27 junho 2025

Postei nas redes

Pode existir algo mais supérfluo do que o Datafolha pesquisar agora percentuais da população que apoiam ou criticam a convocação do jogador Neymar para a seleção brasileira? O cara nem está jogando e não há nenhuma garantia de que no próximo ano continue atrás da bola ou permaneça apenas em busca de grana! 

Futebol: quando os veteranos perdem a ambição https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/02/futebol-gloria-passageira.html

Enio Lins opina

Para os Estados Unidos de Trump direito de opinião é dever de bajulação
Enio Lins  

HÁ DOIS DIAS, no dia de São João, a embaixada dos Estados Unidos no Brasil emitiu um comunicado determinando que quem solicitar visto de estudante terá de escancarar seus perfis nas redes sociais para que a polícia política americana possa fazer uma varredura completa. Caso seja encontrada alguma manifestação considerada desfavorável para o atual grupo ocupante da Casa Branca, nada feito: o visto será negado.

ESSE COMUNICADO confirma orientação já praticada pelo governo Trump. No dia 11 de junho, um jovem norueguês de 21 anos, Mads Mikkelsen, foi barrado no Aeroporto Internacional Newark Liberty, em Nova Jersey. A polícia política americana localizou em seu celular uma caricatura do vice-presidente JD Vance. O meme, de ampla circulação na internet, apenas mostra a cara do vice Vance como um bebê reborn careca, ou algo do tipo. Bobagem. As autoridades americanas tentaram justificar, argumentando que o estudante havia sido deportado por suposta confissão de consumo de drogas – mas como proibir a entrada de alguém por esse motivo no país que teve Elon Musk como ministro? Essa desculpa esfarrapada sobre o garoto norueguês foi jogada no lixo de vez com o despacho da embaixada dos EUA no Brasil.

POLÍCIA POLÍTICA, YES. Pois é no que está sendo transformada a estrutura de segurança americana, a partir dos órgãos de controle de migração. Mas essa concepção – que não é estranha à história americana, como atestam as trajetórias do FBI, CIA e congêneres – tende a se espalhar, de forma escancarada, por toda rede policial estadunidense, sob a tutela do Departamento de Segurança Interna, o DSH (U.S. Department of Homeland Security). O entendimento de proteção rigorosa contra estrangeiros supostamente inimigos da grande nação por critérios raciais, ideológicos, políticos e econômicos foi uma das marcas da célebre Geheime Staatspolizei, que imperou na Alemanha, entre 1933 e 1945. Como a história ensina, aos inimigos externos, esse conceito autoritário som a, em seguida, os inimigos internos.

DESDE O INÍCIO DE JUNHO, a contabilidade apontava para 51 mil pessoas detidas como imigrantes ilegais pelo ICE (sigla em inglês para o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos). Segundo reportagem publicada pela BBC e MSN, “autoridades da Casa Branca declararam esperar que o ICE possa atingir até 3 mil prisões por dia, o que representa um aumento significativo em relação às cerca de 660 detenções diárias, verificadas durante os primeiros 100 dias do segundo mandato de Trump”. É o fantasma do inimigo externo assombrando a América que quer ser grande novamente, apesar de nunca ter deixado de ser, mas almeja ser mais dominadora, mais preconceituosa, mais racista, mais branca, mais protestante, mais anglo-saxônica, mais sionista, mais europeia-ocidental, mais escravocrata...

VIZINHO MESTIÇO, latino e tido como ladino, o Brasil entra na lista de indesejáveis, com exceções feitas em benefício de simpatizantes de Trump que disponham de dólares a mancheias para despejar na economia doméstica americana. Segundo o postado por um ex-ministro bolsonarista, o deputado Dudu Bananinha, homiziado nos Estados Unidos, estaria gastando (nos primeiros três meses de autoexílio na Disneyworld e vizinhanças) algo como R$ 8 milhões (cerca de R$ 3 milhões por mês) do dinheirinho sugado que papai Zero-zero, tal qual carrapato, subtrai, em PIX, do gado fanatizado e/ou do crime organizado. Um turista desses, certamente, nem precisa mostrar o celular, pois está pagando para conspirar, contravir, contra seu próprio país e a favor de Donald, Elon et caterva. Mas quem queira ir aos Estados Unidos para estudar, aí é outra história: tem d e se submeter, ter a vida vasculhada em busca de algum exercício da liberdade de opinião. Se não beijar as patas de Trump e seu sistema autoritário e exclusivista, não entra.

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Leia: Trump e o vasto leque de indesejáveis 
https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/02/uma-cronica-de-ruy-castro.html 

Postei nas redes

Leio na Folha de S. Paulo que "o país está numa sinuca de bico sob o comando do Centrão". Nada de novo. Surpreende é que o articulista não ponha a culpa no presidente Lula. 

