40 anos de Democracia, e o Brasil segue sob a mira da bandidagem golpista
Enio Lins
NUMA INICIATIVA do vice-governador de Alagoas, Ronaldo Lessa, está sendo organizado um amplo ato pelos 40 anos da Redemocratização no Brasil. Nada mais adequado ao momento histórico, pois, além do marco de quatro décadas ininterruptas de reconstrução do Estado Democrático de Direito, neste momento transbordam da lata de lixo da história ideias e tentativas de golpe antidemocrático.NO BRASIL, A AMEAÇA à Democracia não está restrita a intentona, tão patética quanto criminosa, de 8 de janeiro de 2023. Não aconteceu ali um ato isolado, e sim um clímax planejado por um movimento autoritário cujas raízes mais fundas remetem à irresignação dos porões da ditadura frente à chamada “Abertura” implantada pelo próprio Regime Militar a partir de 1974. Essa política de desmontagem do aparato ditatorial foi elaborada pelos generais Geisel e Golbery, dentre outros estrategas, déspotas esclarecidos da extrema-direita. Essa banda pensante entre os golpistas de 1964, percebeu o desastre econômico que se anunciava (provocado por eles mesmos), e se incomodavam com o fato da tal “linha dura” dar mole para o crime organizado, com seus oficiais aliando-se, cada dia mais, às quadrilhas de assaltantes, b icheiros e traficantes, ora atuando como milícia contratada pelos chefões, ora assumindo postos de comando (como o Capitão Guimarães, que deixou a farda para assumir a liderança da contravenção carioca). O rebotalho do submundo da repressão, onde rastejavam vermes como o “Dr. Tibiriçá” (coronel Ustra), passou a sabotar a chamada “Distensão” para garantir a continuidade do terror sem limites.
PROVOCAÇÕES DESSA ULTRADIREITA multiplicaram-se com os assassinatos, sob tortura, do jornalista judeu Vladimir Herzog (1975) e do operário alagoano Manuel Fiel Filho (1976), prosseguiram com uma onda de explosões de bancas de jornais (30 atentados entre 1979 e 1980) e o assassinato, por uma carta-bomba, de Dona Lyda Monteiro (secretária da OAB), em 1980. Em 30 de abril de 1981, promoveram o atentado no Riocentro, frustrado quando uma das bombas explodiu no colo de dois dos terroristas, matando o sargento Guilherme do Rosário, e ferindo gravemente seu cúmplice, capitão Wilson Dias Machado, ambos integrantes da banda podre do Exército.
DERROTADA EM 1985, com a eleição presidencial de Tancredo Neves e José Sarney, essa banda podre não sossegou o facho e mirou no então Ministro do Exército, General Leônidas Pires Gonçalves, que – apesar de direita – defendia a profissionalização das Forças Armadas e o afastamento dos militares da política. Nesse período, surgiu um capitão pregando a indisciplina e a insubordinação, e a ameaçar o regime democrático recém reconstruído com atos terroristas. Preso e condenado numa primeira instância da Justiça Militar, aquele marginal de gandola foi descondenado numa segunda instância, deixou a farda para se transformar num político profissional especializado em atacar a Democracia, exaltar a tortura e o assassinato de adversários. Enricou, multiplicou seu patrimônio magicamente e met eu a filharada na baderna. Virou um mito para adoradores do autoritarismo. O resto da história todo mundo sabe, embora muita gente finja não saber e queira dizer que a intentona de 8 de janeiro de 2023 teria sido “um ponto fora da curva”, “obra espontânea de aloprados e de velhinhas”.
CELEBRAR 40 ANOS de vida do Estado Democrático de Direito no Brasil é um gesto de gigantesca importância. Alagoas tem muita história para contar sobre esta luta. Que seja construída uma programação que vá além de um ato público num determinado dia, e se constitua numa agenda de eventos que auxilie à mobilização da cidadania na luta contra o autoritarismo. Seguiremos nesse tema – aguardem cartas.
Leia: O primeiro ex-presidente processado por tentativa de golpe de Estado https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/03/golpistas-reus-o-processo-anda.html
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