30 agosto 2023

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O esperneio norte-americano na cena mundial em transição para a multipolaridade chega a ser insano. Põe 1/4 da economia mundial sob sanções econômicas e financeiras e vê o dólar como padrão cada vez mais questionado.

O PCdoB na luta institucional: se você não viu, pode ver agora https://tinyurl.com/yc5p4bw5

29 agosto 2023

O PCdoB na luta institucional

Luciano Siqueira e Devson Magalhães debatem a participação dos comunistas na frente institucional - parlamentos e governos.
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A vida real a cores https://tinyurl.com/35yp9kjm

Uma crônica de Ruy Castro

Vivos para sempre

Como seriam as continuações de clássicos do cinema com seus atores originais, mesmo já mortos?
Ruy Castro/Folha de S. Paulo

 

Ouço dizer que, com a Inteligência Artificial, astros do cinema já mortos voltarão espetacularmente a trabalhar. A IA poderá reproduzi-los como eram sem reciclar material pré-existente, como fizeram com Harrison Ford, 80 e quebrados, que ressurgiu jovem e pimpão num recente épico. Donde será possível produzir continuações de clássicos do cinema com os atores originais, mostrando o que aconteceu com os personagens depois do "The end".

Com "Casablanca" (1942), é fácíl. Já sabemos que, depois de botar Ingrid Bergman e o marido naquele vôo para Lisboa, Humphrey Bogart e o chefe de polícia vivido por Claude Rains informam que ali era o começo de uma bela amizade e que iriam embora de Casablanca. No novo filme, eles assumirão que será em lua de mel e que virão para o Rio, já cheio de refugiados europeus e onde certamente encontrarão conhecidos. Se serão felizes para sempre, fica por conta do roteirista.

E uma continuação de "Um Corpo que Cai" (1958)? Depois de perder Kim Novak pela segunda vez, James Stewart é reinternado na clínica para se recuperar e, ao receber alta, encontra outra mulher igualzinha a Kim. Descobre que, de novo, é a mesma Kim e que ela também não caíra daquela torre, e sim mais uma dublê. Mas, desta vez, Stewart não quer se arriscar a mais uma decepção. Sobe à Golden Gate e se joga lá de cima na baía de San Francisco —desculpe o spoiler.

E como seria um pós-"E.T." (1981)? O querido extraterrestre chegou ao seu planeta e o encontrou destruído por uma guerra nas estrelas. Resolve então voltar para a Terra e abrir em Orlando, Flórida, um parque de diversões com as bicicletas voadoras, que ele controla mentalmente. Só que, um dia, chega a Orlando um ex-presidente brasileiro. Ele corrompe o E.T. e, com a mente deste abalada, as bicicletas começam a cair. O parque vai à falência e E.T. faz uma delação premiada no FBI.

Ok, são só sugestões.

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Governador de São Paulo, Tarcísio Freitas, mantém homenagem a Erasmo Dias, truculento personagem da ditadura militar. Se elegermos daqui a três anos um governador democrata, essa mácula institucional será enfim suprimida.

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Foi golpe

A tese, defendida por órgãos da grande mídia, de que a presidenta Dilma não foi afastada por um golpe, mas pelo mau desempenho da economia e por sua incapacidade de lidar com o Congresso é primária e agride a Constituição. A prerrogativa de descontinuidade do governo cabe aos eleitores no pleito seguinte e não na adoção do impeachment. Sem dúvida, defender semelhante tese é ser partidário de um golpe.

Sylvio Belém

Enio Lins opina

Duas bandas antagônicas nos mesmos fardamentos

Enio Lins*



Forças armadas fazem parte da história, e estão presentes em quaisquer sociedades desde tempos imemoriais. Até os índios recepcionaram os europeus aqui chegantes com seus guerreiros pintados em gestual marcial.

Por falar em povos originários deste nosso Brasil, o guerreiro nativo era valorizado a ponto de ser literalmente comido em rituais de absorção da valentia, e de outras qualidades, da pessoa armada – assim retratou Hans Staden.

Em 1557, retornado à Alemanha, Hans Staden publicou “História verdadeira ....” contando suas aventuras num Brasil recém-descoberto. Esse livro virou best seller na Europa ao descrever o ritual tupinambá de antropofagia.

MILICOS E A CIVILIDADE

Militares, dependendo do caso, podem ser um mal desnecessário ou um bem utilitário. Na tentativa de golpe em 8 de janeiro, entre fardados, uns participaram da subversão e da desordem, outros garantiram a ordem.

Só para ficarmos do Século XX pra cá, temos exemplos notáveis como Marechal Rondon, Marechal Lott, capitão Sérgio “Macaco”, brigadeiro Othon Correia, Almirante Aragão – a querida Major Elza Cansanção – pessoas do bem e de coragem.

Reconhecendo méritos até em oficiais golpistas de 1964, é-se indispensável ressaltar a capacidade estratégica e firmeza de milicos (de direita) como o general Golbery, general Geisel, coronel Jarbas Passarinho, major Heitor Ferreira...

