Em tempo real. Será?
Luciano Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65
"Em tempo real" tornou-se uma das expressões mais usadas na atualidade. Sinal de eficiência.
Será?
Tenho cá minhas dúvidas, por
experiência própria.
Explico.
Quando leio algo escrito sobre papel,
sinto-me compelido a dedicar alguns segundos mais a compreender melhor a
informação.
Mas quando se trata de uma
"postagem" em alguma plataforma digital, quase inconscientemente me
vejo desafiado a apreender o conteúdo em fração de segundos.
Como que para provar que sigo lúcido,
raciocinando com a agilidade necessária.
Por isso desconfio que se perde muito
em conteúdo do que se lê em mensagens transmitidas numa fusão de palavras
escritas ou em áudio e imagens atraentes, seja em vídeos curtos ou cards.
Os terráqueos da terceira década do
século 21 se informam, e formam a sua opinião, através de mecanismo que
superestima a variável tempo em prejuízo da qualidade do raciocínio.
Em consequência, muito se sabe (ou
se pensa que sabe) e pouco se entende (ou se entende de modo atravessado).
Prato feito para a classe dominante,
numa sociedade cada vez mais marcada pela discrepância entre pouquíssimos que
detêm quase toda a produção, a riqueza e a renda e as grandes maiorias
crescentemente empobrecidas.
Karl Marx e Friedrich Engels
demonstraram em "A ideologia alemã" que todas as formas de
comunicação são utilizadas em favor de um pretenso consenso no conjunto da
sociedade, cujo conteúdo essencial é a acomodação ao status quo.
Na sociedade contemporânea, a internet
é a menina dos nossos olhos.
Mas é bom saber que ela tem donos e
embora pareça nos facilitar a vida — e em certos aspectos facilita mesmo —,
serve fundamentalmente para nos conduzir a um modo de vida que reproduz o lucro
dos que detêm o capital e à acomodação ao mundo como ele é, e não como deveria
ser para o bem de todos.
Escrevi essas mal traçadas linhas em
pouquíssimos minutos, literalmente “ditando” o conteúdo ao smartphone, que o
reproduziu no bloco de notas.
Isto após resolver umas tantas coisas à
distância, enquanto repouso numa rede no alpendre aqui da casa onde permaneço
com a família por alguns dias de lazer de fim de ano.
Tudo fácil assim com ajuda da
tecnologia digital, porém arriscoso.
Refletir sempre sobre o que acontece e
o que fazemos segue indispensável, ainda que "desperdicemos" alguns
minutos mais.
Para que tenhamos uma prática
consciente e transformadora.
Leia também: Aconteceu e eu nem percebi https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/minha-opiniao_14.html
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