19 setembro 2026

Uma crônica de Abraham Sicsu

Simpático pirangueiro
Abraham B. Sicsu     

Em Pernambuco chamamos de pirangueiro. Podem também chamar de Mão de Vaca, Unha de Fome, ou mesmo, Pão Duro, o significado é o mesmo.

Um médico muito querido. Conhecido pela empatia, pelo desejo de sempre ajudar ao próximo, de sempre ser solidário. E, efetivamente ajuda, dando bons conselhos ou encaminhamentos adequados para a solução de problemas dos necessitados.

Além disso, é poeta e declamador, adora valorizar as coisas da nossa terra, a nossa cultura. Faz músicas e canta. Sempre alegre, sempre cordial. No entanto, uma característica tem que não pode negar. Vejamos.

Seu sobrinho estimado se formou com brilhantismo. Foi, até, o homenageado da turma. Orgulho da família. Em reconhecimento quer dar-lhe um presente. Sabe que ele adora o esporte, principalmente o Tênis.

Pergunta ao rapaz o que desejaria ganhar? Sem muito pensar, o jovem lhe responde que seria uma raquete especial, quase profissional. Tendo consciência do custo elevado, argumenta que precisa da opinião de um especialista para analisar se o equipamento é realmente adequado às habilidades do recém-formado. Enrola e nunca encontra o especialista. O presente que seria bom não aparece.

Teve um problema de saúde que muito o atormentava. Para evitar as dores precisava de uma intervenção delicada. Procura o melhor especialista da região. Este faz o procedimento com precisão e muito cuidado. Tudo deu certo.

Na ética médica, há o costume de não cobrar dos colegas. É o que acontece. Agradecido quer dar um bom presente. Sabe que o cirurgião que realizou a operação adora jogar golfe. Tem a ideia de comprar um jogo de tacos, especial, como reconhecimento. Verificando os custos, desiste, é esporte caríssimo, o que o desestimula. Muda para dar uma simples garrafa de champanhe. Eu acho que deve ter sido Sidra, talvez Cerezer.

Sábado nos encontramos no nosso ponto de encontro. Ele adora uma cervejinha. Toma de três a não sei quantas long necks. De preferência de uma marca mais sofisticada. Ia receber alguns amigos em casa e encomendou uma caixa adicional para levar. Nosso refúgio é o lugar mais barato da região, mas o volume não era pequeno. Ao receber a conta, começa a barganhar.

Ao seu lado, reclamo. “Aqui o preço é bom”. A resposta vem de imediato: “Aprendi nas minhas viagens internacionais. Nos Bazares e mercados da Turquia. Sempre há espaço para negociar.”

Este é meu amigo, uma grande figura que se diverte com o jogo da pechincha.

Economiza Tostões, aquele que tem Milhões.

Leia também: "Um jantar", crônica de Abraham Sicsu https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/abraham-sicsu-opina_01940242064.html 

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