'Dark Horse', só na nuvem; se não chover
O filme classificado por Flávio Bolsonaro como
obra-prima ameaça não chegar aos cinemas. Parte do dinheiro da produção mandada
para lavar no Texas poderá sustentar senador nos EUA
Ruy
Castro/Folha de S. Paulo
Que pena, estamos ameaçados de nunca ver a obra-prima "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro, numa tela de cinema! Obra-prima é como o filme foi classificado por seu produtor-associado, levantador de dinheiro, filho do personagem e talvez receptador de parte do orçamento, Flávio Bolsonaro. Não sei das credenciais do ex-futuro presidente da República como crítico de cinema, mas sua insistência em dizer que "Dark Horse" é uma obra-prima nos faria ir correndo conferir. O bras-primas do cinema —algumas— são "Em Busca do Ouro" (1925), de Chaplin, "Ladrões de Bicicletas" (1948), de Vittorio de Sica, "Um Corpo que Cai" (1958), de Hitchcock. Estaria "Dark Horse" nesse time?
A chamada
Sétima Arte
está cheia de possíveis obras-primas que seus diretores levaram anos tentando
filmar e, por vários motivos —um deles, falta de dinheiro—, nunca conseguiram
terminar ou mesmo começar. Exemplos são "Que Viva México!", de
Eisenstein;"Dom Quixote", de Orson Welles, "Napoleão", de
Stanley Kubrick. Dinheiro não foi problema para "Dark Horse" —Daniel
Vorcaro prometeu a Flávio R$ 134 milhões dos bilhões que desviou de
aposentados e mandou-lhe R$ 61 milhões, quase metade da bufunfa.
Mas, se você
pensa que isso é suficiente para realizar uma obra-prima, é porque não entende
nada de cinema. Imagine o custo da peruca usada pelo subastro Jim Caviezel
para interpretar o velho Bolsonaro —tanto que Flávio, numa famosa mensagem
gravada, arrastou-se pedindo a Vorcaro que lhe mandasse mais. Como parte do
dinheiro já recebido tinha ido para os EUA a fim de ser lavado por uma firma no
Texas e nunca voltou, faltou aqui para os sanduíches da equipe.
E, agora, o
problema. Surrado no segundo turno da eleição e investigado exatamente por
lavar dinheiro, Flávio foi
para os EUA com a família, sem data para voltar. O salário de
senador que receberá até janeiro sem trabalhar não bastará para se manter.
Precisará sacar da verba de "Dark Horse" depositada lá.
E, com isso,
só teremos o filme na nuvem —se não chover.
Elogio a quem tem audácia https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/11/editorial-do-vermelho.html

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