Sentido estratégico da luta cotidiana
Luciano Siqueira
Tenhamos ou não plena consciência disso, o que mobiliza nossas energias no cotidiano de nossas vidas é a busca de objetivos que ultrapassam o horizonte imediato. Há sempre algo superior a acontecer, e imaginamos construir a cada passo as condições para que de fato aconteça.
Na militância política isso quer dizer a perspectiva estratégica, que dá conteúdo às lutas imediatas e que necessita de definições que nos sirvam de referência. Essas definições estão no programa do partido a que pertencemos.
Hoje isso está claro aos nossos olhos. Mas, mirando o finzinho dos anos sessenta, quando após o Ato Institucional número 5 editado pelo regime militar cessaram todas as garantias e direitos democráticos e muitos de nossa geração tivemos que mergulhar na militância clandestina, dá pra ter a medida da coragem e de desprendimento de uma parcela expressiva de nossa juventude que aceitou de desinstalar e lutar com a cabeça a prêmio – sem uma perspectiva clara que ultrapassasse a derrubada da ditadura e o ideal socialista quase abstrato.
Nos dias que correm as coisas se dão de maneira muito diferente – pelo menos para os militantes e amigos mais próximos do PCdoB. O mundo mudou, o Brasil idem, o Partido amadureceu teórica e politicamente e chega ao seu 12º. Congresso aclarando em patamar superior o seu programa. Com um detalhe de extraordinária importância: a perspectiva estratégica esta vinculada às possibilidades de mudanças estruturais em nossa sociedade ainda de envergadura mediana, alcançáveis no horizonte político visível.
No texto do novo programa submetido a debate, o socialismo é o rumo, o fortalecimento da Nação é o caminho. Ou seja: o modo de abordar na prática a construção de condições para a realização do objetivo estratégico é a viabilização de um novo projeto de desenvolvimento nacional que afirme nossa soberania, estenda a democracia a todo o povo e promova conquistas sociais consistentes. Por essa via se forjará a consciência social avançada indispensável à luta em favor da superação do capitalismo pelo socialismo.
Como será o socialismo no Brasil? O novo programa do PCdoB não detalha isso, nem poderia. Afirma, sim, que o ponto de partida nesse sentido haverá de ser a conquista do poder estatal das forças sociais e políticas interessadas no trânsito para o socialismo renovado com feição brasileira. E que é possível trabalhar agora com indicações seguras para uma transição preliminar do capitalismo para o socialismo. Entre essas indicações estão reformas estruturais de sentido nacional, democrático e popular: a reforma política, a dos meios de comunicação de massa, a educacional, a tributária, a agrária e a urbana.
Trocando em miúdos: em nossa militância, a luta cotidiana ganha dimensão estratégica e pode arrebatar a consciência e o entusiasmo de milhões. www.lucianosiqueira.com.br
A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
02 julho 2009
É carro que não acaba mais!
. Está na Folha de S. Paulo de hoje. Montadoras batem recorde de vendas no lº semestre.
. A venda de veículos registrou recorde em junho e no primeiro semestre, beneficiada pela redução do IPI e pela retomada do crédito, com juros mais atraentes.
. O número do último mês significa alta de 21,5% sobre maio e de 17,26% ante junho de 2008. Já o dado semestral é o melhor da história, com 1,44 milhão de veículos vendidos. Com a redução do IPI estendida nesta semana, especialistas avaliam que o ritmo deve se manter.
. Como dado de resistência à crise, tudo bem. Mas que contribui para o caos da mobilidade urbana nas grandes e mnédias cidades, ninguéwm duvida.
. A venda de veículos registrou recorde em junho e no primeiro semestre, beneficiada pela redução do IPI e pela retomada do crédito, com juros mais atraentes.
. O número do último mês significa alta de 21,5% sobre maio e de 17,26% ante junho de 2008. Já o dado semestral é o melhor da história, com 1,44 milhão de veículos vendidos. Com a redução do IPI estendida nesta semana, especialistas avaliam que o ritmo deve se manter.
. Como dado de resistência à crise, tudo bem. Mas que contribui para o caos da mobilidade urbana nas grandes e mnédias cidades, ninguéwm duvida.
Entrevista na Rádio Folha
Folha de Pernambuco, por Beatriz Gálvez:
Siqueira justifica demora
. O vereador Luciano Siqueira (PCdoB) defendeu, ontem, a posição da Câmara Municipal e da Prefeitura da Cidade do Recife (PCR) quanto aos reajustes dos servidores municipais, discutidos anteontem na Casa. O comunista rejeitou as críticas sobre a demora em enviar a mensagem ao Legislativo, que chegou no apagar das luzes do semestre. “O governo só apresentou agora porque teve que negociar com sindicatos e representantes de cada categoria em um processo de convencimento mútuo, e só agora esse processo se concluiu. Não apresentou antes porque viveu a discussão com os sindicatos”, justificou.
