01 outubro 2024

IPEA: previsões otimistas

Ipea revisa para cima crescimento do PIB e aposta em 3,3% para 2024
Em relatório, equipe responsável aponta como fatores positivos o impacto menor do que o esperado das enchentes no RS sobre a economia e o aumento na massa salarial
Priscila Lobregatte/Vermelho  

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revisou para cima o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2024. Anteriormente projetado em 2,2%, agora o índice esperado é de 3,3%. Para 2025, a estimativa também foi alterada, passando de 2,3% para 2,4%. 

“O resultado registrado pelo PIB no segundo trimestre de 2024, com avanço de 1,4% em relação ao primeiro trimestre de 2024 (isto é, na margem) e de 3,3% em relação ao segundo trimestre de 2023 (isto é, na comparação interanual), se mostrou significativamente maior do que havíamos previsto”, apontam Claudio Roberto Amitrano, Mônica Mora Y Araujo e Claudio Hamilton Matos dos Santos, na Carta de Conjuntura, do Grupo de Conjuntura da Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Ipea. 

Além disso, eles observam que “os dados surpreenderam também as expectativas do mercado, cuja mediana mostra­va um avanço esperado de 0,9% na margem”. 

Dentre os aspectos apontados para a revisão no quadro previsto, o Ipea destaca o impacto menor do que o esperado dos efeitos das enchentes no Rio Grande do Sul sobre a economia. Segundo eles, a catástrofe gerou, na seara econômica, apenas “volatilidade ao longo do segundo trimestre – com quedas acentuadas em maio seguidas de fortes crescimentos em junho”. 

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Além disso, lista um conjunto de outros fatores que influenciam a economia. O primeiro é “a redução das exportações líquidas, com as importações crescendo mais rapidamente do que as expor­tações após um 2023 atípico por conta de recordes na produção agropecuária e extrativa mineral”, anota.

Ponto positivo salientado pelos pesquisadores foi o crescimento da massa salarial ampliada, “puxada por um mercado de trabalho aquecido e por aumentos nos gastos com benefícios de previdência e assistência social pagos pelo governo – com rebatimentos sobre o desempenho do consumo das famílias”. 

O terceiro aspecto que incide na economia é o “baixo dinamismo na margem da produção agropecuária, após um 2023 de produção recorde e problemas climáticos”. 

O documento chama atenção, ainda, para o consumo das admi­nistrações públicas, puxado pelos gastos de estados e, principalmente, municípios respondendo ao aumento da tributação, seja por meio de repasses da União ou pelo crescimento do ICMS e do ISS. 

Ao concluir, aborda a recuperação da Formação Bruta de Capital Fixo. A FBCF é, segundo o próprio Ipea, a operação do Sistema de Contas Nacionais (SCN) que registra a ampliação da capacidade produtiva futura de uma economia por meio de investimentos correntes em ativos fixos. 

“Embora nenhum dos referidos vetores esteja imune a choques negativos em um trimestre ou outro, tomados em conjunto, eles deixavam claro já em junho, tanto para o Grupo de Conjuntura do Ipea quanto para a maior parte dos analistas, que a economia deveria crescer significativamente em 2024, puxada pela demanda interna, e a despeito das notícias negativas vindas do Sul”. 

Segundo os analistas, “à luz dos referidos dados não faz mais sentido, portanto, supor que a economia crescerá 2,20% em 2024, de modo que o Grupo de Conjuntura do Ipea optou por rever a previsão do crescimento do PIB em 2024 para 3,30%, mesmo com o anúncio pelo Copom do Banco Central do Brasil (BCB) do aumento da taxa Selic para 10,75% no dia 18 de setembro deste ano”. 

Juros e inflação

Quanto aos juros e à expectativa com relação à inflação, a Carta afirma que “embora o novo ciclo de alta da taxa de juros recém-iniciado no Brasil tenha efeitos contracionistas claros, há bons motivos para achar que possa ser curto, servindo principalmente para alinhar as expectativas”. 

Neste cenário, continua, “a perspectiva de crescente diferencial de juros praticados no Brasil e nos Estados Unidos acalmaria o mercado de câmbio, aliviando com isso pressões inflacionárias, e a economia desaqueceria para o patamar de 2,4% de crescimento anual ao longo de 2025”. 

Considerando esse quadro, a piora das condições climáticas e as expectativas de reversão da queda da inflação de serviços verificada ao longo de 2023 e do primeiro semestre deste ano “levaram o grupo a aumentar a expectativa de inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2024 para 4,4%, número esse que, no cenário de referência supracitado, cairia para 3,9% em 2025”. 

