23 março 2026

Minha opinião

Trump e o efeito bumerangue
Luciano Siqueira 
instagram.com/lucianosiqueira65      

A uma super potência nunca é dado o uso da força bruta para cumprir designíos imediatos sem graves consequências futuras. É o que ensina a História — como bem assinalou Paul Kennedy em sua obra "Ascensão e queda das grandes potências".

É o que se verifica na guerra ora encetada pelos Estados Unidos (com Israel) contra o Irã. A despeito da retórica agressiva, presunçosa e contraditória de Donald Trump — que prometeu uma guerra "cirúrgica" e de curta duração —, os fatos revelam a enrascada em que se meteu.

Verifica-se o fracasso da tática de "pressão máxima". Os Estados Unidos abandonaram precipitadamente e de modo unilateral o acordo nuclear com o Irã no pressuposto de que dobrariam o governo de Teerã, mas a resultante foi a resistência iraniana — inclusive com a expansão do conflito a outros países da região —, tendo como subproduto o isolamento político norte-americano em relação aos seus aliados da Comunidade Europeia e mesmo do Oriente Médio.

Ao invés de se afirmar pela agressividade e arrogância, os Estados Unidos têm a sua política "soft power" amplamente contestada e se revelam aos olhos da comunidade internacional com o principal fator de esfacelamento do multilateralismo como meio de atenuar conflitos e preservar a paz.

Donald Trump, de modo arrogante e errático, na verdade é o pivô do declínio relativo e persistente dos Estados Unidos como superpotência dominante no cenário internacional. 

Demais, no âmbito interno, pesquisas têm revelado que apenas metade da base eleitoral de Donald Trump apoia sua tresloucada política externa. No caso específico da guerra contra o Irã, renasce o temor de novos fracassos militares e políticos que tanto marcam a sociedade norte-americana, como Vietnã, Iraque e Afeganistão. 

A Guerra EUA x Irã e Clausewitz https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/minha-opiniao_5.html 

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