Sessão do STF comprova que crise foi deflagrada para prejudicar Lula
Sob pressão brutal da grande mídia, embate na Suprema Corte enfrentou
tentativa de atropelo institucional e investida da extrema-direita para
desmoralizá-la
Editorial do 'Vermelho'
A sessão
de 15 de setembro do Supremo Tribunal Federal (STF) transcorreu sob forte
pressão da grande mídia, uma espécie de ultimatum, com a pretensão
de impor um único veredito como aceitável: a cabeça de Alexandre de Moraes. Era
a vocalização de poderosos setores do capital financeiro e do imperialismo, num
momento em que o governo estadunidense de Donald Trump considera aplicar novas
sanções contra ministros do STF, como denunciou na sessão o ministro Flávio
Dino.
A sessão
abriu-se sob essa espada, com Edson Fachin, na condição de presidente do STF e
relator do caso, sustentando a proposta de que as duas petições, a que propõe
investigar Alexandre de Moraes e a que propõe investigar André Mendonça, fossem
deliberadas em dias separados. A proposta de Fachin foi contestada por uma
questão de ordem do ministro Gilmar Mendes, elaborada pelo ministro Flávio
Dino, propondo que os casos deveriam ser julgados conjuntamente.
Sublinhe-se
que a questão de ordem de Dino e Gilmar não se opõe a que a Corte delibere
sobre as duas petições, tampouco enseja protelar a decisão, posto que ambos
defenderam que o plenário soberanamente votasse as duas no próximo dia 23.
Importa
destacar o resultado jurídico e político da sessão e o impacto na disputa
presidencial.
De
início, a própria sessão naquela data foi uma exigência da mídia, em coro com a
extrema-direita, com nítido objetivo de contaminar a disputa presidencial com
esse tema, interditando o debate e criando um ambiente de caos e lama, terreno
predileto da campanha neofascista de Flávio Bolsonaro. Tanto é verdade que
Flávio Bolsonaro trouxe a crise do STF como tema central de sua campanha.
O ódio
que Flávio Bolsonaro destila ao STF não deriva de seus erros e problemas
estruturais, que demandam uma reforma do Judiciário, mas do papel que a Suprema
Corte desempenhou durante a pandemia de Covid-19, enfrentando o negacionismo
criminoso de Jair Bolsonaro e da totalidade de seu clã. E, em especial, pelo
papel decisivo que cumpriu na defesa do regime democrático, julgando,
condenando e prendendo a cúpula da organização criminosa chefiada por Jair
Bolsonaro que tentou um golpe de Estado.
A votação
ficou 4×3 para a proposta de Fachin, não computado o voto de Dino, que pediu
vista.
A postura
altiva e digna dos ministros que sustentaram a questão de ordem, com respaldo
de largos setores da opinião pública e parcela de juristas do país, impuseram
uma derrota à trama ardilosa da extrema-direita e à chantagem da grande mídia:
não conseguiram o troféu que almejavam, a cabeça de Moraes, e o ponta de lança
da crise, André Mendonça, foi acuado e sofreu duro desmascaramento.
No
embate, os ministros Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin enfrentaram a
maré de pressão para manter o STF engolfado por uma corrosiva onda de parcialidade
golpista de Mendonça, conduzindo inquéritos sob escancarada motivação
político-eleitoral para favorecer o candidato da extrema-direita. Para tal,
inclusive afastou, arbitrariamente, o diretor-geral da Polícia Federal.
Cumpriram papel importante na defesa das prerrogativas institucionais do STF e
do Estado Democrático de Direito.
Mendonça
segue beneficiado por uma blindagem da grande mídia, mas o importante é que seu
papel de ponta de lança do bolsonarismo no STF foi seriamente alvejado. Mas ele
precisa responder por seus delitos e, em consequência deles, deve,
definitivamente, perder a coordenação dos casos Master e INSS.
O
fundamental é que todos que caíram na vasta teia armada por Vorcaro do Master
devem ser investigados, os delitos apurados, a começar de Flávio Bolsonaro,
único candidato a presidente da República íntimo, “irmãozão”, de Vorcaro, de
quem implorou e recebeu milhões de dinheiro sujo. Por isto, formalmente
investigado por corrupção e lavagem de dinheiro.
Como
afirmou o presidente Lula, é dever do presidente do STF, ministro Fachin, atuar
para que a crise do STF não interfira no processo eleitoral. Reiterou que
todos, sem distinção, que cometeram delitos devem ser investigados, respeitado
o devido processo legal. Segue, também, erguendo a bandeira da reforma do
Judiciário para se cortar pela raiz as causas da grave crise do STF. Disse,
também, que Flávio Bolsonaro tem razões pessoais para atacar Moraes, que
liderou a condenação de seu pai, o ex-presidente de extrema direita Jair
Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado.
E, diante
da campanha do bolsonarista que tenta botar um sinal de igualdade entre Lula e
Moraes, o presidente lembrou que não era presidente quando Moraes foi indicado,
em 2017, pelo usurpador e golpista Michel Temer. E, ainda, que Mendonça e
Kássio, envolvidos na corrupção do Master, foram indicados pelo pai, com o
apoio do filho Flávio.
A
campanha do presidente da Lula, obviamente, não pode ficar alheia à crise do
STF. Até porque, como maquinou a extrema-direita, ela já se tornou um dos temas
centrais da disputa.
Todavia,
a campanha de Lula não pode ficar refém desse tema. Um confronto desse porte
tem muitas frentes de ação e combate. Primeiro, retomar a iniciativa política
na campanha e, segundo, no governo, com anúncios de políticas e medidas que
respondam às necessidades do povo.
Na
campanha, o central é o confronto, ação cotidiana, intensa, sem trégua, para
desmascarar Flávio Bolsonaro. Não menos importante é apresentar respostas,
propostas às questões mais sentidas pelo povo. De igual modo, dirigir mensagens
ao encontro de uma camada-chave do eleitorado que ainda não decidiu o voto e
oscila entre as duas principais candidaturas. A campanha em si, nesta reta
final do primeiro turno, ganhar mais volume, carga total, nas ruas e redes.
Apontar,
para citar agora apenas um exemplo, o futuro promissor ao Brasil e ao povo, a
começar disseminando com eficácia a verdade de que, com Flávio Bolsonaro, o
país estará condenado a retornar ao passado, com versão até piorada, do
pesadelo, da destruição e desastre que foi o governo do pai de Flávio, Jair
Bolsonaro.
Com
Flávio, o país não terá futuro, pois ele já se revelou um traidor da pátria,
capacho de Trump, pronto para entregar as imensas riquezas do país aos Estados
Unidos. Flávio é contra o fim da escala 6×1. Com ele os trabalhadores ficarão à
mercê de um governo a serviço dos banqueiros e do patronato.
Não se
constrói futuro de progresso para o país e prosperidade para o povo sem
democracia, sem as liberdades. Flávio, para realizar seu programa neoliberal e
neocolonial, como fez Jair Bolsonaro, e como vem sinalizando na campanha, irá
mutilar a democracia e tentará impor um regime autoritário-ditatorial. Se
eleito vai forjar uma maioria no STF, cassando ministros e nomeando lacaios, questão-chave
para o golpismo. Já declarou que vai anistiar todo o bando de criminosos
golpistas, a começar de seu pai.
Somente
Lula pode firmar compromisso de um futuro de soberania, democracia,
desenvolvimento que resulte em elevar a qualidade de vida do povo.
A praça ainda é do povo? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_02118984853.html

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