Todo grupo vale a pena quando a luta
não é pequena*
Luciano
Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65
Aqui e acolá a gente lê que, segundo estudiosos do tema, embora as redes sociais tenham mudado a forma como nos comunicamos, elas não substituem a função biológica e psicológica dos pequenos grupos.
Afirmam que o indivíduo segue sob uma combinação de biologia evolutiva, química cerebral e necessidade de segurança. A mesma raiz de quando dos primórdios dos hominídeos, mesmo de modo rudimentar, estabeleceram a relação mútua motivada por interesses compartilhados, como a caça, a pesca, a defesa comum diante de ameaças várias.
O contrário da concepção simplista de que na tela do celular tudo acontece, dispensando o diálogo olhos nos olhos, o grupo.
As relações digitais ativam a dopamina (o neurotransmissor da recompensa rápida e do "curtir"), mas falham em gerar níveis profundos de ocitocina, o hormônio do vínculo e da confiança.
Por isso, a despeito do furor da comunicação digital, espontaneamente formam-se grupos em torno de um bom café moído ou de rodadas de chope e rola muita conversa.
Bem sabemos pela experiência que grupos de amigos, colegas de trabalho ou de escola, vizinhos e familiares criam “linguagens” que as redes sociais não conseguem replicar em escala global. Esse "pertencimento particular" é o que nos faz sentir indivíduos únicos, e não apenas mais um perfil em uma plataforma.
Tudo a ver com a nossa luta cotidiana. Mais ainda com a grande jornada que já se inicia pela reeleição do presidente Lula, governadores progressistas, Câmara dos Deputados, Senado e Assembleias Legislativas.
Numa percepção mais ampla, grupos assim necessariamente não reagem como antes, nem de modo uniforme. Mas reagem e, em alguma medida, proporcionam formas diversas de organização – para a campanha e a luta posterior.
No seu tempo, Lênin ensinava que militantes e ativistas não deviam “inventar” formas de luta e de organização segundo de sua própria abstração, por mais corretas que fossem suas intenções. Deviam perceber, incentivar e ajudar a dar um mínimo de organicidade e ímpeto às formas que “espontaneamente” surgem a cada conjuntura.
Pode acontecer na batalha eleitoral de agora.
Claro que nada é simples nas condições de hoje em que não apenas o feitiço da comunicação digital dispersa as pessoas, mas igualmente as profundas alterações no mundo do trabalho, em suas diversas modalidades e formas, e na vida em geral. É preciso sensibilidade e espírito criativo na abordagem de militantes, ativistas e cidadãos e cidadãs comuns interessados em se agruparem para refletir, entender e agir em alguma medida pela reeleição de Lula e pelo êxito das demais candidaturas que apoiamos.
*Texto da minha coluna semanal no portal 'Vermelho'

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