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China, 75 anos (1)

75º aniversário marca um marco e prelúdio na modernização chinesa
Global Times  


Celebraremos o 75º aniversário da fundação da República Popular da China (RPC) em 1º de outubro. Este é outro ano importante para aprofundar de forma abrangente a reforma, um ano-chave para concretizar as metas e tarefas do 14º Plano Quinquenal para o período de 2021-25, o 70º aniversário do Congresso Nacional do Povo e o 75º aniversário da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. Juntas, essas marcas de tempo atribuem ainda mais significado rico ao ano de 2024. Parados neste ponto histórico e olhando para trás, podemos ver como a RPC deu um grande salto de se levantar e crescer próspera para se tornar forte em meio a constantes lutas e dificuldades, provando a viabilidade e superioridade do caminho chinês para a modernização com fatos eloquentes.

Para cada chinês, o orgulho de maior abundância material e espiritual trazida pela modernização chinesa é muito vívido e animado, e o curso glorioso de 75 anos é um todo grandioso e tão concreto quanto cada detalhe do desenvolvimento do país, refletindo em todos os aspectos da vida das pessoas. Aderir à modernização chinesa centrada nas pessoas tem melhorado continuamente o senso de ganho, felicidade e segurança das pessoas. O PIB da China continuou a crescer e, em 2023, era 223 vezes maior do que em 1952, calculando a preço constante, com uma taxa média de crescimento anual de 7,9%. O PIB per capita da China aumentou significativamente e a força nacional abrangente do país cresceu para a posição mais alta do mundo. A China obteve uma vitória abrangente na batalha contra a pobreza e fez contribuições notáveis ​​para o alívio global da pobreza. A expectativa de vida média da China aumentou significativamente, e os sistemas de serviços públicos, como educação, assistência médica e previdência social, foram melhorados. Os frutos da modernização chinesa foram efetivamente transformados em uma qualidade de vida visível e tangível para as pessoas comuns.

Promover a modernização chinesa é um empreendimento pioneiro que nunca foi feito antes. Como o Secretário-Geral do Comitê Central do Partido Comunista da China (PCC), Xi Jinping, destacou: "Nossa modernização é a mais desafiadora e a maior." No início da Primeira Revolução Industrial, a população do Reino Unido era inferior a 6 milhões, enquanto durante a Segunda Revolução Industrial, a população dos EUA era inferior a 80 milhões. Em 2019, a população total de países e regiões que atingiram a modernização ao redor do mundo era inferior a 1 bilhão.

Para mais de 1,4 bilhão de pessoas na China, entrar coletivamente em uma sociedade modernizada é uma escala maior do que a população combinada de todos os países desenvolvidos, e isso remodelará completamente o mapa mundial da modernização. É um evento significativo na história humana com um impacto de longo alcance. Alguns jovens dizem: "Temos muita sorte de nascer na China", o que reflete sua consciência e orgulho em fazer parte do processo de modernização chinesa.

A modernização chinesa mudou não apenas a China, mas também o mundo inteiro. Relatórios da ONU mostram que houve um progresso significativo na redução da pobreza global nas últimas décadas, e isso se deve principalmente às contribuições da China. Medido pelo padrão de pobreza extrema do Banco Mundial de US$ 1,90 por pessoa por dia, a China reduziu sua população pobre em cerca de 800 milhões nos últimos 40 anos, respondendo por quase 75% da redução da pobreza global durante esse período. Em 2021, a China anunciou que os últimos 98,99 milhões de moradores rurais empobrecidos que viviam sob o padrão atual foram todos retirados da pobreza e que a China havia trazido uma resolução histórica para o problema da pobreza absoluta, completando a construção de uma sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos. Desde o 18º Congresso Nacional do PCC, a economia da China deu saltos históricos, contribuindo com mais de 30% para o crescimento econômico global em média. Ao construir novos sistemas de uma economia aberta de padrão mais alto, a China se tornou um importante parceiro comercial para mais de 140 países e regiões, fornecendo estabilidade e elementos construtivos para a paz global.

No contexto da civilização humana, 75 anos é apenas um breve momento, mas impactou profundamente os padrões de desenvolvimento global e o curso da história mundial. A China quebrou o mito de que "modernização é igual a ocidentalização", apresentando uma visão alternativa de modernização e expandindo os caminhos para os países em desenvolvimento alcançarem a modernização. Isso ofereceu uma solução chinesa para a busca da humanidade por melhores sistemas sociais.

Durante a Cúpula de 2024 do Fórum sobre Cooperação China-África realizada em Pequim, a BBC publicou um artigo explorando a questão: Como a China ganhou o apoio dos países africanos sem "pregar" para eles? O fato é que a China não depende de forças externas ou copia cegamente modelos estrangeiros; em vez disso, ela segue leis gerais de modernização enquanto explora independentemente um caminho de modernização com características chinesas, que naturalmente une países do "Sul Global". Contribuir significativamente para o progresso da civilização humana reflete a ampla visão global da China.

