16 outubro 2026

Dica de leitura

Sistema Único de Segurança Pública: distorções 

A temática da Segurança Pública comparece, mais uma vez, ao debate eleitoral com foco na Presidência da República. Agora em ambiente de dramático agravamento da criminalidade, inclusive imbrincada com parte do aparelho de Estado.

O artigo "O sistema único de segurança pública", da jurista Maria Paula Dallari Bucci, publicado no site A Terra é Redonda https://aterraeredonda.com.br/ aborda o que a autora considera rumores e desvios do debate sobre o tema.

segundo a autora, a segurança pública ganhou o centro das discussões políticas, o que é positivo, porém contaminado por ideias errôneas oriundas da extrema direita.

mas critica o fato de propostas de destaque (como os programas associados ao setor conservador/extrema-direita, exemplificados na figura de Flávio Bolsonaro) ignorando completamente o SUSP (Sistema Único de Segurança Pública), optando por discursos violentos.

Propostas que afrontam frontalmente a Constituição Federal e as cláusulas pétreas de direitos e garantias individuais (art. 60, § 4º, IV, da CF).

Entre os absurdos citados, promessas explícitas de "abater bandidos armados com fuzil", expressões como "traficante que resistir vai virar pó" e a defesa da castração química.

É que o Brasil exibe cicatrizes profundas de uma atuação policial moldada fora do Estado de Direito durante o regime militar. Uma visão política autoritária que nunca foi totalmente superada, mantendo um descompasso específico entre a realidade policial do artigo 144 da Constituição e o conceito de segurança cidadã garantida no artigo 6º.

Fazendo um paralelo com a cultura pop — especificamente com a trajetória dos filmes Tropa de Elite e a evolução trágica de personagens como o Capitão Nascimento —, a autora demonstra como a máquina de guerra criada sob a justificativa de combater o crime acabou gerando efeitos colaterais desastrosos, culminando na ascensão sem antecedentes do crime organizado e das milícias, notadamente no Rio de Janeiro.

Ela considera hipocrisia governantes celebrarem chacinas e operações violentas ignorando acordos firmados perante o Supremo Tribunal Federal (como descumprimentos da ADPF nº 635).

A política de "abatimento de bandidos" e a vigilância sem regulação estão perigosamente próximas de se tornarem a política oficial de segurança pública no país, empurrando a sociedade em direção à barbárie.

Salvo se o presidente Lula conquistar o quarto mandato, acrescento.

(LS)

Lula: tudo na ponta da língua https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0599807603.html 

Nenhum comentário: