24 setembro 2026

Editorial do 'Vermelho'

O estadista respeitado no mundo versus o sabujo de Trump e “irmão” de Vorcaro
Lula se destaca na ONU defendendo soberania, democracia e direitos, enquanto candidato da extrema-direita se mostra cada vez mais entreguista e desqualificado
Editorial do 'Vermelho'      

Na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em 22 de setembro, em Nova Iorque, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se destacou ao defender o multilateralismo, a soberania das nações, a democracia, o direito internacional e a liberdade dos povos para decidir seus destinos. Abordou também a necessidade de fortalecer a cooperação entre os países, preservar a autonomia das nações, defender os direitos dos trabalhadores, combater as jogatinas das bets, proteger os interesses nacionais e assegurar a cada país o direito de decidir sobre suas riquezas naturais.

Lula tratou ainda das guerras e da necessidade de soluções diplomáticas, da reforma das instituições internacionais, do combate ao crime organizado, das relações comerciais e das tarifas, das mudanças climáticas e da transição energética, dos minerais críticos e das terras raras, da inteligência artificial e da regulação das grandes plataformas digitais. Também abordou a fome, a pobreza e a desigualdade, o crescimento econômico, o emprego, a valorização dos salários, a proteção de crianças, adolescentes e mulheres no ambiente digital, o feminicídio, a saúde, a educação, a desinformação e a ciência, além da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1. Vinculou a defesa do Pix à soberania nacional e à capacidade do país de desenvolver e preservar suas próprias soluções tecnológicas e financeiras.

O presidente também alertou sobre riscos ao processo eleitoral brasileiro. Afirmou que a democracia no Brasil está novamente em xeque e enfatizou que o país não permitirá que inimigos internos ou externos atentem contra a vontade popular, uma referência às ações do governo de Donald Trump, dos Estados Unidos, de apoio ao candidato presidencial da extrema-direita, Flávio Bolsonaro. Disse que a América Latina sofre pressões e declarou: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém.”

O alerta e a denúncia do presidente têm fundamentos sólidos. A exemplo das suspeitas de apoio à campanha de Flávio Bolsonaro que recaem sobre a Rockbridge Network, rede estadunidense de articulação política que tem no rol de fundadores J. D. Vance, vice-presidente dos Estados Unidos.

Há, também, o fato de 11 perfis no X que divulgaram conteúdos pagos, sem identificar quem financiou, sobre a alta do bolsonarista nas apostas da Polymarket, com o intuito de criar uma narrativa de vitória. O Partido dos Trabalhadores (PT) e a coligação Brasil pronto pra mais acionaram o STF e o TSE para apurar o abuso de poder econômico e político e o uso criminoso dos meios de comunicação relacionados à interferência estrangeira nas eleições.

Lula também defendeu a cooperação internacional contra o crime organizado, sem intervenção estrangeira. Afirmou que o Brasil não precisa de forças militares externas para combater as organizações criminosas e defendeu ações conjuntas para interromper o fluxo internacional de armas e dinheiro. “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime”, declarou.

Sobre os minerais críticos e as terras raras, Lula afirmou que o Brasil possui recursos necessários à transição energética e que suas riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro. Defendeu que sua exploração ocorra em benefício do país, com geração de valor em território nacional, transferência de tecnologia e suprimento de setores estratégicos.

À margem da Assembleia da ONU, foi divulgada a declaração do chamado Escudo das Américas por 15 países sob a tutela dos Estados Unidos. Tendo como pretexto o combate ao narcotráfico e ao terrorismo, o documento vai forjando o discurso para justificar o domínio neocolonial do imperialismo estadunidense na América Latina e no Caribe. E, neste momento, obviamente, o foco é o Brasil. Entronizar no maior país da região um governo títere para se apossar de suas imensas riquezas.

Lula foi sagaz, equilibrado e ganhou importantes apoios internacionais ao abordar temas como o genocídio palestino perpetrado pelo Estado de Israel sob o governo de Benjamin Netanyahu. Falou também da barbárie representada pela guerra na Ucrânia, envolvendo a Rússia, uma tragédia desencadeada pelo aviltamento do direito internacional pelo poderio militar da Otan. Ao fazê-lo, avivou o perfil de um dos principais estadistas da contemporaneidade.

As posições do presidente demarcam bem o profundo contraste com Flávio Bolsonaro, que recentemente voltou a ser notícia por seu envolvimento com criminosos, com a informação de que sua assessoria negociou a liberação de uma emenda de R$ 199.999,79 solicitada por Robson Calixto da Fonseca, o “Peixe”, condenado pelo STF por integrar organização criminosa no caso do assassinato de Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL, assassinada em 2018.

Suas relações com milicianos são bem conhecidas, além de casos flagrantes de corrupção, o mais notório deles revelado pela dinheirama do ex-banqueiro criminoso Daniel Vorcaro na mal explicada história do financiamento do filme Dark Horse, sobre seu pai, o ex-presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro, condenado e preso por atentar contra o Estado Democrático de Direito, que envolvia crimes como assassinatos de autoridades, inclusive o presidente Lula.

Insere-se também no rol de suas condutas delituosas o conluio com o governo Trump para apoiar o tarifaço contra o Brasil e a ingerência dos Estados Unidos, com graves ameaças à soberania nacional no caso da caracterização de facções criminosas como “terroristas”, nitidamente um pretexto para interferir no processo eleitoral e ameaçar o Brasil. Suas declarações não deixam dúvidas de que, se eleito, o Estado brasileiro será moldado para atender aos interesses estadunidenses, sobretudo a entrega das riquezas nacionais.

A gravidade do momento convoca uma ampla união e combativa mobilização de democratas, patriotas e trabalhadores à reta final do primeiro turno. A palavra de ordem é: Avançar, não esperar acontecer e tomar iniciativa. Como se viu no grande ato político da cultura realizado na cidade do Rio de Janeiro.

Outra iniciativa de grande importância também é o manifesto da Confederação dos Bispos do Brasil (CNBB), que, sem declarar voto, convoca o povo a não se abster, pedindo que compareça em peso às urnas para digitar o voto consciente. Em outra frente, o presidente Lula cuida de ampliar bases de apoio e neutralizar setores das classes dominantes. Participará, nesta sexta-feira, 25, na cidade de São Paulo, de um encontro com empresários e executivos de grupos econômicos e financeiros.

Carga total nas ruas e redes. Desmascarar Flávio Bolsonaro e disseminar que o futuro do Brasil, caso os eleitores honrem Lula com um quarto mandato, será marcado pela defesa intransigente da pauta do povo, a exemplo do fim das bets e da escala 6×1, da ampliação da democracia e do fortalecimento da soberania nacional. Encher as ruas e praças do país, no próximo domingo (27), de alegria, esperança e vibração de uma campanha que constrói a vitória apoiada na força do povo.

Na ONU, Lula sobe o tom contra o imperialismo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/lula-na-onu.html 

Nenhum comentário: