18 setembro 2026

Editorial do 'Vermelho'

Sessão do STF comprova que crise foi deflagrada para prejudicar Lula
Sob pressão brutal da grande mídia, embate na Suprema Corte enfrentou tentativa de atropelo institucional e investida da extrema-direita para desmoralizá-la
Editorial do 'Vermelho'   

A sessão de 15 de setembro do Supremo Tribunal Federal (STF) transcorreu sob forte pressão da grande mídia, uma espécie de ultimatum, com a pretensão de impor um único veredito como aceitável: a cabeça de Alexandre de Moraes. Era a vocalização de poderosos setores do capital financeiro e do imperialismo, num momento em que o governo estadunidense de Donald Trump considera aplicar novas sanções contra ministros do STF, como denunciou na sessão o ministro Flávio Dino.

A sessão abriu-se sob essa espada, com Edson Fachin, na condição de presidente do STF e relator do caso, sustentando a proposta de que as duas petições, a que propõe investigar Alexandre de Moraes e a que propõe investigar André Mendonça, fossem deliberadas em dias separados. A proposta de Fachin foi contestada por uma questão de ordem do ministro Gilmar Mendes, elaborada pelo ministro Flávio Dino, propondo que os casos deveriam ser julgados conjuntamente.

Sublinhe-se que a questão de ordem de Dino e Gilmar não se opõe a que a Corte delibere sobre as duas petições, tampouco enseja protelar a decisão, posto que ambos defenderam que o plenário soberanamente votasse as duas no próximo dia 23.

Importa destacar o resultado jurídico e político da sessão e o impacto na disputa presidencial.

De início, a própria sessão naquela data foi uma exigência da mídia, em coro com a extrema-direita, com nítido objetivo de contaminar a disputa presidencial com esse tema, interditando o debate e criando um ambiente de caos e lama, terreno predileto da campanha neofascista de Flávio Bolsonaro. Tanto é verdade que Flávio Bolsonaro trouxe a crise do STF como tema central de sua campanha.

O ódio que Flávio Bolsonaro destila ao STF não deriva de seus erros e problemas estruturais, que demandam uma reforma do Judiciário, mas do papel que a Suprema Corte desempenhou durante a pandemia de Covid-19, enfrentando o negacionismo criminoso de Jair Bolsonaro e da totalidade de seu clã. E, em especial, pelo papel decisivo que cumpriu na defesa do regime democrático, julgando, condenando e prendendo a cúpula da organização criminosa chefiada por Jair Bolsonaro que tentou um golpe de Estado.

A votação ficou 4×3 para a proposta de Fachin, não computado o voto de Dino, que pediu vista.

A postura altiva e digna dos ministros que sustentaram a questão de ordem, com respaldo de largos setores da opinião pública e parcela de juristas do país, impuseram uma derrota à trama ardilosa da extrema-direita e à chantagem da grande mídia: não conseguiram o troféu que almejavam, a cabeça de Moraes, e o ponta de lança da crise, André Mendonça, foi acuado e sofreu duro desmascaramento.

No embate, os ministros Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin enfrentaram a maré de pressão para manter o STF engolfado por uma corrosiva onda de parcialidade golpista de Mendonça, conduzindo inquéritos sob escancarada motivação político-eleitoral para favorecer o candidato da extrema-direita. Para tal, inclusive afastou, arbitrariamente, o diretor-geral da Polícia Federal. Cumpriram papel importante na defesa das prerrogativas institucionais do STF e do Estado Democrático de Direito.

Mendonça segue beneficiado por uma blindagem da grande mídia, mas o importante é que seu papel de ponta de lança do bolsonarismo no STF foi seriamente alvejado. Mas ele precisa responder por seus delitos e, em consequência deles, deve, definitivamente, perder a coordenação dos casos Master e INSS.

O fundamental é que todos que caíram na vasta teia armada por Vorcaro do Master devem ser investigados, os delitos apurados, a começar de Flávio Bolsonaro, único candidato a presidente da República íntimo, “irmãozão”, de Vorcaro, de quem implorou e recebeu milhões de dinheiro sujo. Por isto, formalmente investigado por corrupção e lavagem de dinheiro.

Como afirmou o presidente Lula, é dever do presidente do STF, ministro Fachin, atuar para que a crise do STF não interfira no processo eleitoral. Reiterou que todos, sem distinção, que cometeram delitos devem ser investigados, respeitado o devido processo legal. Segue, também, erguendo a bandeira da reforma do Judiciário para se cortar pela raiz as causas da grave crise do STF. Disse, também, que Flávio Bolsonaro tem razões pessoais para atacar Moraes, que liderou a condenação de seu pai, o ex-presidente de extrema direita Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado.

E, diante da campanha do bolsonarista que tenta botar um sinal de igualdade entre Lula e Moraes, o presidente lembrou que não era presidente quando Moraes foi indicado, em 2017, pelo usurpador e golpista Michel Temer. E, ainda, que Mendonça e Kássio, envolvidos na corrupção do Master, foram indicados pelo pai, com o apoio do filho Flávio.

A campanha do presidente da Lula, obviamente, não pode ficar alheia à crise do STF. Até porque, como maquinou a extrema-direita, ela já se tornou um dos temas centrais da disputa.

Todavia, a campanha de Lula não pode ficar refém desse tema. Um confronto desse porte tem muitas frentes de ação e combate. Primeiro, retomar a iniciativa política na campanha e, segundo, no governo, com anúncios de políticas e medidas que respondam às necessidades do povo.

Na campanha, o central é o confronto, ação cotidiana, intensa, sem trégua, para desmascarar Flávio Bolsonaro. Não menos importante é apresentar respostas, propostas às questões mais sentidas pelo povo. De igual modo, dirigir mensagens ao encontro de uma camada-chave do eleitorado que ainda não decidiu o voto e oscila entre as duas principais candidaturas. A campanha em si, nesta reta final do primeiro turno, ganhar mais volume, carga total, nas ruas e redes.

Apontar, para citar agora apenas um exemplo, o futuro promissor ao Brasil e ao povo, a começar disseminando com eficácia a verdade de que, com Flávio Bolsonaro, o país estará condenado a retornar ao passado, com versão até piorada, do pesadelo, da destruição e desastre que foi o governo do pai de Flávio, Jair Bolsonaro.

Com Flávio, o país não terá futuro, pois ele já se revelou um traidor da pátria, capacho de Trump, pronto para entregar as imensas riquezas do país aos Estados Unidos. Flávio é contra o fim da escala 6×1. Com ele os trabalhadores ficarão à mercê de um governo a serviço dos banqueiros e do patronato.

Não se constrói futuro de progresso para o país e prosperidade para o povo sem democracia, sem as liberdades. Flávio, para realizar seu programa neoliberal e neocolonial, como fez Jair Bolsonaro, e como vem sinalizando na campanha, irá mutilar a democracia e tentará impor um regime autoritário-ditatorial. Se eleito vai forjar uma maioria no STF, cassando ministros e nomeando lacaios, questão-chave para o golpismo. Já declarou que vai anistiar todo o bando de criminosos golpistas, a começar de seu pai.

Somente Lula pode firmar compromisso de um futuro de soberania, democracia, desenvolvimento que resulte em elevar a qualidade de vida do povo.

A praça ainda é do povo? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_02118984853.html

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