As tuas mãos terminam em segredo
Fernando Pessoa
Os teus olhos são negros e macios
Cristo na cruz os teus seios esguios
E o teu perfil princesas no degredo…
Entre buxos e ao pé de bancos frios
Nas entrevistas alamedas, quedo
O vento põe seu arrastado medo
Saudoso a longes velas de navios.
Mas quando o mar subir na praia e for
Arrasar os castelos que na areia
As crianças deixaram, meu amor,
Será o haver cais num mar distante…
Pobre do rei pai das princesas feias
No seu castelo à rosa do Levante!
[Ilustração: Selina de Maeyer]
Leia também "Retorno", poema de Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-de-poeta_0433487496.html
Nas entrevistas alamedas, quedo
O vento põe seu arrastado medo
Saudoso a longes velas de navios.
Arrasar os castelos que na areia
As crianças deixaram, meu amor,
Pobre do rei pai das princesas feias
No seu castelo à rosa do Levante!
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