Xi destacou: "Em que confiamos para unir ainda mais nossos corações e mentes na nova jornada? É a modernização chinesa." O 75º aniversário da fundação da RPC é um marco na jornada de modernização chinesa e um prelúdio para novas conquistas e esforços históricos. O povo chinês não descansará sobre os louros nem sucumbirá à pressão externa e estagnará. É tanto a determinação e o objetivo do partido governante quanto o entendimento e a ação comuns do povo de todos os grupos étnicos na China para avançar a modernização da China - um grande empreendimento sem precedentes na história humana e para atuar como firmes praticantes e realizadores da modernização chinesa.

Leia também: Brasil + China https://lucianosiqueira.blogspot.com/2023/06/brasilchina.html

Onde a direita avança

Áustria: por que os neofascistas venceram
No país de imigração mais intensa da Europa, ajuste fiscal produziu recessão, crise nos serviços públicos e desencanto. Apegados aos dogmas econômicos, liberais seguem incapazes de mudar de rumo. Partidos vitoriosos não têm alternativa
Michael Roberts/Tradução Antonio Martins/Outras Palavras    

No domingo, a Áustria elegeu o seu parlamento. Os 183 membros do Conselho Nacional são escolhidos por representação proporcional de lista aberta em três níveis: uma única circunscrição nacional, nove circunscrições baseadas nos estados federais e 39 circunscrições regionais. As cadeiras são distribuídos para as circunscrições regionais com base nos resultados do censo mais recente. Para que os partidos recebam alguma representação no Conselho Nacional, eles devem vencer pelo menos uma cadeira diretamente em uma circunscrição ou superar o limite eleitoral nacional de 4%. Cerca de 6,3 milhões de austríacos adultos podem votar.

Eis os resultados: o Partido da Liberdade (FPÖ), neofascista e fundado nos anos 1950 por ex-oficiais da SS, foi o mais votado, com 28,9% dos votos (57 cadeiras), pouco acima do Partido do Povo (ÖVP), que teve 26,3% (51 cadeiras), hoje o sócio maior da coalizão no poder, formada também pelos Verdes. Os social-democratas (SPO) ficram em terceiro lugar, como 21% (41 cadeiras), seguidos dos Liberais (9,11% | 18 cadeiras) e Verdes (8,19% | 16). O líder do FPÖ, Herbert Kickl quer ser o chanceler (primeiro ministro) e usa o termo “Volkskanzler,” ou chanceler do povo, como fizeram os nazistas e Adolf Hitler nos anos 1930.

Se o FPÖ obtiver o maior número de votos, poderá estar em posição de liderar um novo governo – porém até agora os líderes do ÖVP e dos Social-democratas estão se recusando a formar uma coalizão com ele (embora os conservadores tenham sugerido que poderiam, se o atual líder do FPÖ, Herbert Kickl, não fizer parte do governo). O resultado mais provável é uma coalizão ÖVP-FPÖ ou, pela primeira vez, uma aliança tripla do ÖVP com o SPO e, ou os liberais NEOS, ou os Verdes.

A ascensão do FPÖ não é novidade. Ele foi o sócio menor numa coalizão com o ÖVP, que esteve no governo da década de 2010. Mas isso desmoronou quando ambos partidos se envolveram em um escândalo de corrupção que derrubou o governo e seu chanceler do FPÖ em 2019. Agora, em toda a Europa, partidos de extrema-direita estão ganhando terreno em resposta à chamada “ameaça” da imigração e à estagnação econômica em muitas economias europeias. Em junho, o FPÖ foi pela primeira vez o maior partido nas eleições para o Parlamento Europeu, que também trouxe ganhos para outros partidos de extrema-direita na Europa.

A Áustria tem apenas 9 milhões de habitantes, mas na última década o país acolheu mais refugiados per capita do que qualquer outro da União Europeia, alimentando o ressurgimento do FPÖ. O FPÖ evoluiu para uma espécie de partido “populista” anti-imigrante e anti-Islã, repetindo o que ocorre em outras partes da Europa. O FPÖ quer acabar com a imigração e “reemigrar” imigrantes para seus países de origem. “A reemigração já demorou demais!” proclama Kickl. O FPÖ também sugere a saída da UE, ou “Öxit”, uma versão austríaca do Brexit.

Mas, como em outras partes da Europa, o crescente apoio a partidos de extrema-direita anti-imigração está muito relacionado com a estagnação nas principais economias e com a alta inflação, que corrói o padrão de vida. Pode-se dizer que quando a Alemanha está gripada, a Áustria pega uma pneumonia. E a Alemanha está sofrendo com uma gripe econômica muito forte agora. Como resultado, o impacto na Áustria é pesado.

