25 setembro 2026

Palavra de poeta

Fanatismo

Florbela Espanca    


Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!..."


[Ilustração: Paul Gauguin]

Leia também "Alguma coisa lá", poema de Samuel Beckett https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/palavra-de-poeta.html 

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