Governo obriga alerta de dependência em publicidade de apostas
Novas regras do Ministério da Fazenda proíbem apostas como forma de renda e vetam publicidade dirigida a crianças; medidas valem a partir de 17 de julho.
Bárbara Luz/Vermelho
A partir de 17 de julho, toda publicidade de apostas de cota fixa deverá exibir uma advertência obrigatória sobre os riscos do jogo, em uma das mais rigorosas iniciativas de regulação do setor desde a legalização das apostas no Brasil.
Publicadas no Diário Oficial da União na sexta-feira (10), a portaria interministerial assinada em conjunto com os Ministérios da Justiça e Segurança Pública e a Secretaria de Comunicação Social da Presidência , e especificamente a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA/MF) , ampliam a proteção ao consumidor, apoiam as regras para campanhas publicitárias e reforçam a fiscalização sobre empresas autorizadas e plataformas ilegais.
As novas normas determinam que toda publicidade de apostas deverá exibir uma das seguintes advertências, na horizontal, de forma clara e legível, ocupando no mínimo 10% do tamanho do anúncio:
- “Ministério da Fazenda adverte: Apostar pode causar dependência”;
- “Ministério da Fazenda adverte: Apostar faz você perder dinheiro”; ou
- “Ministério da Fazenda adverte: Aposta não é investimento”.
O modelo é semelhante ao já divulgado em campanhas de cigarros e bebidas alcoólicas.
A medida integra a estratégia do governo federal para ampliar o controle desse mercado que movimenta bilhões de reais e tem sido associada ao aumento do endividamento das famílias e de casos de jogo compulsivo, principalmente entre pessoas em situação de maior vulnerabilidade econômica.
Fim da promessa de dinheiro fácil
Além da advertência obrigatória, a regulamentação amplia as restrições sobre o conteúdo das propagandas. Ficam proibidos, por exemplo, anúncios que apresentem uma aposta como fonte de renda, forma de investimento ou solução para problemas financeiros; que sugiram ganho fácil ou associaram apostas ao sucesso pessoal e social, inclusive por meio de celebridades; que choram senso de urgência para estimular apostas imediatas; e que divulguem histórico de premiações como incentivo.
A norma proíbe também a publicidade dirigida, direta ou indiretamente, a crianças e adolescentes — incluindo conteúdos veiculados em locais frequentados predominantemente por esse público, como escolas e serviços de atendimento médico e psicológico.
Os comentaristas não poderão induzir apostas
As regras também proíbem comentaristas, especialistas e analistas de utilizarem sua autoridade técnica para sugerir ou recomendar apostas específicas durante esportes esportivos. Ao anunciar as medidas, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a intenção é evitar que as opiniões sejam técnicas utilizadas para estimular o jogo.
“A gente faz restrições à publicidade de apostas no país. […] A nossa tolerância zero com as ilegais. Então, bet ilegal, em nenhuma medida está autorizada, e nem os publicitários, os veículos de comunicação estão autorizados a veicular qualquer publicidade envolvida empresa não autorizada a operar no mercado.”
Sobre a participação de comentaristas, Durigan acrescentou: “[Não é lícito enganar] um comentário de alguém que é especialista, comentarista, especializado em um jogo específico […] portanto induzindo o consumidor a adotar uma certa prática com um verniz de respaldo técnico. Então, isso não deve ser feito.”
Multas podem chegar a R$ 14 milhões
O descumprimento das novas regras poderá em multas de até 20% do faturamento da operadora , suspensão da autorização de funcionamento por até 180 dias e, em casos de reincidência grave, a cassação da licença para operar no mercado brasileiro.
Além disso, veículos de comunicação e empresas que divulgam publicidade irregular também podem estar sujeitos a multas que chegam a R$ 14 milhões, segundo o secretário Nacional do Consumidor, Ricardo Morishita. O governo informou ainda que as casas de apostas serão responsabilizadas caso influenciadores contratados descumpram as novas regras.
Fiscalização mais ampla
As novas portarias se somam a outras ações recentes do governo federal para restringir a atuação de plataformas clandestinas de apostas. Nas últimas semanas, uma equipe econômica notificou fintechs que movimentavam recursos para empresas ilegais e intensificou a derrubada de milhares de sites irregulares.
Com o novo conjunto de normas, o governo reforça a fiscalização sobre um setor em rápida expansão, buscando práticas limitadas consideradas abusivas, amplia a transparência das campanhas publicitárias e fortalece a proteção dos consumidores diante dos riscos financeiros e da dependência associada às apostas esportivas.
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