21 março 2026

Editorial do 'Vermelho'

Disputa presidencial acirrada
O confronto pela presidência segue disputadíssimo, mas vão se construindo as condições da reeleição de Lula
Editorial do Vermelho 

Faltando sete meses para as eleições, com a janela de mudança partidária prestes a se fechar, entra na reta final a composição dos campos políticos em confronto, a montagem dos palanques estaduais e vai se confirmando o prognóstico de uma eleição presidencial marcada por uma disputa acirrada, polarizada pela reeleição do presidente Lula e pela pré candidatura de Flávio Bolsonaro, da extrema-direita, do neofascismo.

Ação conjunta da grande mídia e a oligarquia financeira, mais a máquina de guerra digital da extrema-direita catapultada pelos algoritmos das big techs, tenta fazer valer a narrativa de subida contínua da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, ao mesmo tempo em que direciona ataque pesado contra o governo e o presidente Lula, ofuscando a força e a competitividade de sua reeleição. Se valem, também, de leituras enviesadas de uma enxurrada de pesquisas eleitorais, para lançar fermento nas possibilidades da extrema-direita.

Recorrem a mentira, direcionando ao governo federal a responsabilidade de escândalos, como é caso da maior fraude bancária da história do país, do Banco Master cuja a paternidade é nitidamente da direita e da extrema-direita. Apenas um exemplo. Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, foi quem mais doou às campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, a bagatela total de 5 milhões de reais. Foi na gestão de Campos Neto no Banco Central que o Master nasceu e se agigantou.

Com a delação de Vorcaro, o primeiro passo já foi dado com a assinatura do contrato de confidencialidade, é à direita, a extrema-direita, sobretudo, é quem têm motivos para padecer de insônia nas próximas semanas e meses.

A partir da unção de Flávio Bolsonaro pelo pai, Jair Bolsonaro, em curto espaço de tempo ele uniu a extrema direita, atraiu parcela do eleitorado não bolsonarista. Setores da mídia, passaram a chamá-lo, de simplesmente, Flávio na vã tentativa de apartá-lo do sobrenome que para milhões e milhões de brasileiras e brasileiras é sinônimo de  destruição e regressão em toda linha.

Bolsonaro, filho, rapidamente, também foi ungido pelo Departamento de Estado, dos Estados Unidos da América, no âmbito da ingerência do governo de Donald Trump nas eleições brasileiras, para ter um governo fantoche. Um exemplo é o anúncio do governo estadunidense de que pretende classificar as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, precedido do tarifaço e da aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras e seus familiares.

Ao trabalhar para erguer palanques nos Estados, a candidatura bolsonarista está provocando contradições e fissuras no campo da direita, a exemplo do Paraná, que tende a se dividir com Sérgio Moro anunciando que será candidato a governador com o apoio do Partido Liberal (PL), contra o candidato a ser indicado pelo governador Ratinho Júnior, do Partido Social Democrático (PSD). É um contencioso relevante num estado importante no âmbito da direita, que se repete em outros estados, como Goiás.

Apesar do exposto, até agora a pré-candidatura de Flavio Bolsonaro movimenta-se, relativamente, em céu de brigadeiro por não ter recebido o combate que terá de vir na intensidade devida. Aliás, é um erro tático protelar esse combate, que comece já, de modo planejado, pela pré campanha de Lula.

O presidente Lula, nos marcos da legislação eleitoral, se desdobra em governar e realizar a preparação da campanha à reeleição. Até a virada do mês de março cumpre uma agenda de entrega de realizações, na dinâmica da saída de um grande número de ministros que deixam suas funções para atuarem direto do front eleitoral.

Nesta semana, foi sancionado o ECA Digital com avanços importantes à proteção de crianças e adolescentes. O Congresso Nacional promulgou o decreto legislativo que ratifica o acordo Mercosul e União Europeia. O governo articula, trabalha pela redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1.

Se volta, de modo emergencial, para proteger a economia nacional do impacto da guerra imperialista dos Estados Unidos e de Israel contra Irã, com repercussão mundial pela disparada do preço do petróleo. O governo Lula adota medidas que combinam instrumentos de proteção ao mercado interno, desoneração tributária emergencial e mecanismos regulatórios. Trata-se de não permitir a elevação descontrolada do preço diesel, posto que o país importa 30% do que consome. O governo publicou uma Medida Provisória, em proteção aos caminhoneiros, que endurece a fiscalização do piso mínimo do frete, com multas de até R$ 10 milhões para quem descumprir a tabela de preços mínimos.

Diante desse contexto no qual o país precisa crescer mais, produzir mais riqueza e propiciar mais direitos, soou como uma bomba a decisão do Banco Central de manter os juros nas alturas, a segunda maior taxa real do planeta, reduzindo a Selic, tão somente 0,25%. Com absoluta razão, o presidente Lula, publicamente, protestou, posto que era esperado uma queda 0,50%. O senhor Gabriel Galípolo e demais integrantes do Copom insistem em impor uma política monetária nociva ao desenvolvimento nacional.

Na esfera da pré campanha, entre outros êxitos, conseguiu viabilizar um palanque forte e competitivo no maior colégio eleitoral do país. Fernando Hadad será candidato a governador e Simone Tebet, por sua vez, disputará uma cadeira do Senado Federal, ocupando uma das duas vagas. A chapa pode se fortalecer ainda mais, por exemplo, com lideranças do porte de Marina Silva e Márcio França. Além do que o vice-presidente Geraldo Alckmin, em qualquer circunstância, desempenhará papel relevante. No segundo colégio eleitoral do país, Minas Gerais, Lula empenha-se para consolidar a candidatura do ex-presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco.

De conjunto, o desenrolar da sucessão presidencial, indica que é necessário repelir qualquer viés triunfalista, ou, dito de outra forma, que se tire da cabeça qualquer visão de salto alto, posto que, a vitória segue ao alcance das mãos do povo brasileiro, mas irá se travar um dos confrontos mais exigentes desde a redemocratização do país. Impõe-se construir a mais ampla aliança possível, munir campanha de um programa avançado pautado na defesa da soberania nacional, da democracia, do desenvolvimento e da valorização do trabalho. Mobilizar e engajar o povo e que o governo proporcione mais conquistas e direitos à população.

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