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04 setembro 2017
Vacilação
Acuado, Temer oscila entre pedir ou não sigilo sobre as novas denúncias do corruptor Joesley Batista. Caso de anemia política e ética explícitas.
Agenda antinacional
Privatização e ajuste
fiscal: cartilha de Temer é destrutiva ao país
As privatizações das eras Collor e FHC transferiram
15% do PIB ao setor privado e desempregaram 546 mil trabalhadores, sem trazer
crescimento econômico nem melhora nas contas públicas.
Por Márcio Pochmann*, no Vermelho
A lógica de encanador (menos
Estado, mais mercado) se tornou central na agenda do governo Temer. Com isso, a
aposta da retomada econômica assentada na expansão do setor privado a partir do
esvaziamento do setor público segue ativa enquanto embuste.
Desde que assumiu, até o mês de julho de 2017, o discurso da desordem das finanças públicas justificou a defesa do ajuste fiscal focado no corte das despesas governamentais. Apesar da aprovação de várias medidas nesse sentido, inclusive emenda constitucional que reduz o gasto público per capita para os próximos 20 anos e reforma que retira direitos trabalhistas, a situação das contas públicas somente piorou.
As iniciativas de contenção do gasto público não vieram acompanhadas da retomada da economia, tampouco a expansão dos investimentos agregados do setor privado. A não ser no processo de fortalecimento do rentismo ao setor privado, com o crescente déficit nas contas governamentais e na dívida pública, regiamente sustentada por taxas de juros reais extremamente positivas.
Mesmo com todo o fracasso do neoliberalismo adotado até o momento, o governo Temer concede um passo seguinte na promoção do esvaziamento no papel do Estado brasileiro. Agora, o enfoque recai sobre a privatização de 57 empresas públicas anunciadas com a expectativa de gerar meramente receitas necessárias para tapar parte do buraco das contas públicas que segue cavado esplendidamente pela própria equipe econômica dos sonhos do rentismo.
Seguindo a orientação que somente o desespero governamental poderia animar, o pacote de privatização representa mais um entrave na retomada do crescimento econômico brasileiro. Se viabilizadas, dado o ambiente semiparalisado das atividades produtivas contaminado pela expressiva taxa de juros reais, as privatizações poderão servir de mais sustentáculo ao capital especulativo nacional e internacional.
Em conformidade com o mito gerado pelas privatizações dos governos Fernandos (Collor e Cardoso), o país transferiu do setor público para o privado, o equivalente a 15% do Produto Interno Bruto (PIB), com corte de 546 mil trabalhadores, sem elevação do crescimento econômico e melhora nas contas públicas. Somente no Governo Cardoso (1995-2002), por exemplo, o Tesouro federal arrecadou quase US$ 79 bilhões com as privatizações, embora a dívida pública federal fosse multiplicada por quase 13 vezes, saltando de R$ 65,6 bilhões (18,8% do PIB), em dezembro de 1994, para R$ 841 bilhões (56,9%), em dezembro de 2002.
Se com a privatização das estatais, as contas públicas pioraram, o desempenho das empresas sob a responsabilidade do setor privado avançou consideravelmente. Em apenas um decênio, por exemplo, a quantidade de empregados nas empresas privatizadas caiu 70,5% (de 95 mil, em 1995, para 28 mil, em 2005), enquanto a lucratividade foi multiplicada por 10 vezes (de R$ 11 bilhões, em 1995, para R$ 110 bilhões, em 2005).
Ademais da ação voltada para a redução de custos, como a demissão em massa, as empresas privadas elevaram radicalmente o lucro por meio do significativo crescimento dos seus preços acima da inflação. No setor elétrico, por exemplo, o preço médio da energia elétrica ao consumidor subiu próximo de 120% acima da inflação entre 1995 e 2015, ou seja, 4% em média de aumento real ao ano.
Não parece ser por outro motivo no Brasil que registrava custos de produção competitivos por conta de preços básicos mantidos pelas empresas estatais passou, com a privatização, a conviver com tarifas mais altas do mundo, o que terminou comprometendo a competitividade nacional. A tarifa média cobrada pelas operadoras no Brasil, por exemplo, responde por uma das mais elevadas do mundo.
