacir Sales, "de batina para imprecionar melhor." Atento, certo de que seu chefe terá convulsão nos olhos de tanto contentamento, arremete sem dó nem piedade: "A irmã Conceição (...) falou com o Monsenhor Arnaldo, pidindo ao mesmo para celebrar uma missa no Pencionato(...)".
O investigador sente que está nos momentos finais de sua performance. Na vigésima oitava linha e na seguinte, de um total de trinta e seis, por certo ainda sentindo falta de sua "finalisação" no primeiro parágrafo, soma: (...) hoje as 20 horas iria se realisar no Juvenato Don Vital, para os padres: a pessôa que telefonou disse éra muito emportante."
O Juvenato Dom Vital era na Rua do Jiriquiti, frequentado pelo padre Henrique. Mas o investigador Ayrisson Amorim não acredita, posto que subverte os arquivos da prefeitura: "O citado Juvenato fica localisado na Rua do Geriquiti."
A escuta telefônica era feita nas instalações da Companhia Telefônica de Pernambuco - CTP. O investigador dá a sua peça o título de Parte do Serviço. A expressão grotesca hoje se presta ao ridículo, e instiga a uma peça literária no gênero conto. Talvez o único legado que o investigador deixa à história.
Conforme a conclusão do relatório da Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara, os responsáveis pelo sequestro e morte do padre Antonio Henrique são os investigadores de polícia, Rível Rocha e Humberto Serrano de Souza (falecidos); o promotor público e também diretor de Investigações Criminais da SSP, José Bartolomeu Lemos Gibson; o primo deste, então com 17 anos, Jerônimo Duarte Rodrigues Neto (vivo); e o então universitário Rogério Matos do Nascimento.
Em junho de 1969, o então governador Nilo Coelho institui uma Comissão Judiciária de Inquérito, cujos trabalhos ocorrem numa sala da SSP, e em seguida no quartel da Polícia Militar. Ao fim, o promotor Massilon Tenório firma denúncia contra apenas Rogério Matos do Nascimento. O juiz Nildo Nery dos Santos não prolata a sentença de pronúncia, por entender que o caso é de competência da Justiça Federal. A JF, inda que reconhecendo em Rogério Matos o único responsável pelo crime, devolve o processo. Mas Rogério Matos é impronunciado mediante outro recurso de sua defesa.
Em 1988, para evitar a prescrição do crime, o Ministério Público oferece denúncia-crime contra o procurador de Justiça, José Bartolomeu Gibson, os policiais civis, Henrique Pereira da Silva (vulgo X-9) e Rível Gomes da Rocha. A denúncia foi recebida pelo juiz Nildo Nery dos Santos. O Tribunal de Justiça de Pernambuco decide pelo arquivamento da Ação Penal; por unanimidade.
Uma trilha necessária
Lutar, resistir e avançar
Eduardo Bomfim, no Vermelho
Já o descontrole em
várias capitais do País nas áreas da segurança pública, transformando as
cidades em palcos para espetáculos de saques generalizados, indica algo mais
grave que o existente em nosso cotidiano, que aliás já é muito sério.
A mídia oligárquica internacional por sua vez faz coro com as notícias saídas dos laboratórios das suas congêneres brasileiras dispostas a convencer o mundo que o Brasil, além dos seus reais problemas estruturais, encontra-se na iminência de submergir no mais profundo dos infernos.
Mas o que esses porta-vozes do Mercado, do capital financeiro almejam é a capitulação incondicional do País ao rentismo da Nova Ordem Mundial, a adoção das nocivas medidas financeiras, sociais impostas à Europa e EUA.
Cujos reflexos lá têm sido: a falência industrial, brutal recessão, desemprego, com o maior número de desempregados entre os jovens, violentos cortes nas conquistas sociais dos assalariados etc.
As recentes medidas adotadas por governos europeus estão penalizando gravemente as aposentadorias, o sistema previdenciário no velho continente.
As consequências dessa tragédia que assola os Estados Unidos, a Europa, revelam, em fatos, estatísticas, o desespero no mundo do trabalho, a decadência da classe média, o avanço absurdo do complexo industrial militar dos EUA, que determina a política externa norte-americana e as guerras de rapina por todo o planeta.
A estratégia dos conglomerados financeiros, midiáticos para os BRICS onde a crise capitalista mostra-se menos intensa é óbvia: desmantelar os governos de feição não liberal, destruir o Estado Nacional, promover um tsunami de privatizações, leiloar as riquezas nacionais, aniquilar as conquistas sociais.
O enorme crescimento eleitoral do nazismo na Europa, face monstruosa do grande capital, indica que o povo brasileiro precisa lutar, resistir e avançar em defesa do progresso social, da democracia, da soberania nacional, sob graves ameaças.
A mídia oligárquica internacional por sua vez faz coro com as notícias saídas dos laboratórios das suas congêneres brasileiras dispostas a convencer o mundo que o Brasil, além dos seus reais problemas estruturais, encontra-se na iminência de submergir no mais profundo dos infernos.
Mas o que esses porta-vozes do Mercado, do capital financeiro almejam é a capitulação incondicional do País ao rentismo da Nova Ordem Mundial, a adoção das nocivas medidas financeiras, sociais impostas à Europa e EUA.
Cujos reflexos lá têm sido: a falência industrial, brutal recessão, desemprego, com o maior número de desempregados entre os jovens, violentos cortes nas conquistas sociais dos assalariados etc.
As recentes medidas adotadas por governos europeus estão penalizando gravemente as aposentadorias, o sistema previdenciário no velho continente.
As consequências dessa tragédia que assola os Estados Unidos, a Europa, revelam, em fatos, estatísticas, o desespero no mundo do trabalho, a decadência da classe média, o avanço absurdo do complexo industrial militar dos EUA, que determina a política externa norte-americana e as guerras de rapina por todo o planeta.
A estratégia dos conglomerados financeiros, midiáticos para os BRICS onde a crise capitalista mostra-se menos intensa é óbvia: desmantelar os governos de feição não liberal, destruir o Estado Nacional, promover um tsunami de privatizações, leiloar as riquezas nacionais, aniquilar as conquistas sociais.
O enorme crescimento eleitoral do nazismo na Europa, face monstruosa do grande capital, indica que o povo brasileiro precisa lutar, resistir e avançar em defesa do progresso social, da democracia, da soberania nacional, sob graves ameaças.
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