A ÚLTIMA CENA
Maurilio
Rodrigues
A última cena
Não pareceu pequena.
Foi muito forte.
A verdadeira morte.
Um trem de partida.
Uma despedida.
A esperança perdida,
Sem qualquer suporte.
Na última cena ,
Cortinas a fechar.
Luzes ainda a brilhar.
Imagens nada amenas.
Depois, só silenciar,
Nada mais a falar.
Tudo volta ao seu lugar,
Ao escuro da morte.
Por mais que festiva,
A última cena deixa,
Sempre a mesma queixa,
Triste e depressiva.
Após a última cena,
Todo o passado volta,
Com a solidão em escolta,
Agora, em outro calvário.
Fica o sentimento temerário,
De que a cena não se repetirá,
Nem jamais irá se apagar,
As lembranças daquele cenário.
[Ilustração: Cícero Dias]
Leia também "Ausência", poema de Carlos Drummond de Andrade https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/palavra-de-poeta_01239649318.html

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