Leia: O busílis da questão https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/06/minha-opiniao_16.html 

Cláudio Carraly opina

A fortuna dos 1% mais ricos poderia erradicar a pobreza do mundo 22 Vezes
Cláudio Carraly 

A Oxfam Internacional, entidade que agrega mais de vinte organizações que têm por objetivo combater a pobreza, a injustiça e a desigualdade, lançou um relatório inédito chamado "Do Lucro Privado ao Poder Público: Financiando o Desenvolvimento, Não a Oligarquia", no qual revela dados que redefinem nossa compreensão sobre desigualdade global, a fortuna do 1% mais rico do planeta seria suficiente para eliminar a pobreza mundial por 22 anos consecutivos.

O documento foi estrategicamente lançado antes da Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento em Sevilha. Ele apresenta evidências de que a riqueza da elite global expandiu em impressionantes 33,9 trilhões de dólares na última década. Esse valor é equivalente a 185 trilhões de reais, superando o PIB de economias inteiras.

A pesquisa da Oxfam, baseada no cruzamento de dados do Credit SuisseForbes e Banco Mundial, demonstra uma realidade paradoxal, enquanto apenas 3 mil bilionários viram suas fortunas crescerem 6,5 trilhões de dólares, esse montante sozinho excede os 4 trilhões de dólares anuais necessários para alcançar todos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU até 2030.

Em contraste gritante, 3,7 bilhões de pessoas, ou seja, quase metade da humanidade, sobrevivem com menos de 8,30 dólares por dia, segundo critérios do Banco Mundial. Essa disparidade não é apenas estatística: representa 3,7 bilhões de histórias individuais de privação e miséria, enquanto uma elite microscópica concentra absurdos 43% de toda riqueza global. O relatório identifica uma mudança paradigmática problemática na abordagem global ao desenvolvimento. Desde a década de 1990, governos progressivamente transferiram responsabilidades públicas para o setor privado, criando a chamada "financeirização do desenvolvimento".

Os números do futuro próximo são desesperadores:

- Países do G7 planejam reduzir 28% da ajuda humanitária até 2026.

- 60% das nações de baixa renda estão à beira do colapso financeiro.

- Governos gastam mais com credores privados do que com saúde e educação combinadas.

- Apenas 16% das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS, estão no caminho correto para 2030.

O desenvolvimento global está falhando porque os interesses de uma minoria de super-ricos são sistematicamente priorizados, os países desenvolvidos entregaram o comando do desenvolvimento global a Wall Street, caracterizando uma captura institucional pelo setor financeiro.

O Brasil é como um microcosmo perfeito dos problemas globais identificados. O país ilustra como sistemas tributários regressivos perpetuam desigualdades históricas, impactando desproporcionalmente mulheres negras, indígenas e periféricas, grupos que enfrentam simultaneamente crises climáticas, insegurança alimentar e desmonte de serviços públicos. Mas a pesquisa aponta que 9 em cada 10 brasileiros apoiam tributação progressiva dos super-ricos para financiar saúde, educação e enfrentamento às mudanças climáticas, sinalizando demanda social por mudanças estruturais.

Oxfam propõe formação de alianças internacionais específicas contra a concentração de riqueza. Brasil, África do Sul e Espanha emergem como líderes potenciais de uma "Aliança Global Contra a Desigualdade", modelo que poderia inspirar outros países a desafiar o status quo. Propõe ainda o abandono definitivo da crença de que financiamento privado resolve problemas de desenvolvimento. A proposta centra-se em:

- Desenvolvimento liderado pelo Estado, com serviços universais de qualidade.

- Exploração de bens públicos, em setores estratégicos como energia e transporte.

- Rejeição do consenso neoliberal, que privatiza lucros e socializa prejuízos.

- Tributação progressiva de patrimônios extremos.

- Revitalização da ajuda humanitária, com meta mínima de 0,7% do PIB.

- Reforma da arquitetura da dívida internacional.

- Superação do PIB como único indicador de desenvolvimento.

- Apoio à convenção tributária da ONU e esforços para substituição do G7 pelo G20.

A Conferência de Sevilha representa uma oportunidade única para governos escolherem entre perpetuar o sistema atual ou abraçar mudanças estruturais. Com a presidência brasileira do G20 priorizando a tributação de grandes fortunas e o combate à desigualdade, existe um momentum político inédito para transformações concretas, não se tratando apenas de redistribuição de riqueza, mas de redefinição do próprio conceito de desenvolvimento, de modelo que enriquece poucos para um sistema que garante dignidade a todos.

Os dados da Oxfam não apenas quantificam desigualdade, mas também revelam que soluções são matematicamente viáveis e politicamente alcançáveis. A fortuna que poderia erradicar a pobreza inúmeras vezes já existe hoje, concentrada em menos de 1% da população. A questão não é capacidade técnica ou recursos disponíveis. É vontade política global para confrontar interesses estabelecidos e priorizar bem-estar coletivo sobre acumulação privada ilimitada.

 A Conferência pode marcar o início dessa transformação ou confirmar que a humanidade escolheu aceitar desigualdade extrema como inevitável. Se ao final desta optaremos pelo conjunto da população planetária, ou seguiremos a passos largos o caminho da barbárie.

