20 agosto 2026

Minha opinião

A campanha de Cida, por exemplo*
Luciano Siqueira   

Em tempo de comunicação digital, as ruas— território da luta política ao longo da História — parecem subestimadas. 

Na presente campanha eleitoral, candidatos e candidatas aos diversos postos em disputa menosprezam o contato direto com as pessoas.  

Pelo menos aqui no Recife. 

Muito diferente do que sempre foi a tradição, nos primeiros dias de campanha são poucas as bandeiras e painéis e rara a militância abordando eleitores. 

A prioridade absoluta parece ser a difusão de vídeos curtos, que se disseminam nas telas dos celulares. 

Uns muito bem produzidos, ainda que superficiais no conteúdo.

Outros de mau gosto exemplar, como se mensagem e estética não tivessem a  obrigatoriamente de caminhar juntas — mesmo em peças assumidamente artesanais. 

Os nossos candidatos e candidatas do PCdoB em Pernambuco empenham-se no contato direto com o eleitorado, olhos nos olhos. 

Cida Pedrosa, por exemplo. 

Vereadora no Recife, poeta nacionalmente consagrada, tarimbada na luta popular em diversas frentes e na gestão pública, agora candidata a deputada estadual, cumpre agenda diuturna intensa, cuja marca é o contato com as pessoas. 

A campanha começa logo cedo, das 7 às 8 horas da manhã, quando em cruzamentos de ruas das mais movimentadas militantes abordam os que trafegam em seus veículos e transeuntes. 

(O velho militante octogenário, autor dessas breves linhas, comparece a todas). 

A receptividade é ótima e a repercussão, idem. 

E tome breves encontros e pequenas reuniões amplas ou em torno de um cafezinho, visita a residências e a locais de trabalho, quando possível registrados nas redes sociais. 

A marca é a indispensável ausculta da população e a busca da fusão entre sentimentos e expectativas e o conteúdo da campanha — a linha do PCdoB, que se expressa tanto nas proposições essenciais da candidatura de Lula à reeleição e aliados candidatos ao governo estadual e ao Senado, como na visão partidária própria, que ultrapassa os limites do horizonte visível e acrescenta a bandeira das reformas estruturais como meio de elevação do padrão de vida material e espiritual do povo e do vislumbre do sonho socialista, em perspectiva. 

A campanha de Cida, como dos candidatos e candidatas do PCdoB pelo Brasil afora, dispõe de parcos recursos materiais, porém compensados por amplo e crescente voluntariado — militantes, ativistas dos movimentos sociais, juventude, intelectualidade e amigos diversos. 

Limites financeiros parcialmente atenuados através da “vaquinha”, que a legislação eleitoral permite.

Serve de exemplo porque emblemática do desafio de candidatos e candidatas de raiz essencialmente popular.  

Luta desigual porque a concorrência de legendas aquinhoadas de milhões de reais  impõe dificuldades e limitações. Passível de êxito, entretanto, pelo esforço coletivo dos que caminham — como na velha canção — "com a certeza na frente e a História na mão".

*Texto da minha coluna semanal no "Vermelho"

Leia também: Competente, corajosa, múltipla https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/combativa-sem-perder-leveza-jamais.html

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