O crescimento real do PIB da Áustria está, no melhor dos cenários, estagnado. Ironicamente, se não fosse pela imigração (+6,3% em 2011-2020), o PIB real teria caído drasticamente, já que a população doméstica está encolhendo e envelhecendo. A Áustria terá o terceiro maior custo relacionado à velhice como porcentagem do PIB na União Europeia até 2030.

Além disso, a Áustria ainda está enfrentando alta inflação, com média de 4,2% nos últimos 12 meses, superando a média da UE. A inflação permanece alta porque a Áustria foi forçada a reduzir suas importações de gás russo barato como parte das sanções da UE contra a Rússia, por causa da Ucrânia. A Áustria está no meio do caminho entre o comércio com a Rússia e com a Europa Ocidental.

A economia estava em plena recessão em 2023. O banco central austríaco, o OeNB, agora espera que ela “se estabilize” este ano, com um crescimento real do PIB de apenas 0,3%. Mesmo isso parece otimista. O PIB da Áustria caiu 0,6% no segundo trimestre de 2024, após uma contração revisada para baixo de 1% no primeiro trimestre. A recessão continua. O capital austríaco está sofrendo. A manufatura está em profunda recessão (qualquer valor abaixo de 50 no gráfico a seguir significa contração), assim como na Alemanha.

O crescimento real do PIB per capita da Áustria estagnou nacionalmente entre 2011 e 2020 e foi inferior à média da UE (0,6%) em todas as regiões. A produtividade do trabalho está estagnada ou diminuindo na maioria das regiões. Isso ocorre porque o investimento produtivo continua encolhendo, após uma queda de 2,3% em 2023.

O capital austríaco está sendo pressionado porque, além da queda da produtividade do trabalho, os salários dos trabalhadores organizados da Áustria estão subindo, sendo o aumento salarial mais rápido da Europa este ano. Os trabalhadores tentam recuperar as perdas de renda real que sofreram devido às altas taxas de inflação após a Covid. Embora os salários devam aumentar 8,5% este ano, isso ainda não compensa os anos anteriores de alta inflação. E, embora o desemprego ainda esteja perto dos mínimos, os novos empregos são em sua maioria de meio período, sem perspectivas permanentes de carreira e mal remunerados.

Por trás da queda do investimento produtivo e da produtividade do trabalho está a queda da lucratividade do capital austríaco, refletindo o que ocorre na Alemanha. O aumento no início dos anos 2000 deu lugar a um declínio acentuado na década de 2010, acelerando desde a Covid.

Quais são as soluções oferecidas pelos partidos para essa estagnação econômica? O FPÖ tem uma mistura de políticas neoliberais, pró-mercado, com algum apoio para os austríacos mais velhos, geralmente seus eleitores, como o aumento das taxas de aposentadoria do Estado. O FPÖ quer “mais desregulamentação” e redução de impostos, incluindo a redução do imposto sobre para pequenos negócios – de 23% para 10%; e o fim das medidas “verdes”, eliminando um imposto sobre emissões de carbono introduzido em 2022. Defende o controle de preços durante períodos de inflação severa em alimentos, aluguéis e energia, bem como a redução do imposto sobre consumo de itens essenciais. E quer manter as importações de energia russa.

O conservador ÖVP quer praticamente as mesmas coisas que o FPÖ, exceto que deseja manter as sanções da UE à Rússia, promovendo a energia renovável. Os social-democratas querem alguns novos impostos sobre os ricos para financiar cortes de impostos para o restante dos austríacos, além de aumentar o imposto sobre as empresas e aplicar uma taxa única sobre as companhias de energia e os bancos; com uma empresa estatal para investir em energia renovável e reduzir a dependência do gás russo.

Nenhuma dessas políticas oferece qualquer probabilidade de aumentar as taxas de investimento ou a produtividade, muito menos de aumentar os rendimentos reais da maioria dos austríacos. Portanto, qualquer coalizão formada após esta eleição, seja liderada pelo FPÖ ou pelo ÖVP, mudará muito pouca coisa.

Leia sobre a resistência na Finlândia https://lucianosiqueira.blogspot.com/2024/06/resistencia-finlandesa.html

Neocolonialismo hoje

Ensaio sobre o Tecnofascismo
Relações sociais criadas nas últimas décadas remetem aos campos nazistas. Agora, explorados estão tão submetidos, material e psiquicamente, que a solidariedade torna-se quase impossível. Este inferno tragará até as classes médias do Ocidente
Franco ‘Bifo’ Berardi, no CTXT | Tradução: Rôney Rodrigues/Outras Palavras  

“Caliban: Você me ensinou a língua
e meu benefício é que eu sei amaldiçoar.
“A peste vermelha leva você por me ensinar sua língua.”
Shakespeare: A Tempestade

Colonialismo histórico: extrativismo de recursos físicos

A história do colonialismo é uma história de depredação sistemática do território. O objeto da colonização são os locais físicos ricos em recursos de que o Ocidente colonialista necessitava para a sua acumulação. O outro objeto da colonização são as vidas de milhões de homens e mulheres explorados em condições de escravatura no território sujeito ao domínio colonial, ou deportados para o território da potência colonizadora. 