. O comunista também alegou a complexidade da confecção da folha salarial, para justificar o atraso da Prefeitura. “Os vereadores debateram o tema e infelizmente só foi possível apresentar agora por causa da folha de pagamento. Você tem um prazo para confeccionar a folha sem prejuízo para os servidores. O que eu vi ontem, até onde eu pude participar, achei a reunião pública foi muito esclarecedora e positiva”, argumentou, que teve que sair mais cedo da seção.
. A poucos dias antes do recesso parlamentar, Luciano delineou a sua estratégia de trabalho durante este ano. “Procurei no primeiro semestre ouvir mais, entender melhor o funcionamento da Casa. Agora no recesso vamos fazer um balanço, e no segundo semestre será mais operativo”, explicou. O vereador afirmou que com a volta dos trabalhos, em agosto, deve dar atenção a três pontos: a questão ambiental, o desenvolvimento econômico e a mobilidade urbana.
Siqueira justifica demora
. O vereador Luciano Siqueira (PCdoB) defendeu, ontem, a posição da Câmara Municipal e da Prefeitura da Cidade do Recife (PCR) quanto aos reajustes dos servidores municipais, discutidos anteontem na Casa. O comunista rejeitou as críticas sobre a demora em enviar a mensagem ao Legislativo, que chegou no apagar das luzes do semestre. “O governo só apresentou agora porque teve que negociar com sindicatos e representantes de cada categoria em um processo de convencimento mútuo, e só agora esse processo se concluiu. Não apresentou antes porque viveu a discussão com os sindicatos”, justificou.
. O comunista também alegou a complexidade da confecção da folha salarial, para justificar o atraso da Prefeitura. “Os vereadores debateram o tema e infelizmente só foi possível apresentar agora por causa da folha de pagamento. Você tem um prazo para confeccionar a folha sem prejuízo para os servidores. O que eu vi ontem, até onde eu pude participar, achei a reunião pública foi muito esclarecedora e positiva”, argumentou, que teve que sair mais cedo da seção.
. A poucos dias antes do recesso parlamentar, Luciano delineou a sua estratégia de trabalho durante este ano. “Procurei no primeiro semestre ouvir mais, entender melhor o funcionamento da Casa. Agora no recesso vamos fazer um balanço, e no segundo semestre será mais operativo”, explicou. O vereador afirmou que com a volta dos trabalhos, em agosto, deve dar atenção a três pontos: a questão ambiental, o desenvolvimento econômico e a mobilidade urbana.
Bom dia, Carlos Pena Filho
Soneto
O quanto perco em luz conquisto em sombra.
E é de recusa ao sol que me sustento.
Às estrelas, prefiro o que se esconde
Nos crepúsculos graves dos conventos.
Humildemente envolvo-me na sombra
que veste, à noite, os cegos monumentos
isolados nas praças esquecidas
e vazios de luz e movimento.
Não sei se entendes: em teus olhos nasce
a noite côncava e profunda, enquanto
clara manhã revive em tua face.
Daí amar teus olhos mais que o corpo
com esse escuro e amargo desespero
com que haverei de amar depois de morto.
01 julho 2009
Senador descobre a pólvora
. Desde o primeiro ano de gestão de Lula o PSDB e o ex-PFL (hoje Democratas) tudo fazem para inviabilizar o funcionamento do Congresso e com isso paralisar o governo.
. Hoje, na coluna Pinga-Fogo do Jornal do Commercio, Ana Lúcia Andrade registra um aparte do senador Sérgio Guerra, presidente dos tucanos, muito sugestivo.
. Disse Guerra: “Enquanto afundamos aqui, nessa discussão absolutamente improdutiva, que não traz nenhum resultado para a sociedade nem para a Democracia, o presidente da República faz de conta que não tem nada a ver com isso. Faz cara de paisagem e continua a crescer e a ter aprovação máxima (da população). E a oposição fica congelada. Sem poder produzir num ambiente no qual o parlamento não funciona. Se o parlamento não funciona, a oposição não funciona, a Democracia não vive, não tem a força que devia ter”.
. É a própria descoberta da pólvora. Ou uma bela mea culpa: a estratégia da oposição mostrou-se furada.
. Hoje, na coluna Pinga-Fogo do Jornal do Commercio, Ana Lúcia Andrade registra um aparte do senador Sérgio Guerra, presidente dos tucanos, muito sugestivo.
. Disse Guerra: “Enquanto afundamos aqui, nessa discussão absolutamente improdutiva, que não traz nenhum resultado para a sociedade nem para a Democracia, o presidente da República faz de conta que não tem nada a ver com isso. Faz cara de paisagem e continua a crescer e a ter aprovação máxima (da população). E a oposição fica congelada. Sem poder produzir num ambiente no qual o parlamento não funciona. Se o parlamento não funciona, a oposição não funciona, a Democracia não vive, não tem a força que devia ter”.
