Excesso de tecnologia & baixo aprendizado
Luciano Siqueira
A todo
instante se divulgam estudos detalhados acerca da relação entre a tecnologia
digital e os processos de aprendizado nas escolas. Nos anos iniciais,
sobretudo.
Ganha
destaque o recente relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Econômico (OCDE) juntamente com avaliações do PISA (Programa para
Avaliação Internacional de Estudantes).
O foco
é o impacto da
tecnologia no ambiente escolar e no desenvolvimento cognitivo e emocional de
crianças e adolescentes.
Destaca-se o impacto das
telas e redes sociais, com siderando que a presença excessiva de dispositivos
móveis, feeds de redes sociais e notificações constantes na rotina de estudos geram
distração, queda na capacidade de concentração e perda do hábito de leitura
profunda entre os jovens.
O
uso desregulado de telas é apontado como fator determinante da queda histórica e
mesmo a estagnação do desempenho dos alunos no Pisa em diversas partes do mundo.
No Brasil, quase metade dos
estudantes (48%) afirma utilizar ferramentas de IA generativa em suas rotinas
escolares/acadêmicas, o que aguça a necessidade de orientar os alunos sobre o bom
uso da ferramenta.
Nada simples.
Destaca-se o apoio a políticas
de restrição e regulação do uso de celulares e redes sociais no ambiente de
sala de aula para minimizar distrações.
Concomitantemente, incentivar
a empatia, a resiliência, a automotivação e a disciplina consciente como contraposição
ao vício “dopaminado” dos feeds.
É preciso capacitar os
estudantes a verificar informações, avaliar dados produzidos por IA e filtrar a
sobrecarga de conteúdo da internet. Também preservar espaços para atividades
analógicas e momentos de atenção contínuos sem interrupções por notificações.
Um desafio nada simples é a
combinação entre limites de tempo de tela tanto no ambiente doméstico quanto no
escolar, pois exige íntimo entrosamento entre os ambientes escolares e
familiares.
Há que se considerar o peso
quase insuperável da pressão exercida pelas big techs, empenhadas essencialmente
na reprodução de meios e hábitos destinados a multiplicar seus lucros
estratosféricos.
Uma luta nada simples. Uma exigência
em toda e qualquer politica educacional.
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