Não é possível descrever a formação do sistema capitalista industrial na Europa sem ter em conta o fato de que este processo foi precedido e acompanhado pela subjugação violenta de territórios não europeus e pela exploração em condições de escravatura da força de trabalho subjugada em os países colonizados ou deportados para países dominantes. O modo de produção capitalista nunca poderia ter sido estabelecido sem extermínio, deportação e escravidão.

Não teria havido desenvolvimento capitalista na Inglaterra da era industrial se a Companhia das Índias Orientais não tivesse explorado os recursos e o trabalho dos povos do continente indiano e do Sul da Ásia, como relata William Dalrymple em The Anarchy, The relentless rise of the East India Company (2019).

Não teria havido desenvolvimento industrial em França sem a exploração violenta da África Ocidental e do Magreb, para não mencionar os outros territórios sujeitos ao colonialismo francês entre os séculos XIX e XX. Não teria havido desenvolvimento industrial do capitalismo estadunidense sem o genocídio dos povos nativos e sem a exploração escravista de dez milhões de africanos deportados entre os séculos XVII e XIX.

A Bélgica também construiu o seu desenvolvimento na colonização do território congolês, acompanhada por um genocídio de brutalidade inimaginável. Martin Meredith escreve a esse respeito:

“A fortuna do rei Leopoldo veio da borracha bruta. Com a invenção dos pneus, para bicicletas e depois para automóveis, por volta de 1890, a procura pela borracha cresceu enormemente. Utilizando um sistema de trabalho escravo, as empresas que detinham concessões e partilhavam os seus lucros com Leopoldo saquearam das florestas equatoriais do Congo toda a borracha que puderam encontrar, impondo cotas de produção aos aldeões e fazendo reféns quando necessário. Aqueles que não cumpriram as suas cotas eram chicoteados, presos e até mutilados, cortando-lhes as mãos. Milhares de pessoas morreram resistindo ao regime da borracha de Leopoldo. Muitos mais tiveram que abandonar as suas aldeias…” (Martin Meredith: The State of Africa, Simon & Schuster, 2005, p. 96).

Muitos autores contemporâneos insistem nesta prioridade lógica e cronológica do colonialismo sobre o capitalismo. 

“A era das conquistas militares precedeu em séculos o surgimento do capitalismo. Foram precisamente estas conquistas e os sistemas imperiais que delas derivaram que promoveram a ascensão imparável do capitalismo” (Amitav Gosh: La maldición de la nuez moscada, p. 129).

E segundo Cedric Robinson: “A relação entre o trabalho escravo, o tráfico de escravos e a formação das primeiras economias capitalistas é evidente” ( Marxismo Negro ).

Poucos, porém, observaram como as técnicas utilizadas pelos países liberais para subjugar os povos do Sul global são exatamente as mesmas utilizadas pelo nazismo de Hitler nas décadas de 1930 e 1940, com a única diferença de que Hitler usou técnicas de extermínio contra a população europeia, e contra os judeus que eram parte integrante da população europeia.

Um desses poucos é, surpreendentemente, o ex-secretário de Estado dos EUA Zbigniew Brzeziński que, num artigo de 2016 intitulado Rumo a um realinhamento global, teve a honestidade intelectual de escrever: “Massacres periódicos deram origem, nos últimos séculos, a extermínios comparáveis aos dos nazistas durante a Segunda Guerra Guerra Mundial”. O artigo de Brzezinski conclui com estas palavras: “Tão impressionante quanto a escala destas atrocidades é a rapidez com que o Ocidente as esquece.”

A memória histórica é muito seletiva quando se trata dos crimes da civilização branca. Em particular, a memória do extermínio das populações não europeias não recebe atençãe não faz parte da memória coletiva, enquanto um culto obrigatório é dedicado à Shoah em todos os países ocidentais.

A civilização branca considera Hitler como o Mal Absoluto, enquanto os britânicos Warren Hastings e Cecil Rhodes, o alemão Lothar von Trotha, exterminador do povo Herrero, ou o rei Leopoldo II da Bélgica são esquecidos, se não perdoados, pela memória branca.

Como o general Rodolfo Graziani, torturador da Líbia e da Etiópia, que foi gravemente ferido num ataque em Adis Abeba, mas infelizmente salvou a sua vida, e que depois da guerra foi perdoado pelo governo italiano para que pudesse tornar-se presidente honorário do Movimento Social Italiano, o partido dos assassinos que agora governa novamente em Roma.

