24 março 2026

Uma crônica de Urariano Mota

A crônica sobre Antônio Maria
Fiz sinal, educado, ao guia professor de aulão para vestibulares. Ele surpreendido me concedeu a palavra, talvez por não saber o que viria de um nativo vestido de recifense.
Urariano Mota/Vermelho  

Antônio Maria, o gênio da crônica brasileira, nasceu em 17 de março de 1921. Deveria ser lembrado todos os dias pelas canções, pelas crônicas, pelas frases espirituosas, pelo amor generoso que dividiu com as pessoas e cidades. Mas como não posso fazer muito, copio a seguir o seu perfil que escrevi no “Dicionário Amoroso do Recife”.

Na Rua do Bom Jesus existe uma escultura de Antônio Maria. Não poucas vezes, andando pelo Recife, paro diante da figura do cronista fundamental. Ali a vontade que me assalta é a de chamar as pessoas que passam e com elas conversar sobre ele. Começaria por um “você sabe quem é?”, em lugar de um “você sabe quem foi”. No entanto, jamais poderia imaginar uma conversa involuntária que tive sobre Antônio Maria, impossível de reprimir.

Foi numa sexta-feira, por volta das 11 da manhã, quando eu caminhava pela Rua do Bom Jesus somente pelo prazer de voltar àquela rua, à qual tantas vezes fui na adolescência. Súbito, ao subir a calçada, eis que noto um aglomerado de senhoras e senhores, em pequeno tumulto ao redor da estátua de Antônio Maria. O que é isso? Me pergunto. E chego mais perto, como se de passagem eu parasse de repente. Então pude ver turistas, o que se notava pelas cores das roupas e vermelhão recente nas peles abrasadas. E por um certo estar muito à vontade também. As senhoras, como jamais fariam as nativas do Recife em público, as senhoras sentavam-se no colo da estátua do cronista, agitavam-se nos quadris e davam gritinhos. Antônio Maria não despregava um sorriso no concreto, enquanto as demais senhoras gritavam também e os risonhos senhores aplaudiam. Eu já deixava a cena como um intruso na festa, quando a um sinal o grupo se recompôs entre gritinhos que morriam. Destacado, passou então a falar um jovem, que se vestia como um recifense fantasiado de turista no Recife. Camisa florida, boné, óculos escuros, tênis cintilante. Era o guia. Olhem, explicações a turistas em excursão, para os ouvidos de um nativo, são tediosas. Mas a fala do jovem guia tinha colorido, ele falava com exemplos de pedagogia de cursinho para vestibulares. Sabem? Aquelas aulas agradáveis que simplificam o que não pode ser simplificado. Curioso, resolvi ficar, e pude ouvir:

— Este senhor é meio gordinho, não é? Uma graça. Pois saibam que este homem é autor do primeiro frevo composto em Pernambuco.

Eu fiquei parado, estático, hipnotizado e tonto. O jovem guia continuava a falar as coisas mais inverossímeis e absurdas sobre Antônio Maria, que eram recebidas em altíssimo grau de aprovação por todos. Nem passava pela cabeça de ninguém que o frevo tinha mais de 100 anos — de registro em jornal —, e, portanto Antônio Maria não poderia compor música nos primeiros anos do século XX. Pois Maria era genial, mas também tinha o direito de nascer, depois do primeiro frevo de Pernambuco. Na hora, essas razões não me acudiam, porque ninguém pesquisa em livros, artigos e anotações no instante em que fala. Apenas me socorri da memória, que me disse: “peraí, Antônio Maria não compôs Vassourinhas nem Borboleta não é ave”.  E fiz sinal, educado, ao guia professor de aulão para vestibulares. Ele surpreendido me concedeu a palavra, talvez por não saber o que viria de um nativo vestido de recifense. E falei, entre gaguejos e pausas, procurando clareza à medida que seguia a linha da lembrança:

— Acho que houve um pequeno engano. Antônio Maria não é autor do primeiro frevo em Pernambuco. Ele é autor do Frevo n◦. 1 do Recife.

— Ah, ele é autor do primeiro frevo do Recife. Não é de Pernambuco. 

— Não, ele é autor do Frevo número 1 do Recife. Esse é o nome. É o número 1 de Antônio Maria, para ele que fez, entende?

