Palavra de poeta
bolas
de vidro
Cida Pedrosa
sob as patas dos cavalos
o asfalto de vidro
derrapa a farda
os meninos brincam
com bolas de gude
os soldados de chumbo
em posição de ataque
empinam cachorros
e sacam baionetas
as meninas escondem a bailarina
da caixinha de música
os teus olhos encontram os meus
entre nós: lágrimas e caos
chove chuva de sal no sol
é o casamento da raposa
as pernas se movem
em direção ao mar
nos ouvidos
latidos sirenes solidão
asas nos transportam para a aurora
o capibaribe é ponto de esconder
as pontes são pontes de arribação
[Ilustração: David Alfaro Siqueiros]
Leia também: Tática e estratégia", poema de Mario Benedetti https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/palavra-de-poeta_01981889074.html
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