Em síntese, a privatização tornou-se um mito neoliberal. Não contribui na melhora da contabilidade pública, mas eleva o custo de produção com preços de bens e serviços de empresas privatizadas crescendo acima da inflação. Ou seja, lucros de países ricos combinado com preços e qualidade dos bens e serviços de país pobre, sem tocar no crescimento econômico, nem na melhora das contas públicas.
Desde que assumiu, até o mês de julho de 2017, o discurso da desordem das finanças públicas justificou a defesa do ajuste fiscal focado no corte das despesas governamentais. Apesar da aprovação de várias medidas nesse sentido, inclusive emenda constitucional que reduz o gasto público per capita para os próximos 20 anos e reforma que retira direitos trabalhistas, a situação das contas públicas somente piorou.
As iniciativas de contenção do gasto público não vieram acompanhadas da retomada da economia, tampouco a expansão dos investimentos agregados do setor privado. A não ser no processo de fortalecimento do rentismo ao setor privado, com o crescente déficit nas contas governamentais e na dívida pública, regiamente sustentada por taxas de juros reais extremamente positivas.
Mesmo com todo o fracasso do neoliberalismo adotado até o momento, o governo Temer concede um passo seguinte na promoção do esvaziamento no papel do Estado brasileiro. Agora, o enfoque recai sobre a privatização de 57 empresas públicas anunciadas com a expectativa de gerar meramente receitas necessárias para tapar parte do buraco das contas públicas que segue cavado esplendidamente pela própria equipe econômica dos sonhos do rentismo.
Seguindo a orientação que somente o desespero governamental poderia animar, o pacote de privatização representa mais um entrave na retomada do crescimento econômico brasileiro. Se viabilizadas, dado o ambiente semiparalisado das atividades produtivas contaminado pela expressiva taxa de juros reais, as privatizações poderão servir de mais sustentáculo ao capital especulativo nacional e internacional.
Em conformidade com o mito gerado pelas privatizações dos governos Fernandos (Collor e Cardoso), o país transferiu do setor público para o privado, o equivalente a 15% do Produto Interno Bruto (PIB), com corte de 546 mil trabalhadores, sem elevação do crescimento econômico e melhora nas contas públicas. Somente no Governo Cardoso (1995-2002), por exemplo, o Tesouro federal arrecadou quase US$ 79 bilhões com as privatizações, embora a dívida pública federal fosse multiplicada por quase 13 vezes, saltando de R$ 65,6 bilhões (18,8% do PIB), em dezembro de 1994, para R$ 841 bilhões (56,9%), em dezembro de 2002.
Se com a privatização das estatais, as contas públicas pioraram, o desempenho das empresas sob a responsabilidade do setor privado avançou consideravelmente. Em apenas um decênio, por exemplo, a quantidade de empregados nas empresas privatizadas caiu 70,5% (de 95 mil, em 1995, para 28 mil, em 2005), enquanto a lucratividade foi multiplicada por 10 vezes (de R$ 11 bilhões, em 1995, para R$ 110 bilhões, em 2005).
Ademais da ação voltada para a redução de custos, como a demissão em massa, as empresas privadas elevaram radicalmente o lucro por meio do significativo crescimento dos seus preços acima da inflação. No setor elétrico, por exemplo, o preço médio da energia elétrica ao consumidor subiu próximo de 120% acima da inflação entre 1995 e 2015, ou seja, 4% em média de aumento real ao ano.
Não parece ser por outro motivo no Brasil que registrava custos de produção competitivos por conta de preços básicos mantidos pelas empresas estatais passou, com a privatização, a conviver com tarifas mais altas do mundo, o que terminou comprometendo a competitividade nacional. A tarifa média cobrada pelas operadoras no Brasil, por exemplo, responde por uma das mais elevadas do mundo.
Em síntese, a privatização tornou-se um mito neoliberal. Não contribui na melhora da contabilidade pública, mas eleva o custo de produção com preços de bens e serviços de empresas privatizadas crescendo acima da inflação. Ou seja, lucros de países ricos combinado com preços e qualidade dos bens e serviços de país pobre, sem tocar no crescimento econômico, nem na melhora das contas públicas.
*Marcio Pochmann é professor do Instituto de Economia e
pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho, ambos da
Universidade Estadual de Campinas.
