Vorcaro
temia que jantar com Flávio e Jair Bolsonaro fosse revelado
Revista mostra diálogo sobre encontro
combinado no final de 2024. “Cara. Não fala dessa reunião bolso pra ninguém”,
diz Vorcaro a Carneiro, suspeito de ser seu sócio oculto
Priscila Lobregatte/Vermelho
No emaranhado de mensagens contidas no
celular de Daniel Vorcaro, relativas ao caso Master, um novo diálogo foi
tornado público nesta segunda-feira (21). A conversa indica que o ex-banqueiro
temia que um possível encontro entre ele, Jair e Flávio Bolsonaro (PL), no
final de 2024, fosse vazado. “Cara. Não fala dessa reunião bolso pra ninguém”,
diz ao seu interlocutor Flávio Carneiro, empresário suspeito de ser sócio
oculto de Vorcaro.
As mensagens foram obtidas pela
revista CartaCapital.
Os prints mostram que Carneiro parece tentar não tocar diretamente nos nomes do
pai e do filho ao lembrar o ex-banqueiro sobre o encontro. E, num primeiro
momento, Vorcaro reage como se não tivesse se dado conta do que se tratava.
“Thiago está cobrando se você vai num
jantar com meu xará e com o pai dele, pelo que entendi, você está ciente
disso?”, diz Carneiro, em possível referência a Thiago Miranda, lobista e então
sócio do site Léo Dias, braço-direito de Vorcaro.
Em seguida, o ex-banqueiro responde:
“Não sei do que você está falando”. Depois, frente à insistência de Carneiro,
Vorcaro parece se recordar: “Temos que pensar nisso. Vamos nos falar primeiro”.
Saiba mais: Flávio
Bolsonaro fez safári na África com investigados na fraude do INSS
O assunto é retomado no dia seguinte,
conforme informação da revista, quando o próprio Vorcaro o aborda, dizendo:
“Cara. Não fala dessa reunião bolso pra ninguém”. Ele prosseguiu afirmando:
“Esse negócio acaba comigo. Fábio já veio falar”.
Segundo a reportagem, não fica claro
se o jantar aconteceu. Além disso, afirma que a desconfiança de que o Jair e o
Flávio citados sejam o ex-presidente e seu filho senador parte dos próprios
investigadores a cargo das apurações. Naquele momento, em 2024, Jair Bolsonaro
ainda não cumpria sua pena por tentativa de golpe, apenas medidas cautelares,
com a entrega do passaporte e a proibição de falar com outros investigados na
trama.
Relações perigosas
Embora tente se desvencilhar de
Vorcaro, a cada dia novos fatos mostram que a relação entre Flávio e o
ex-banqueiro não foi pontual ou esporádica. As investigações apontam para
diálogos entre os dois e referências que indicam bastante proximidade. E, para
além da troca de mensagens instantâneas, eles também estiveram juntos
presencialmente.
Conforme as apurações, a relação
direta entre o senador e o banqueiro intensificou-se no segundo semestre de
2025. O material colhido e que consta das investigações indica possível
encontro entre os dois no dia 20 de agosto de 2025. Pouco depois, houve a
cobrança de dinheiro por Flávio para, supostamente, financiar o filme “Dark
Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Em maio, o site Intercept Brasil revelou essa relação e
o pedido de R$ 134 milhões pelo senador, dos quais, até agora, sabe-se do
pagamento de mais de R$ 60 milhões.
Depois dessas, uma série de outras
mensagens foi trocada. Na véspera da primeira prisão de Vorcaro — ocorrida em
17 de novembro do ano passado —, Flávio enviou uma das que mais simbolizam a
proximidade entre ambos. “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia
conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, diz o senador, ao
que o ex-banqueiro reage com imagem de visualização única. E Flávio conclui com
um “Amém”.
Na semana passada, outro elemento a
reforçar o grau da relação entre os dois foi publicado pela revista piauí: o uso por Flávio,
durante alguns dias no início de agosto, de apartamento num dos bairros mais
caros de São Paulo pertencente a Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro
de Vorcaro.
O imóvel também está envolto em fatos
estranhos: poucos meses antes, segundo a revista, Zettel o comprara por R$ 5,5
milhões – um valor que seria condizente com o de mercado. E dez meses depois, o
vendeu por R$ 3,5 milhões à WT Administração de Imóveis e Bens, empresa do
advogado Willer Tomaz, tratado por Flávio como seu amigo.
Entre os muitos pontos nebulosos
envolvendo também essa relação está, além do apartamento em questão, um safári
na África do Sul que Flávio fez em companhia de Tomaz e do senador
Weverton Rocha (PDT-MA) em março do ano passado. O advogado e o parlamentar
maranhense são investigados pela mega-fraude do INSS, iniciada no governo de
Jair Bolsonaro e desbaratada somente durante o governo Lula. Suspeita-se que
Tomaz lavasse dinheiro do esquema para Rocha.
O golpe por dentro do TSE https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/golpismo.html

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