A campanha de Cida, por exemplo*
Luciano
Siqueira
Em tempo de comunicação digital, as ruas— território da luta política ao
longo da História — parecem subestimadas.
Na presente campanha eleitoral, candidatos e candidatas aos diversos
postos em disputa menosprezam o contato direto com as pessoas.
Pelo menos aqui no Recife.
Muito diferente do que sempre foi a tradição, nos primeiros dias de
campanha são poucas as bandeiras e painéis e rara a militância abordando eleitores.
A prioridade absoluta parece ser a difusão de vídeos curtos, que se
disseminam nas telas dos celulares.
Uns muito bem produzidos, ainda que superficiais no conteúdo.
Outros de mau gosto exemplar, como se mensagem e estética não tivessem a obrigatoriamente de caminhar juntas — mesmo em peças assumidamente
artesanais.
Os nossos candidatos e candidatas do PCdoB em Pernambuco empenham-se no
contato direto com o eleitorado, olhos nos olhos.
Cida Pedrosa, por exemplo.
Vereadora no Recife, poeta nacionalmente consagrada, tarimbada na luta
popular em diversas frentes e na gestão pública, agora candidata a deputada
estadual, cumpre agenda diuturna intensa, cuja marca é o contato com as
pessoas.
A campanha começa logo cedo, das 7 às 8 horas da manhã, quando em
cruzamentos de ruas das mais movimentadas militantes abordam os que trafegam em
seus veículos e transeuntes.
(O velho militante octogenário, autor dessas breves linhas, comparece a
todas).
A receptividade é ótima e a repercussão, idem.
E tome breves encontros e pequenas reuniões amplas ou em torno de um cafezinho,
visita a residências e a locais de trabalho, quando possível registrados nas
redes sociais.
A marca é a indispensável ausculta da população e a busca da fusão entre
sentimentos e expectativas e o conteúdo da campanha — a linha do PCdoB, que se
expressa tanto nas proposições essenciais da candidatura de Lula à reeleição e
aliados candidatos ao governo estadual e ao Senado, como na visão partidária própria,
que ultrapassa os limites do horizonte
visível e acrescenta a bandeira das reformas estruturais como meio de
elevação do padrão de vida material e espiritual do povo e do vislumbre do
sonho socialista, em perspectiva.
A campanha de Cida, como dos candidatos e candidatas do PCdoB pelo
Brasil afora, dispõe de parcos recursos materiais, porém compensados por amplo
e crescente voluntariado — militantes, ativistas dos movimentos sociais,
juventude, intelectualidade e amigos diversos.
Limites financeiros parcialmente atenuados através da “vaquinha”, que a
legislação eleitoral permite.
Serve de exemplo porque emblemática do desafio de candidatos e
candidatas de raiz essencialmente popular.
Luta desigual porque a concorrência de legendas aquinhoadas de milhões
de reais impõe dificuldades e limitações. Passível de êxito, entretanto,
pelo esforço coletivo dos que caminham — como na velha canção — "com a
certeza na frente e a História na mão".
*Texto da minha coluna semanal no "Vermelho"
Leia também: Competente, corajosa, múltipla https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/combativa-sem-perder-leveza-jamais.html

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