Leia mais sobre temas da
atualidade: http://migre.me/kMGFD
A prosa poética de Melka Pinto
O Nego,
minha menina, meu velho, a senhora, o avô e a vida
MelkaO nego chegou de manhã me beijando com gosto de cachaça, dizendo que me ama, enchendo a mão de peito. Depois acordei com a menina dos meus olhos chorando e sorrindo, me pedindo o colo que é só dela. Meu velho depois me ligou falando com voz alegre que conseguiu a aposentadoria e que a vida ia melhorar. No caminho do trabalho uma senhora desconhecida me fez renovar a esperança na bondade das pessoas aleatórias, mas no final do dia o avô do nego (quase pai) se despediu da nega veia, das filhas, dos netos, dessa breve vida depois de muita dor, ele sabia que viver era bom e não queria ir, mas quando a hora da partida chega, a gente só tem que ir. Fechei os olhos e agradeci ao nego, a minha menina, ao meu velho, a senhora desconhecida, ao avô por me fazer sentir a vida. Porque o que vale na vida é a mão no peito, minha menina no colo, meu velho feliz, a fé na bondade das pessoas, a certeza que a vida finda, mas que a gente ainda tá aqui.
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02 setembro 2017
Poesia sempre
Para ti
Mia Couto
Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre
Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida.
Bumerangue
Fisiologia pode brecar fetichismo da
Lava Jato
André Singer,
na Folha de S. Paulo
A fixação da Operação Lava Jato são as
algemas, não o bigode de Romero Jucá (PMDB-RR). Dessa vez
quem matou a charada foi José Simão. O principal desejo de Sergio Moro,
Deltan Dallagnol e Rodrigo Janot, líderes do Partido da Justiça (PJ), é punir.
Eles querem meter na cadeia o maior número possível de corruptos.
No limite, tal como no romance de
Machado de Assis, ninguém escaparia "aos emissários do alienista",
uma vez que Itaguaí inteira, perdão, o Brasil todo, teria parte com a
corrupção, inclusive o próprio trio justiceiro. Vejamos.
O braço direito de Janot na
Procuradoria trabalhou para escritório contratado pelo empresário Joesley
Batista. Prenda-se Janot. Deltan aproveitou a fama adquirida para cobrar R$ 40
mil por palestras. Prenda-se Deltan. O padrinho de casamento de Moro prestou
serviços para um acusado na Lava Jato. Prenda-se Moro.
É claro que, em algum ponto dessa dança
das cadeiras, a música vai parar. Quem caiu saiu do jogo. Quem se salvou ficou.
O primeiro sinal de parada veio um mês atrás, quando, ao contrário do relatado
em "O Alienista", a Câmara não "entregou o próprio presidente",
sabendo-se que Michel Temer é, na verdade, o chefe dos 263 deputados que
decidiram protegê-lo.
Agora a nova e, quiçá, última grande
ofensiva dos bacamartes deve ser a segunda denúncia contra o ocupante do
Palácio do Planalto.
Metido no bambuzal plantado pelo doleiro
Lúcio Funaro, Janot prepara as derradeiras flechas de que dispõe, antes de
deixar o cargo. Pelo que foi cuidadosamente vazado até aqui, Funaro revelou
detalhes sobre entrega de dinheiro ao ex-presidente da Câmara, Henrique Eduardo
Alves (PMDB-RN), também preso, e ao ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA),
que curte prisão domiciliar. Ambos são aliados históricos do atual presidente
da República.
Para também ajudar Janot, o placar de
2/8, quando Temer teve a primeira vitória, mostrou uma diminuição da blindagem
presidencial. Cerca de cem parlamentares dos que optaram por destituir Dilma em
2016 escolheram agora jogar Temer no caldeirão da Lava Jato. Com isso, a facção
anti-Partido da Justiça ficou restrita ao número que elegeu Eduardo Cunha
(PMDB-RJ) à presidência da Casa no começo de 2015.
Trata-se do velho blocão/centrão. Ele
não é suficiente para fazer mudanças constitucionais, mas, bem alimentado por
verbas, consegue sustentar governos.
Foi assim que Sarney chegou ao fim do
seu arrastado mandato em 1990. Vai ser interessante assistir ao novo embate
entre os fisiológicos e os alienistas, loucos para algemar as mãos esvoaçantes
do sucessor de Rousseff.
Leia mais sobre temas da
atualidade: http://migre.me/kMGFD
Trama
Lula foi vítima da compra de silêncio de Cerveró por Delcídio, reconhece MPF. Como tem sido comum nos delatores da Operação Lava Jato.
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