05 janeiro 2011

Mantega canta a pedra?

. O ministro da Fazenda Guido Mantega afirma que “o controle de capitais é uma opção na mesa da equipe econômica, para tornar o País menos atraente aos especuladores”.
. Que assim seja. Já era tempo.
. É um mecanismo usado por boa parte dos países do mundo, de diversos graus de desenvolvimento (o Chile o adota, por exemplo) e que o próprio FMI andou recomendando em meio à crise global.
. Mas não é medida que se anuncie previamente. Para evitar a fuga desenfreada de capitais especulativos nativos e forâneos.
. Deve sair no Diário Oficial da União em sua versão eletrônica – e pronto. Como gesto de soberania.

04 janeiro 2011

Marcelino Granja desponta na cena política

No site http://www.lucianosiqueira.com.br/:
Marcelino Granja assume Secretaria estadual de Ciência e Tecnologia
. “Nosso desafio é dar continuidade ao trabalho exitoso que está em curso”, afirmou na tarde de segunda-feira (03), o engenheiro Marcelino Granja durante o ato de transmissão de cargo na Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente (Sectma). O novo secretário estadual de C&T disse ainda que sua meta é consolidar, de forma social e democrática, aquilo que já vem sendo desenvolvido na Sectma.
. “A impressão que tenho é de estar recebendo algo de mãos cheias, sabendo que posso contar com instituições renomadas e validadas pela sociedade pernambucana”, comentou entusiasmado Marcelino, referindo-se às ações executadas nas gestões anteriores da Pasta, que já foi comandada pela deputada federal eleita e vice-presidente nacional do PCdoB, Luciana Santos, e por Anderson Gomes, escolhido para comandar a pasta da educação no novo governo de Eduardo Campos.
. Ao repassar o cargo a Marcelino Granja, Anderson Gomes destacou a importância da Ciência e Tecnologia como área estratégica do Governo e agradeceu o apoio da equipe da Sectma na execução das ações em sua gestão.
. “Graças ao comprometimento da equipe, conseguimos deixar legados nas áreas Ambiental e de Ciência e Tecnologia, como por exemplo, uma série de políticas públicas ambientais que foram consolidadas; a retomada no investimento à pesquisa e inovação com editais lançados pela Facepe; e a renovação dos contratos de gestão com o Itep e o Porto Digital. Além disso, conseguimos executar as emendas parlamentares conquistadas junto à bancada federal. Isso é uma vitória”, finalizou.
. Em um breve pronunciamento, Luciana Santos destacou a sinergia que existe hoje entre os governos de Dilma e Eduardo, que, segundo ela, será um fator de impulso para novas realizações no campo da C&T. Luciana ressaltou ainda a enorme capacidade de trabalho e seriedade no trato das questões públicas de Marcelino Granja, “comprovadas por seu desempenho na Prefeitura de Olinda, quando ocupou os cargos de secretário da Administração e Fazenda e de Governo, e como servidor da Receita Federal em Pernambuco.
Da Redação do site, com informações da Sectma.

Conflito e convergência

. Oposição, se em bases programáticas, em nada impede convergência com o governo em questões de superior interesse nacional.
. Questão de maturidade.

Impossível todos num único barco

. Imaginar que dezesseis partidos se unam em todos os municípios no pleito de 2012 não faz sentido.
. A realidade municipal brasileira dita o contrário: a multiplicidade de projetos, mesmo que, num dado município, formem-se apenas dois palanques conflitantes.
. Divergências e disputas na base municipal não arranharão a unidade em torno do governo Eduardo Campos.

03 janeiro 2011

Uma crônica minha no site da Revista Algomais

Vozes anônimas
Luciano Siqueira


Meu blog http://www.lucianosiqueira.blosgspot.com/  é assumidamente amador, improvisado, puro lazer. Diferente do site do mandato http://www.lucianosiqueira.com.br/  que é profissional, feito por uma equipe qualificada, que trabalha uma pauta múltipla, viva (daí o sucesso medido pelo volume expressivo de acessos). Mesmo assim o blog tem uma regra rígida: comentários só são publicados se assinados – o que me previne contra agressões desnecessárias, tanto à esquerda quanto à direita; quem diz impropérios tem que assumir.

Porém a regra tem outra consequência: priva-me de registrar textos interessantes. Certeiros, sisudos ou combativos, quando tratam de política. Poéticos, alguns deles; amargos, otimistas, intimistas até – quando falam de amor, desamor, desilusão, recomeço.

Em geral se referem a meus artigos e crônicas. Guardo-os em pasta própria, de onde recolho agora alguns fragmentos.

Num comentário recente acerca das dificuldades internas no PSDB quando da disputa presidencial, a fina observação de que “os tucanos jamais conquistarão a presidência da República justamente porque são fortes nos dois maiores colégios eleitorais do País, São Paulo e Minas – o “café” e o “leite” desde o fim da República Velha já não se entendem, vivem às turras em busca da hegemonia.” Faz sentido.

A propósito do meu artigo “A militância nossa de cada época”, essas duas passagens: “...pra mim a militância rola, é um trilho pra gente caminhar e achar um sentido para a vida”; e “...faz por onde você se sentir útil e pertencente a uma causa que vale a pena...”.

A imagem do buquê de rosas vermelhas abandonado sobre a sarjeta em minha crônica “Os donos da Praça da República” contraditoriamente inspirou arrebatadas declarações de amor bem sucedido: “Meu amor é sem prazo, nem regra, nem compromisso: simplesmente é.” Outra: “Amor pela metade aprisiona; meu amor é por inteiro, liberta.” Mais uma: “Que seja chama e que seja eterno...”.

No polo oposto, a desventura amorosa, a citação de Clarice Lispector, para quem “o silêncio humano é o mais grave de todos os do reino animal”, num comentário de uma internauta que se viu abandonada sem sequer ouvir do ex-amado uma palavra de despedida. Outra procura abrigo na compreensão de que “a solidão, quando passageira, purga erros e recupera a coragem de amar.” Que assim seja.

Você pode dizer que essas vozes anônimas não dizem grande coisa – e em certa medida tem razão. Mas importa que tanta gente clique ali em “coments” e fale de si mesmo, de suas crenças, agruras, alegrias e esperanças. Tanto quanto quem conversa comigo pelo Twitter e pelo Facebook ou via e-mails.

Tudo vale a pena.

02 janeiro 2011

Produção científica brasileira em destaque


Ciência Hoje Online:
Retrospectiva verde e amarela
A CH On-line celebra grandes feitos da ciência nacional em 2010. A partir desta segunda até o último dia do ano, iremos republicar matérias sobre estudos importantes, envolvendo pesquisadores brasileiros, de áreas diversificadas do conhecimento.
. A cada ano que passa fica mais difícil fazer um retrospectiva dos destaques da ciência ao longo de 12 meses. O volume da produção científica, a velocidade das descobertas e as iniciativas de divulgação desses avanços alcançaram um patamar tão alto que se tornou praticamente impossível acompanhar e, sobretudo, cobrir tudo de relevante que acontece nas diversas áreas do conhecimento.
. As pesquisas publicadas em periódicos internacionais de grande prestígio – Science, Nature, PNAS, entre outros – acabam ganhando mais destaque. Primeiro porque esse prestígio, fruto de intenso e longo trabalho, significa que ali são publicados estudos sérios, revisados por pesquisadores com reconhecida expertise na respectiva área. Ou seja, tudo indica que só sai ali o que é de fato relevante e correto cientificamente.
. A seleção da Science não foi a única a apontar esses e outros estudos publicados este ano em periódicos internacionais de prestígio – de grande relevância, claro. Para não cair na repetição, a CH On-line decidiu fazer uma retrospectiva com recorte diferente, celebrando alguns grandes feitos da ciência nacional.
. Selecionamos estudos importantes, envolvendo pesquisadores brasileiros, de áreas diversificadas da ciência, a que demos cobertura ao longo de 2010. Vale dizer que alguns, inclusive, foram publicados em periódicos internacionais de prestígio.
. Veja a matéria na íntegra http://twixar.com/jGc9Vc 

01 janeiro 2011

A prosa poética de um jovem cronista

De quem?
Matheus Landim

O garoto tinha um quê de problemático. Não sabia quem era. Disse que sonhara uma vez que era um homem sem rosto, "mas com chapéu", que se olhava em um espelho segurando outro espelho, e o espelho refletia o reflexo, muitas e muitas vezes, um de volta para o outro, vai e vem, vai e volta, uma infinidade de mundos dentro de mundos, dois dentro de um, quatro dentro de dois, mundos mudos, internos, refletidos, virtuais, muitos homens sem rosto dentro de si próprios, cada vez menores, interiores, inferiores, todos um homem só, um espelho só, profundo sem fim, limitados pelas molduras. Ele contou esse sonho a um amigo, que se riu. Má escolha, a do amigo. Ele também tinha um quê de problemático. Era um desses matadores de sonhos profissionais, seres ranzinzas facilmente encontrados em todos os lugares, simplórios, pessimistas que se dizem realistas. Mandou-o fazer poesia, talvez uma crônica, visitar um psicólogo. Falou que ele, definitivamente, deveria escrever sobre isso, senão falar. O garotou passou dias sentado em um barquinho de lembranças, tremulando ao vento das memórias, em um imenso, plácido rio de pensamentos. Às vezes ele ficava exausto de tentar pescar uma ideia, e molhava as mãos no rio calmo, só para se distrair com as ondulações de conceitos que se formavam. Um dia, até choveu lógica. Mas nada vinha. Não conseguia nada. Até tentou escrever uma crônica e um poema, mas não era criativo. Ou pensava que não era. Ou não pensava que era. Sentado em um barquinho, ordenado, condenado a escrever crônicas, talvez poemas, como ele iria saber, se só era um homem sem rosto, "mas com chapéu", segurando um espelho na frente de outro espelho? Ficou preocupado. Não era criativo. Agora ele era um homem sem rosto e sem criatividade, nada menos, nada mais, nada nada, nem crônica, nem poema, nem cronista, nem poeta, nada ninguém.