Simpático pirangueiro
Abraham B. Sicsu
Em Pernambuco
chamamos de pirangueiro. Podem também chamar de Mão de Vaca, Unha de Fome, ou
mesmo, Pão Duro, o significado é o mesmo.
Um médico muito
querido. Conhecido pela empatia, pelo desejo de sempre ajudar ao próximo, de
sempre ser solidário. E, efetivamente ajuda, dando bons conselhos ou
encaminhamentos adequados para a solução de problemas dos necessitados.
Além disso, é poeta e
declamador, adora valorizar as coisas da nossa terra, a nossa cultura. Faz
músicas e canta. Sempre alegre, sempre cordial. No entanto, uma característica
tem que não pode negar. Vejamos.
Seu sobrinho estimado
se formou com brilhantismo. Foi, até, o homenageado da turma. Orgulho da
família. Em reconhecimento quer dar-lhe um presente. Sabe que ele adora o
esporte, principalmente o Tênis.
Pergunta ao rapaz o
que desejaria ganhar? Sem muito pensar, o jovem lhe responde que seria uma
raquete especial, quase profissional. Tendo consciência do custo elevado,
argumenta que precisa da opinião de um especialista para analisar se o
equipamento é realmente adequado às habilidades do recém-formado. Enrola e
nunca encontra o especialista. O presente que seria bom não aparece.
Teve um problema de
saúde que muito o atormentava. Para evitar as dores precisava de uma
intervenção delicada. Procura o melhor especialista da região. Este faz o
procedimento com precisão e muito cuidado. Tudo deu certo.
Na ética médica, há o
costume de não cobrar dos colegas. É o que acontece. Agradecido quer dar um bom
presente. Sabe que o cirurgião que realizou a operação adora jogar golfe. Tem a
ideia de comprar um jogo de tacos, especial, como reconhecimento. Verificando
os custos, desiste, é esporte caríssimo, o que o desestimula. Muda para dar uma
simples garrafa de champanhe. Eu acho que deve ter sido Sidra, talvez Cerezer.
Sábado nos
encontramos no nosso ponto de encontro. Ele adora uma cervejinha. Toma de três
a não sei quantas long necks. De preferência de uma marca mais sofisticada. Ia
receber alguns amigos em casa e encomendou uma caixa adicional para levar.
Nosso refúgio é o lugar mais barato da região, mas o volume não era pequeno. Ao
receber a conta, começa a barganhar.
Ao seu lado, reclamo.
“Aqui o preço é bom”. A resposta vem de imediato: “Aprendi nas minhas viagens
internacionais. Nos Bazares e mercados da Turquia. Sempre há espaço para
negociar.”
Este é meu amigo, uma
grande figura que se diverte com o jogo da pechincha.
Economiza Tostões,
aquele que tem Milhões.
Leia também: "Um jantar", crônica de Abraham Sicsu https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/abraham-sicsu-opina_01940242064.html

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