. É a própria descoberta da pólvora. Ou uma bela mea culpa: a estratégia da oposição mostrou-se furada.
Jornada de 40 horas em meu artigo no Blog de Jamildo (JC Online)
Um passo adiante nas relações de trabalho
Luciano Siqueira
Em tempo de crise, uma boa notícia. Ótima notícia, melhor dizendo - pelo fato em si e por ocorrer no âmbito da Câmara dos Deputados.
Nem só de escândalos vive a Câmara, nem só de perdas e retrocessos vive o trabalhador brasileiro.
Ontem uma Comissão Especial da Câmara aprovou por unanimidade a proposta de autoria do deputado (hoje senador) Inácio Arruda (PCdoB-CE), de redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. A matéria ainda irá à votação em plenário, onde precisará de 308 votos favoráveis, e posteriormente será submetida ao Senado.
Há, portanto, uma estrada arriscosa (como diria o personagem de Guimarães Rosa) a percorrer. Mas os sindicalistas se mostram otimistas, apoiados na unidade de todas as centrais sindicais que mobilizaram ativistas para acompanharem a votação e prometem a presença de milhares de trabalhadores nas votações seguintes.
Pesa em favor da redução da jornada o significativo aumento da produtividade verificado nas últimas duas décadas em nosso país, fruto do incremento de novas tecnologias aos processos produtivos – que trouxe enormes benefícios às empresas, não compartilhados com os trabalhadores. Além disso, a redução da jornada também possibilitará uma ampliação da oferta de postos de trabalho, um dos fatores decisivos para o sucesso do enfrentamento dos efeitos da crise global sobre a economia brasileira.
Mais: nas grandes e médias cidades somam-se à jornada de trabalho as horas que o trabalhador gasta deslocando-se entre sua casa e o local de trabalho, do que resultam precárias condições de vida. Com a jornada de quarenta horas, haverá tempo para o convívio familiar e o lazer, e até para melhorar a qualificação profissional.
Motivos de sobra para que as centrais sindicais - Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Força Sindical, Nova Central e União Geral dos Trabalhadores (UGT) – redobrem a pressão sobre a Câmara e o Senado.
Se a conquista se confirmar, será a terceira vez, desde o período da escravidão, que se aprova redução de jornada de trabalho no Brasil - antes isso se deu em 1943 e 1988. E significará um passo adiante nas relações de trabalho. www.lucianosiqueira.com.br
Luciano Siqueira
Em tempo de crise, uma boa notícia. Ótima notícia, melhor dizendo - pelo fato em si e por ocorrer no âmbito da Câmara dos Deputados.
Nem só de escândalos vive a Câmara, nem só de perdas e retrocessos vive o trabalhador brasileiro.
Ontem uma Comissão Especial da Câmara aprovou por unanimidade a proposta de autoria do deputado (hoje senador) Inácio Arruda (PCdoB-CE), de redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. A matéria ainda irá à votação em plenário, onde precisará de 308 votos favoráveis, e posteriormente será submetida ao Senado.
Há, portanto, uma estrada arriscosa (como diria o personagem de Guimarães Rosa) a percorrer. Mas os sindicalistas se mostram otimistas, apoiados na unidade de todas as centrais sindicais que mobilizaram ativistas para acompanharem a votação e prometem a presença de milhares de trabalhadores nas votações seguintes.
Pesa em favor da redução da jornada o significativo aumento da produtividade verificado nas últimas duas décadas em nosso país, fruto do incremento de novas tecnologias aos processos produtivos – que trouxe enormes benefícios às empresas, não compartilhados com os trabalhadores. Além disso, a redução da jornada também possibilitará uma ampliação da oferta de postos de trabalho, um dos fatores decisivos para o sucesso do enfrentamento dos efeitos da crise global sobre a economia brasileira.
Mais: nas grandes e médias cidades somam-se à jornada de trabalho as horas que o trabalhador gasta deslocando-se entre sua casa e o local de trabalho, do que resultam precárias condições de vida. Com a jornada de quarenta horas, haverá tempo para o convívio familiar e o lazer, e até para melhorar a qualificação profissional.
Motivos de sobra para que as centrais sindicais - Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Força Sindical, Nova Central e União Geral dos Trabalhadores (UGT) – redobrem a pressão sobre a Câmara e o Senado.
Se a conquista se confirmar, será a terceira vez, desde o período da escravidão, que se aprova redução de jornada de trabalho no Brasil - antes isso se deu em 1943 e 1988. E significará um passo adiante nas relações de trabalho. www.lucianosiqueira.com.br
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