Não listei nesse rol nenhum nome que tenha tido militância à esquerda, como o capitão Lamarca ou o tenente R2 Osvaldão, muito menos o capitão Luiz Carlos Prestes. Não se trata de puxar a brasa pra sardinha canhota.

Não pretendo sujar essas linhas mais do que o necessário com nomes abomináveis como Ustra, torturador covarde que os próprios comandantes de 64 evitaram, a todo custo, que alcançasse o generalato ainda na ativa.

CONTEMPORANEIDADE DÚBIA

Desde que a maioria do comando militar decidiu distender (como diria Geisel e Golbery) numa “meia-volta volver” ao Estado Democrático de Direito, a direita extremada na caserna pratica a subversão aberta e ofensiva.

Essa dubiedade pode ser aferida nas atitudes dos generais Geisel e Figueiredo, condutores do processo de abertura. Em relação à extrema-direita, Geisel foi duro e disciplinador. Figueiredo foi dúctil e conivente.

Geisel não hesitou em afastar o comandante do II Exército, general Ednardo d’Ávila, em 1976, quando da repetição do desrespeito à ordem de pôr fim aos assassinatos políticos, na sequência das mortes de Vladmir Herzog e Manuel Fiel Filho.

Geisel demitiu sumariamente seu ministro do Exército, general Sílvio Frota, em 1977, quando percebeu a articulação desse poderoso oficial no sentido de manter o poder para a banda podre das Forças Armadas.

LENIÊNCIA E CUMPLICIDADE

Figueiredo, na presidência, cumpriu o compromisso de devolver o poder aos civis, mas conciliou com a escalada de terrorismo orquestrada pela banda podre remanescente dos “porões da ditadura”.

Sob a omissão (ou cumplicidade) do general-presidente Figueiredo, os atentados às bancas de jornais evoluíram até a bomba que matou a secretária da Ordem dos Advogados do Brasil, Dona Lyda Monteiro, em 27 de agosto de 1980.

Figueiredo foi conivente com o ato terrorista-militar no Dia do Trabalho, em 1981, quando ao manipular uma bomba, o sargento Guilherme do Rosário a explodiu no colo, o matando e ferindo seu cúmplice, capitão Wilson Machado.

Nenhum desses criminosos, afastados ou não de seus postos, foi responsabilizado, muito menos punido de acordo com a Lei. Apesar de desmoralizados, seguiram suas carreiras, poucos optaram pela Reserva.

CONSEQUÊNCIAS DESASTROSAS

No alvorecer da Redemocratização, a banda podre passou a afrontar a banda disciplinada das Forças Armadas. O general Leônidas Pires Gonçalves, fiador do processo democrático e defensor do profissionalismo, virou alvo.

Ministro do Exército do primeiro governo civil depois de 1964, o general Leônidas foi fundamental, inclusive, na garantia da posse de José Sarney, em 15 de março de 1985, frente à impossibilidade de Tancredo Neves assumir o cargo.

Grupelhos fardados passaram a afrontar o ministro do Exército e, naquele quadro de quebra de hierarquia se destacou um oficial carioca, dito “treinado para matar”, que achou melhor jair se contrapondo a seus superiores.

Preso, entre outros delitos disciplinares, por ter ameaçado explodir alvos civis e militares, Jair desdisse o dito e choramingou para não ser punido. Livrou-se, numa sentença não-unânime e seguiu, livre, civil e solto em sua pregação antidemocrática.

Essa conciliação abjeta com um oficial covarde, indisciplinado e com ideias terroristas está dando no que estamos vendo nos dias em curso: militares traficando cocaína em aviões da FAB, oficiais receptando joias, e mais...

Mais, muito mais: oficiais envolvidos em tentativas de fraudar as eleições e em golpes contra o Democracia, oficiais defendendo um ex-militar confessadamente delituoso, acintosamente miliciano, e o saudando como “mito”.

A BANDA SAUDÁVEL

Por outro lado, não foram vistos todos os rostos da maioria de militares que recusaram o convite golpista e se posicionaram ao lado da Constituição, da Democracia, da disciplina e do profissionalismo. Mas estão em maioria, óbvio.

Essa banda saudável das Forças Armadas, porém, não é a questão fundamental para o futuro. Essencial mesmo é enfrentar e extirpar a banda podre. Como metástases espalhadas a partir do grande tumor ditatorial do passado recente, seguem ameaçando a civilidade, corroendo a disciplina e o profissionalismo militar. Este é o risco, o perigo latente.


*Arquiteto, jornalista, cartunista e ilustrador

Checar e-mail e WhatsApp pode interromper a respiração https://tinyurl.com/jakthkae

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Erra quem imagina que o terraplanismo foi sepultado nas ultimas eleições presidenciais. Derrotado eleitoralmente, segue estrebuchando e influenciando muita gente desavisada ou preconceituosa. Da parte dos democratas, a luta segue.

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