Cláudio Carraly - Advogado, ex-secretário executivo de Direitos Humanos de Pernambuco.

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Leia também: O crepúsculo de Bretton Woods https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/06/padrao-dolar-em-decadencia.html 

Fotografia

 

Steve-McCurry

Leia: Sebastião Salgado, o homem que “desenha com a luz” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2024/02/sebastiao-salgado-80-anos.html

Palavra de Luciana

Por uma nova ordem global mais justa e inclusiva: a parceria estratégica em C&T no Brics
Luciana Santos destaca o protagonismo brasileiro em um debate multilateral e inclusivo para o Sul Global sobre soberania tecnológica
Luciana Santos/Vermelho 

Depois de atravessar um duro período de isolamento, o Brasil hoje reconstrói sua inserção no sistema internacional, apostando no diálogo, na cooperação, na igualdade e na busca de soluções coletivas para desafios globais. Sob o comando do presidente Lula, retomamos nosso protagonismo no mundo.

 Este ano, o país ocupa uma dupla posição de destaque: preside o BRICS, composto por 11 países-membros e 9 países-parceiros; e articula o diálogo climático e ambiental no contexto da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, a COP 30, a ser sediada em Belém, no Pará.

O presidente Lula reposicionou o Brasil no sentido de pactuar relações mutuamente benéficas. E, nesse sentido, a cooperação em CT&I é parte de uma política internacional que fortalece a soberania e os interesses nacionais e contribui para a superação de dependências históricas.

A liderança brasileira nesses dois fóruns emerge num cenário de profundas transformações geopolíticas, ambientais e tecnológicas. São tempos de inovações disruptivas, de inteligência artificial e de eventos extremos ambientais. A marcha do desenvolvimento socioeconômico é colocada em xeque mais uma vez, afetando a saúde e a segurança alimentar, com impacto evidente entre os mais pobres e excluídos. Vivemos um momento histórico e desafiador, em que está em jogo a própria sobrevivência do Planeta. 

É nesse contexto que a ciência, a tecnologia e a inovação se renovam, como instrumentos capazes de garantir o nosso futuro, diante de duas visões distintas de mundo que, infelizmente, persistem em habitar as nossas relações internacionais: uma unilateral, baseada em autointeresses, excludente e limitante; e outra perspectiva mais ampla, universal, solidária e resolutiva. É essa última visão que partilhamos, considerando que apenas esforços conjuntos e no contexto do multilateralismo serão capazes de frear o curso veloz da destruição global.

Um dos importantes diferenciais da cooperação no BRICS é o seu pragmatismo, no sentido de que o diálogo apenas pode ser considerado frutífero e producente quando os consensos estabelecidos viram ações concretas em benefício comum de nossos povos. Nessa dimensão, foram várias as conquistas nos últimos anos. 

A cooperação em ciência, tecnologia e inovação desse agrupamento abarca mais de uma dezena de grupos de trabalho temáticos e já viabilizou o lançamento de seis chamadas conjuntas para projetos de pesquisa e cooperação, envolvendo agências de financiamento dos países-membros. A agenda de CTI do BRICS possibilitou o planejamento e a implementação de missões e projetos conjuntos para os oceanos, ciência dos materiais e fotônica, energias renováveis, computação de alto desempenho, astronomia, biotecnologia e biomedicina.

Realizaremos, neste ano, em Brasília, a 10ª edição do Fórum de Jovens Cientistas do BRICS que, em conjunto com o Prêmio Jovem Inovador, possibilita bases para um intercâmbio duradouro entre nossas comunidades científicas. Foram criadas ainda redes de infraestruturas de pesquisa; espaços para permitir a aproximação entre os principais atores dos ecossistemas de inovação; além de fóruns para avançarmos nas melhores práticas em transferência de tecnologia.  

O BRICS é um espaço privilegiado de avanço científico e tecnológico, que evidencia transformações na ordem internacional. Conseguimos construir, nesse pacto do Sul Global, os pilares para uma sociedade que respeita as diferenças, coloca as questões de desenvolvimento no centro da agenda e se une para superar desafios, como as mudanças climáticas, a perda da biodiversidade, emergências em saúde, a fome e os impactos de tecnologias emergentes. 

A expansão recente do BRICS reforça ainda mais o multilateralismo. A partir dos problemas e respostas dos países em desenvolvimento, o agrupamento fortalece o diálogo e a construção conjunta de soluções baseadas em ciência, tecnologia e inovação, tão fundamentais para alcançarmos um mundo sustentável, justo e inclusivo. 

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Leia: Nova Indústria Brasil completa 1 ano com investimentos de R$ 3,4 trilhões https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/02/nova-industria-brasil.html 

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Javier Milei imita Donald Trump e mete o bedelho onde não deve: ataca a a Associação de Futebol Argentino (AFA) por conta da eliminação precoce do River Plate e Boca Juniors na Copa Mundial de Clubes. Ridículo. 

Leia: O golpe financeiro de Milei usando as redes sociais https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/02/milei-na-jogada-da-criptomoeda.html