Exterminaram populações inteiras para impor o domínio econômico da Grã-Bretanha, Bélgica, Alemanha ou França, para não mencionar a Itália. Porém, não são lembrados, pois só Hitler merece ser execrado para sempre, já que suas vítimas não tinham pele negra.

Quanto aos exterminadores dos povos das pradarias norte-americanas, são mesmo objeto de um culto heróico que Hollywood decidiu celebrar.

A colonização agiu de forma irreversível não só a nível material, mas também a nível social e psicológico. Contudo, o principal legado do colonialismo é a pobreza endêmica de áreas geográficas que foram saqueadas e devastadas a tal ponto que não conseguem escapar à sua condição de dependência. A devastação ecológica de muitas áreas africanas e asiáticas empurra hoje milhões de pessoas à procura refúgio através da emigração. Depois, encontram a nova face do racismo branco: a rejeição, ou uma nova escravatura, como ocorre na produção agrícola ou no setor da construção e logística em países europeus.

Dado que o processo de descolonização não conseguiu transformar a soberania política em autonomia econômica, cultural e militar, o colonialismo surge no novo século com novas técnicas e modalidades, essencialmente desterritorializadas, embora as formas territoriais do colonialismo não sejam anuladas pela soberania formal dos que desfrutam (por assim dizer) dos países do Sul global.

Com o termo hipercolonialismo refiro-me precisamente a estas novas técnicas, que não suprimem as antigas baseadas no extrativismo e no roubo (de petróleo ou de materiais essenciais para a indústria eletrônica, como o coltan [de onde se extrai o nióbio e o tântalo]), mas antes dão origem a uma nova forma de extrativismo que tem a rede digital como meio e como objeto tanto os recursos físicos da força de trabalho capturada digitalmente quanto os recursos mentais dos trabalhadores que permanecem no Sul global, mas produzem valor de forma desterritorializada, fragmentada e tecnicamente coordenada.

Hipercolonialismo: extrativismo de recursos mentais

Desde que o capitalismo global foi desterritorializado através das redes digitais e da financeirização, a relação entre o Norte e o Sul globais entrou numa fase de hipercolonização.

A extração de valor do Sul global ocorre em parte na esfera semiótica: captura digital de mão de obra muito barata, escravatura digital e criação de um circuito de trabalho escravo em setores como a logística e a agricultura. Estes são alguns dos modos de exploração hipercolonial integrados no circuito do Semiocapital.

A escravatura – que há muito consideramos um fenômeno pré-capitalista e que foi uma função indispensável da acumulação original de capital – reaparece hoje de forma generalizada e onipresente graças à penetração do comando digital e da coordenação desterritorializada. A linha de montagem do trabalho foi reestruturada de forma geograficamente deslocalizada: os trabalhadores que dirigem a rede global vivem em locais a milhares de quilómetros de distância, pelo que não conseguem lançar um processo de organização e autonomia.

A formação de plataformas digitais lançou sujeitos produtivos que não existiam antes da década de 1980: uma força de trabalho digital que não consegue se reconhecer como sujeito social devido à sua composição interna.

Este capitalismo de plataforma funciona em dois níveis: uma minoria da força de trabalho dedica-se à concepção e comercialização de produtos imateriais. Cobram salários elevados e se identificam com a empresa e com os valores liberais. Por outro lado, um grande número de trabalhadores geograficamente dispersos dedica-se a tarefas de manutenção, controle, etiquetagem, limpeza, etc. Trabalham online por salários baixíssimos e não possuem nenhum tipo de representação sindical ou política. No mínimo, não podem sequer ser considerados trabalhadores, porque estas formas de exploração não são de forma alguma reconhecidas e os seus escassos salários são pagos de forma invisível, através da rede celular. No entanto, as condições de trabalho são geralmente brutais, sem horários ou direitos de qualquer tipo.

O filme The Cleaners (2018), de Hans Block e Moritz Riesewick, narra as condições de exploração e esgotamento físico e psicológico a que está submetida esta massa de semitrabalhadores precários, recrutados online segundo o princípio da plataforma Mechanical Turk, criadas e gerida pela Amazon.

Entre os anos 1990 e a primeira década do novo século, formou-se esta nova força de trabalho digital, operando em condições que tornam quase impossíveis a autonomia e a solidariedade.

Houve tentativas isoladas de trabalhadores digitais de se organizarem em sindicatos ou de contestarem as decisões das suas empresas. Penso, por exemplo, na revolta de oito mil trabalhadores do Google contra a subordinação ao sistema militar.

