O “gosto amargo” da necessária
amplitude
Luciano Siqueira
Vencemos no segundo turno por 64.256.232 de votos dados a Lula contra 59.826.041 do candidato da extrema direita.
Com um detalhe: a vitória foi possível porque milhões de brasileiros e brasileiras ocuparam as ruas e as redes, despertando energias para muito além dos partidos políticos envolvidos.
Mas a correlação de forças no parlamento piorou: tanto na Câmara, como no Senado, os partidos que se assumem como direita ou de centro-direita fizeram forte maioria numérica.
O PL, do candidato derrotado, elegeu 121 deputados federais e 29 senadores.
Daí decorrem dois desafios aparentemente contraditórios: seguir mobilizando a sociedade, na forma e na intensidade convenientes, conforme o evolver da situação; e estabelecer alianças, as mais amplas e diversificadas possíveis, materializadas inclusive em acordos com bancadas parlamentares das legendas de centro e centro-direita, isolando a extrema direita.
Mesmo que certas composições circunstanciais tenham o gosto amargo da superação de concepções ou expectativas estreitas e sectárias.
Sempre foi assim, aqui e alhures.
Na Revolução Russa de 1917 - exemplo marcante da História no Século XX -, sob a liderança de Lênin, os bolcheviques contaram com aliados mais sólidos e também com outros circunstancias e temporários.
Atraíram todas as forças suscetíveis de alianças e neutralizaram outras, que embora desgarradas do czarismo, se mantiveram resistentes a qualquer entendimento.
No último domingo, em seu primeiro pronunciamento, tão logo proclamado o resultado do pleito, Lula declarou que governará com o parlamento que o povo elegeu.
Já no dia seguinte, retomou o diálogo com os presidentes do Senado e da Câmara, Davi Alcolumbre (União Brasil - AP) e Hugo Motta (Republicanos – PB), para fazer fluir a pauta legislativa imediata.
Como desdobramento, a hipótese de reeleição de ambos mediante composições que excluam e enfraqueçam o PL bolsonarista.
Está certo.
Como também estará certíssimo se inaugurar uma conduta que não adotou nos seus três governos anteriores: o apelo ao povo e aos mais amplos segmentos da sociedade para que se pronunciem nas ruas e pelos demais meios de expressão, toda vez que seja necessário, pressionando o Congresso em favor da agenda propositiva do governo.
*Texto
da minha coluna semanal no “Vermelho” www.vermelho.org.br
Subiu o sarrafo da luta política https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0999410531.html

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