A importância do comunismo em tempos de ascensão do fascismo
O comunismo continua a ser tema de grande relevância, especialmente em um contexto global marcado por desigualdades, crises, desafios ambientais e ascensão da ultradireita
Thiago Modenesi/Vermelho
Vivemos anos complexos, a atualidade é marcada pela ascensão da ultradireita, o retorno de ideias de cunho ultranacionalista e fascista, com ataques a direitos, povos, opções individuais e tudo mais o que for possível.
Esses neofascistas apontam para os opositores e cunham todos como “comunistas”, de maneira pejorativa, como se fosse um xingamento. O comunismo, em sua forma moderna, é um movimento construído no fim do século 19 e consolidado no século 20, com experiências práticas, vinculado à defesa do direito das minorias, trabalhadores, promoção da pluralidade, da ciência, da cultura, do meio ambiente e outros tantos.
Foi também historicamente força fundamental na luta contra o nazifascismo, com grande responsabilidade na derrota de Hitler e suas tropas na batalha de Stalingrado. Ao longo de décadas, os partidos comunistas buscam a instauração dos regimes socialistas em seus países, como ocorreu na URSS, China, Vietnã, Laos e outros.
O comunismo, como teoria política e econômica, continua a ser um tema de grande relevância e debate nos dias de hoje, especialmente em um contexto global marcado por desigualdades sociais, crises econômicas e desafios ambientais.
Criado por Karl Marx e Friedrich Engels no século 19, o comunismo propõe uma sociedade sem classes, onde os meios de produção são coletivamente controlados, visando à distribuição equitativa de recursos e a superação da exploração do trabalho. Seria, portanto, a etapa superior do socialismo, algo ainda não aplicado no planeta.
Em um mundo onde a riqueza está cada vez mais concentrada nas mãos de uma pequena elite, o comunismo oferece uma crítica contundente ao capitalismo e suas estruturas de poder. A ideia de uma sociedade sem classes e com distribuição justa de recursos ressoa em meio a protestos por direitos trabalhistas, acesso à saúde, educação e moradia. Movimentos sociais ao redor do globo, mesmo que não explicitamente comunistas, muitas vezes se inspiram em princípios anticapitalistas para demandar mudanças estruturais.
O modelo capitalista de produção e consumo tem sido apontado como um dos principais responsáveis pela degradação ambiental. O comunismo, ao defender o controle coletivo dos meios de produção, sugere uma abordagem mais planejada e sustentável para o uso dos recursos naturais. A ideia de priorizar o bem comum em vez do lucro individual pode ser crucial para enfrentar desafios como as mudanças climáticas e a escassez de recursos.
O avanço do neoliberalismo nas últimas décadas, com sua ênfase na privatização, desregulamentação e redução do Estado, tem exacerbado problemas como a precarização do trabalho e o enfraquecimento dos serviços públicos. O comunismo surge como uma alternativa que questiona a lógica do mercado como regulador da vida social e propõe um maior papel do Estado na garantia de direitos básicos.
Em muitas partes do mundo, o comunismo continua a inspirar lutas por libertação nacional e social. Em países onde a herança colonial e a exploração econômica ainda são evidentes, ideias comunistas são usadas para combater opressões e buscar a autodeterminação dos povos.
Além da esfera política e econômica, o comunismo influencia a cultura, a arte e o pensamento crítico. Sua ênfase na justiça social e na solidariedade coletiva inspira obras literárias, filmes, músicas e manifestações artísticas que questionam o status quo e imaginam um futuro mais igualitário.
Apesar de sua relevância, o comunismo enfrenta desafios significativos. Experiências históricas de regimes como o da União Soviética e da China reservam sua complexidade, cometeram erros, mas, como toda ciência, a teoria comunista precisa analisar os percalços e se reposicionar no mundo atual, sem perder sua identidade científica, histórica e teórica. O fim da URSS foi uma derrota desse projeto, de grande envergadura, mas que não o inviabiliza como alternativa ao capitalismo e que precisa ser analisada e estudada.
Esses tipos de exemplos são frequentemente usados para criticar a viabilidade prática do comunismo. Além disso, a globalização e o avanço tecnológico criam novos dilemas que exigem adaptações teóricas e práticas, mas não há como comparar com o esgarçamento do capitalismo, algo já velho, superado e carcomido, que trouxe ao mundo desigualdades bárbaras e atingiu um grau de radicalidade nos ataques aos direitos de cada um e de todos como nunca visto no século 21.
O comunismo, como ideia e movimento, permanece importante por sua capacidade de questionar as estruturas de poder e oferecer alternativas ao sistema capitalista. No entanto, sua aplicação no mundo contemporâneo requer reflexão crítica e adaptação às novas realidades. Seja como inspiração para movimentos sociais ou como ferramenta de análise crítica, o comunismo continua a desafiar-nos a imaginar um mundo mais justo e igualitário.
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