Estas primeiras demonstrações de solidariedade ocorreram, no entanto, onde a força de trabalho digital está reunida em grande número e recebe salários elevados. Mas, em geral, o trabalho em rede parece não regulamentado, porque é precário, descentralizado e porque, em grande medida, ocorre em condições de escravidão.

No livro Os afogados e os sobreviventes, Primo Levi escreve que quando foi internado no campo de extermínio “ele esperava pelo menos a solidariedade entre os companheiros de sofrimento”, mas depois teve que reconhecer que os internados eram “mil mônadas seladas, entre as que há uma luta desesperada, oculta e contínua.” Esta é a “zona cinzenta” onde a rede de relações humanas não se reduz a vítimas e perseguidores, porque o inimigo estava por perto, mas também por dentro.

Em condições de extrema violência e terror permanente, cada indivíduo se vê forçado a pensar constantemente na sua própria sobrevivência e é incapaz de criar laços de solidariedade com outras pessoas exploradas. Tal como nos campos de extermínio, como nas plantações de algodão dos estados escravistas da Terra da Liberdade, também no circuito escravista imaterial e material que a globalização digital contribuiu para criar, as condições de solidariedade parecem estar banidas.

É o que eu chamaria de Hipercolonialismo, função dependente do Semiocapitalismo: extração violenta de recursos mentais e de tempo de atenção em condições de desterritorialização.

Hipercolonialismo e migração. O genocídio que vem

Mas o Hipercolonialismo não é apenas a extração do tempo mental, mas também o controle violento dos fluxos migratórios resultantes da circulação ilimitada de fluxos de informação.

Dado que o Semiocapitalismo criou as condições para a circulação global da informação, em territórios distantes das metrópoles, pode-se receber toda a informação necessária para se sentir parte do ciclo de consumo e do próprio ciclo de produção.

Primeiro se recebe a publicidade, depois um acúmulo ingente de imagens e palavras que buscam convencer todo ser humano da superioridade da civilização branca, da extraordinária experiência que representa a liberdade de consumo e da facilidade com que todo ser humano pode acessar o universo de bens e oportunidades.

Claro que tudo isto é falso, mas bilhões de jovens que não têm acesso ao paraíso publicitário aspiram a colher os seus frutos. Ao mesmo tempo, as condições de vida nos territórios do Sul global tornaram-se cada vez mais intoleráveis, porque estão efetivamente piorando com as mudanças climáticas, mas também porque enfrentam inevitavelmente as oportunidades ilusórias que o ciclo imaginário projeta na mente colectiva.

Assim, por necessidade e desejo, uma massa crescente de pessoas, especialmente jovens, desloca-se fisicamente em direção ao Ocidente, que reage a este cerco com medo, agressão e racismo. Por um lado, a infomáquina envia mensagens sedutoras e chama ao centro, de onde emanam fluxos de atração. Por outro lado, porém, aqueles que acreditam nisso e se aproximam da fonte da ilusão acabam em um processo massacrante.

A população do Norte global, cada vez mais idosa, pouco prolífica, economicamente em declínio e culturalmente deprimida, vê as massas migrantes como um perigo. Temem que os pobres da terra levem a sua miséria às metrópoles ricas. Eles são apresentados como a causa dos infortúnios sofridos pela minoria privilegiada: uma classe de políticos especializados em semear o ódio racial ilude os velhos brancos, fazendo-os acreditar que se alguém pudesse acabar com aquela perturbadora massa de jovens que pressionam as portas da fortaleza, se alguém pudesse eliminá-los, destruí-los, aniquilá-los, então os bons tempos voltariam, os Estados Unidos seriam grande novamente e a moribunda pátria branca recuperaria a sua juventude.

Na última década, a linha que divide o Norte do Sul, a linha que vai da fronteira entre o México e o Texas até ao Mar Mediterrâneo e às florestas da Europa Central e Oriental, se converteu numa zona onde uma guerra infame é travada: o coração turvo da guerra civil mundial. Uma guerra contra pessoas desarmadas, exauridas pela fome e pelo cansaço, atacadas por policiais armados, cães farejadores, fascistas sádicos e, sobretudo, pelas forças da natureza.

Apesar dos cintilantes anúncios de mercadorias que encorajam os idiotas consumistas, e apesar da propaganda dos porcos neoliberais, a lógica do Semiocapital funciona apenas de uma maneira: o Norte global infiltra-se no Sul através dos incontáveis tentáculos da rede: uma ferramenta para capturar fragmentos de trabalho desterritorializado.

Mas a penetração física do Sul, que pressiona para aceder a territórios onde o clima ainda é tolerável, onde há água, onde a guerra ainda não chegou com toda a sua força destrutiva, é repelida pela força e pelo genocídio. Uma parte significativa, senão majoritária, da população branca decidiu entrincheirar-se na fortaleza e utilizar todos os meios para repelir a onda migratória. Os colonialistas de ontem – aqueles que nos séculos passados atravessaram os mares para invadir os territórios-presas – clamam agora contra a invasão, porque milhões de pessoas estão pressionando as fronteiras da fortaleza.

Esta é a principal frente de guerra que se desenvolve desde o início do século e que se expande, assumindo por toda parte os contornos do extermínio. Não é a única frente de guerra: outra frente da caótica guerra mundial é a interbranca, que confronta a democracia liberal imperialista com a soberania autoritária fascista.

A desintegração do Ocidente, e em particular da União Europeia, como resultado da guerra interbranca, corre paralelamente à guerra genocida na fronteira: dois processos distintos entrelaçados no cenário da década de 1920.

Como sair vivo? Esta é a pergunta que todos os desertores se fazem.

Precisamos nos organizar para desertarmos juntos.

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China: ciência & tecnologia

China afirma ter alcançado um feito tecnológico que parecia impossível: tudo feito com aço inoxidável (e muita engenhosidade)
msn.com   

China continua se vangloriando de muitos de seus chamados avanços militares. Pesquisadores chineses afirmam ter encontrado uma maneira de usar aço no cone do nariz de um míssil hipersônico. Isso seria uma grande conquista por vários motivos. Por um lado, porque era considerada uma alternativa quase impossível. Por outro lado, porque poderia levar a projéteis mais baratos.

Uma alternativa inovadora

As ligas de tungstênio são consideradas uma das alternativas mais adequadas para revestir as partes mais quentes dos veículos hipersônicos. Quanto maior a velocidade, lembre-se, maior a temperatura que a aeronave ou os mísseis devem suportar. O tungstênio tem um ponto de fusão de 3.422°C, o que o torna especial. 

O problema? Quando falamos de tungstênio, estamos nos referindo a um metal que não é apenas raro, mas também caro e pesado. Embora as empresas chinesas controlem 85% da produção mundial de tungstênio, o Exército de Libertação Popular (PLA) está considerando alternativas mais baratas e viáveis.

A informação vem do SCMP, que relata que um grupo de pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Pequim, liderado pelo professor Huang Fenglei, revelou o projeto de um míssil hipersônico anti-navio cujo cone do nariz é feito de aço inoxidável.

Mas atingir esse marco, segundo eles, não foi uma tarefa fácil. Um míssil hipersônico pode atingir temperaturas superiores a 3.000°C em determinados pontos de seu voo. O aço, no entanto, começa a se deformar em torno de 1.200°C. Para lidar com essa limitação, os pesquisadores afirmam ter desenvolvido um sistema de proteção térmica. 

Isso envolve adicionar uma camada de cerâmica de temperatura ultra-alta à carcaça de aço do míssil hipersônico. Por baixo dela, haveria uma camada de 5 mm de um isolante térmico chamado aerogel. O resultado? Uma estrutura tão eficaz que pretende-se que ela seja capaz de ser usada em mísseis hipersônicos Mach 8.

Huang, vale ressaltar, tem ligações diretas com o setor de defesa da China. O SCMP observa que ele é vice-diretor de pesquisa de um programa militar secreto, consultor técnico da Comissão Militar Central e, como se isso não bastasse, vice-chefe de uma unidade técnica no Departamento de Desenvolvimento de Equipamentos do PLA.

Leia sobre Brasil + China https://lucianosiqueira.blogspot.com/2023/06/brasilchina.html                                        

Arte é vida: Konstantin Somov

 

Konstantin Somov

Leia: Protocolo Violeta segundo Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2023/05/protocolo-violeta.html 

Palavra de poeta: Jorge Reis-Sá

QUERIA TANTO LIGAR-TE
Jorge Reis-Sá  

Queria tanto ligar-te
que me digas que errei, o que certo fiz
ao pensar-te, onde por esquecer-te falhei

 

Queria tanto ligar-te
ouvir dizer-te e dizer ouvir-te
que o rio triste se alegrasse
por lembrar-te, ligar-te sob a lápide
por criar-te outra vez, por juntar-te

 

Queria tanto ligar-te
e ouvir chamar o número
que teu seria, mas ninguém viu
o que haveria de chamar-te
há segredos
que só a ti para dizer-te
pai

 

Queria tanto ligar-te
e dizer-te, mas a noite cai
e o silêncio

 

Queria tanto dizer-te
vinte anos depois alegrar-te
mas tu sabes e eu sei
sem ti não há como imaginar-te

 

Queria tanto dizer-te cada erro
meu é uma falha da tua ausência
não sou forte para sentir
sempre de ti a presença


Queria tanto ligar-te

que me digas que errei, o que certo fiz
ao pensar-te, onde por esquecer-te falhei


[Ilustração: Carl Holsoe]


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