Privatização gerou aumento de até 88% em
combustíveis
Refinarias
privatizadas cobram maiores valores pelo diesel; debate também questiona
diferença entre custo de produção e valor de venda.
Aepet
A
privatização na área de combustíveis, especialmente após a venda das
refinarias, da BR Distribuidora e da Liquigás, impactou os preços e prejudica a
população, segundo especialistas reunidos em audiência pública, em Brasília,
nesta quinta-feira. Dados apresentados pelo economista do Dieese/FUP Cloviomar
Cararine reforçam esse cenário, mostrando aumento e maior volatilidade nos
preços praticados pela Acelen, refinaria baiana privatizada em 2021.
Salvador
é a capital brasileira que registra os maiores preços do diesel S10 ao
consumidor final, atingindo em média R$ 8,20 por litro, na semana de 5 a 11 de
abril. Em 12 meses, a variação de preço foi de 27,33%. O mesmo comportamento é
observado em Manaus, onde a refinaria foi privatizada em 2022. Com isso, a
cesta básica na capital amazonense teve alta de 7,42% em março, e de 7,15% em
Salvador, no mesmo mês.
A
diretora da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e do Sindicato dos
Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), Bárbara Bezerra, fez críticas
ao modelo adotado após a privatização, destacando distorções que afetam
diretamente a percepção da população.
Ela chamou atenção para
a falta de controle na ponta final da cadeia. “A Petrobras segura o preço nas
refinarias, os postos aumentam. A população não consegue entender. Tem algo aí
que a gente ainda precisa corrigir.” Com a guerra no Oriente Médio, vimos aumentos
de até 88% nas refinarias privatizadas, afirmou.
A diretora técnica do
Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
(Ineep), Ticiana Alvares, destacou o papel estratégico que a BR Distribuidora
exercia antes da privatização, atuando como referência para o mercado e
protegendo o consumidor contra abusos.
“Com essa fatia de
mercado, a BR Distribuidora tinha um papel na formação de preços. Se o
consumidor via o preço num posto BR a R$ 5, e no outro posto a R$ 7, ficava claro
que o que cobrava R$ 7 estava com um preço abusivo”, afirmou.
Bezerra ainda destacou
que o debate sobre preços precisa considerar toda a cadeia produtiva do
petróleo, desde a extração. “O ciclo não começa na refinaria, começa no poço.
No pré-sal, o custo do barril é de cerca de US$ 8. Quando se vende a US$ 120, é
preciso discutir como essa riqueza está sendo utilizada e por que não está
sendo revertida para garantir autossuficiência em derivados.”
“Na privatização da BR
Distribuidora, a gente tem um verdadeiro crime quando se aceita que os postos
continuem usando a marca Petrobras. Isso confunde a população e faz parecer que
a Petrobras é responsável pelo aumento dos preços”, afirmou a diretora da FUP.
Privatização gera ameaça de desabastecimento de combustíveis
no Norte
Paulo Neves, diretor da
FUP e do Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindipetro-AM), destacou que, em regiões como o Norte do país, a
privatização criou situações ainda mais críticas,
com concentração de mercado e risco de desabastecimento. “Quando a gente olha
para a região do Amazonas, onde há apenas uma refinaria, isso configura um
monopólio privado regional fortíssimo”, afirmou.
Neves também alertou
para os efeitos concretos sobre a população. “Nos rincões do Amazonas, o
combustível é vendido a preços absurdos. Já temos desabastecimento
acontecendo.” O dirigente defendeu a retomada do papel da Petrobras também como
garantia de acesso universal ao combustível. “A gente precisa garantir que o
abastecimento chegue não só às grandes capitais, mas também aos lugares mais
distantes, sob condições justas.”
Na mesma linha, Deyvid
Bacelar, petroleiro, ex-coordenador da FUP, reforçou o caráter estratégico e a
necessidade de controle público sobre os combustíveis. “Combustível não é uma
mercadoria qualquer. Ele impacta toda a economia. Sem controle público, o
resultado é aumento de preços e mais desigualdade”.
Ao final da audiência,
os participantes convergiram na avaliação de que a retomada de uma Petrobras
integrada, “do poço ao posto”, é fundamental para garantir soberania energética
e estabilidade de preços, protegendo a população das oscilações do mercado
internacional. Bárbara Bezerra destacou os efeitos diretos da privatização
sobre os preços e a vida da população.
“Precisamos lembrar que,
em 2019, a BR Distribuidora foi vendida e o grupo comprador manteve o direito
de usar a marca Petrobras. Hoje, não existe nenhum posto da Petrobrás, apesar
de o nome continuar sendo usado comercialmente. Em 2020, foi vendida a
Liquigás, e vimos o preço do botijão disparar. Sai da distribuição a cerca de
R$ 37 e chega, em alguns lugares, a R$ 155 para a população”, protesta.
Fonte(s) / Referência(s): Monitor Mercantil
Nada é por acaso https://lucianosiqueira.blogspot.com

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