Odores de autoatentado pairam no ar nos Estados
Unidos
Enio Lins
TRUMP ESTÁ ABUSANDO dos atentados a favor? O fato é que ele já vai no terceiro episódio da série “tentativas de assassinato”. A mais recente aconteceu sábado, 25, quando participava de um jantar de gala oferecido aos jornalistas em Washington. Bangue-Bangue! Espocaram tiros noutro salão. Autoridades foram retiradas às pressas. Um suspeito foi detido, identificado como Cole Allen, de 31 anos, morador da Califórnia. Segundo a polícia, estaria armado com uma espingarda, uma pistola e diversas facas – seria o Adélio Bispo disfarçado? O acontecimento, que está se tornando corriqueiro, beneficiou Donald com um providencial alívio no intenso bombardeio político que tem sofrido por sua desastrosa condução na guerra – uma agressão provocada, sob o comando de Israel – contra o Irã.
NO PRIMEIRO EPISÓDIO da série, uma tragédia. Aconteceu em 13 de julho de 2024,
durante comício de campanha em Butler, na Pensilvânia. Morreram dois: o
atirador, identificado como Thomas Matthew Crooks e um espectador, o bombeiro
voluntário Corey Comperatore. Outras pessoas foram gravemente feridas, de duas
a oito vítimas, a depender da fonte. Segundo a Wikipédia, Crooks, apesar de
supostamente ter feito uma doação para a campanha adversária, “estava
registrado como filiado ao Partido Republicano no condado de Allegheny,
Pensilvânia, a partir de setembro de 2021”, e é descrito como “ligeiramente
inclinado à direita”. Thomas foi morto no local pela mesma equipe policial que
não o viu subir num telhado e lá se postar com um potente fuzil AR-15.
NO SEGUNDO EPISÓDIO da série, o teatro de operações foi um campo de golfe do
próprio Trump, em Palm Beach, na Flórida, também durante a campanha de 2024,
num domingo de folga, 15 de setembro, apenas dois meses depois da primeira
agressão. Ryan Routh, de 59 anos, foi preso no local, acusado de tentar atirar
contra Donald, sendo condenado à prisão perpétua em fevereiro deste ano.
Durante o julgamento, o acusado se comportou de forma errática, com declarações
desconexas. Na suposta tentativa, Routh não disparou. O processo transcorreu
tendo como base os relatos feitos pela equipe de segurança de Trump, que desta
vez teria visto o cano de uma arma saindo de um matagal. Durante essas
primeiras duas ocorrências, Donald estava em meio aos riscos de uma campanha
eleitoral muito disputada, apesar de seu favoritismo. Oito dias depois do
primeiro atentado, em 21 de julho de 2024, Joe Biden desistiu de tentar a
reeleição, indicando Kamala Harris para a disputa. A votação presidencial, no
confuso sistema americano, se deu em 5 de novembro de 2024, com o candidato
Republicano chegando lá muito mais fortalecido, posando como vítima por conta
de dois atentados sofridos em apenas três meses.
PARA O TERCEIRO
EPISÓDIO da série, o local escolhido foi o Hotel
Washington Hilton, endereço de outro ataque a um presidente americano, Ronald
Reagan, em 30 de março de 1981. Narra o jornal O Globo: “[Reagan] estava saindo
do Hilton Hotel depois de realizar um discurso para membros da AFL-CIO. O
atirador, John Hinckley Jr., disparou várias vezes contra o presidente e feriu
também outras pessoas, entre elas o porta-voz da Casa Branca James Brady e o
agente do Serviço Secreto Tim McCarthy”. O então presidente “estava há apenas
69 dias no cargo quando o ataque ocorreu, e o episódio foi registrado por
equipes de TV que cobriam o evento. Ele foi atingido por um tiro que perfurou
um pulmão, mas sobreviveu após atendimento médico”. O ex-ator, além de ter sido
ferido de verdade, não estava em campanha eleitoral, nem passando por situação
política delicada, o que – há 45 anos – afastou suspeitas de armação. Já nos
casos de Trump... até o badalado ferimento à bala (de fuzil AR-15!) na orelha,
em 2024, é suspeitíssimo.
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Reagan, Trump e a “destruição inovadora” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/eua-roteiro-de-conflitos.html

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