— Ah…

E me senti então estimulado a continuar a conversa, porque grande era o desconhecimento do guia e guiados na Rua do Bom Jesus.

— Antônio Maria não é autor só de frevos. Ele compôs sucessos mundiais da música popular brasileira. Vocês já ouviram “Ninguém me ama”? Pois é, Nat King Cole gravou a música e virou sucesso em todo o mundo. Não era pra menos, não é? Manhã de Carnaval — já ouviram falar? — pois, é outra canção em que ele botou letra. Mas além de compositor, Antônio Maria foi, é um cronista dos melhores do Brasil de todos os tempos. Sabem quem diz isso? É Luis Fernando Veríssimo quem diz.

“Bah!”, ouvi. Confesso que tive vontade de falar mais, de contar o amor e desengano de Antônio Maria por Danuza Leão, de transmitir suas frases espirituosas, e, acima de tudo, falar daquelas crônicas imortais, escritas com os dedos transformados em coração. Uma coisa violenta e terna de pernambucano, que não põe meio termo. Mas aí era faltar à educação e misericórdia para com o guia. Puxei brusco um freio de mão e parei. O guia então, por gentileza, puxou aplausos. Acho que ele fez mais isso por gentileza ritual, algo assim como o costume recente de aplaudir de pé um show medíocre. O certo é que agradeci e saí andando, confuso e perturbado, o resto da rua.       

Mas, o que não falei ali tentarei falar nestas linhas, atento aos limites do espaço.

O cronista Antônio Maria, falecido em 15 de outubro de1964, foi, é, um homem que todos deveriam ter como um companheiro de jornada e de leitura permanente. Não fosse ele o compositor de canções eternas como Frevo número 1, como Ninguém me ama, Manhã de carnaval, Menino grande, Suas mãos, O amor e a rosa, Valsa de uma cidade, não fosse o autor de um grito, “nunca mais vou fazer o que o meu coração pedir, nunca mais ouvir o que o meu coração mandar”, não fosse ele o autor de letras que são a ternura em quintessência, ainda assim ele deveria ser lido todos os dias, como uma lição e dever para educar sensibilidades.

 Numa coluna de revistas de curiosidades e fofocas, poderia ser dito que ele foi marido de Danuza Leão, roubada por ele do seu patrão, o grande jornalista Samuel Wainer. E que, ao receber o troco mais adiante, ficou só, morreu de fossa e de amor em uma madrugada três e cinco, talvez. Que: feio, grande e gordo, conquistava mulheres pelo poder da lábia e da inteligência. Que foi ameaçado por Sérgio Porto (sim, o Stanislaw), por ter servido de conselheiro sentimental, de modo muito interessado, a uma namorada de Sérgio Stanislaw Ponte Preta. E que ao se apresentar como Carlos Heitor Cony a uma madame, levou-a para a cama, para depois contar ao verdadeiro Heitor, “Cony, você broxou”.  

Mas ele poderia ter sido lembrado, reverenciado, e lido principalmente por suas crônicas, que estão entre as maiores e melhores já escritas no Brasil. Suas crônicas, quase digo, suas mãos, misturavam humor, crueldade e lirismo, a depender dos dias e da vida, que não eram iguais, para ele ou para ninguém. Como neste perfil arguto de Aracy de Almeida:

“Não é bonita, sabe disso e não luta contra isso. Não usa, no rosto, baton, rouge ou qualquer coisa, que não seja água e sabão. Ultimamente corta o cabelo de um jeito que a torna muito parecida com Castro Alves… Faz de cada música um caso pessoal e entrega-se às canções do seu repertório como quem se dá um destino. Não sabe chorar e não se lembra de quando chorou pela última vez. Mas a quota de amargura que traz no coração, extravasa nos versos tristes de Noel: ‘Quem é que já sofreu mais do que eu?/ Quem é que já me viu chorar?/ Sofrer foi o prazer que Deus me deu’… e vai por aí, sem saber para onde, ao frio da noite, na espera de cada sol, quando o sono chega, dá-lhe a mão e a leva para casa”.

Ou aqui, dias antes de morrer:

“Há poucos minutos, em meu quarto, na mais completa escuridão, a carência era tanta que tive de escolher entre morrer e escrever estas coisas. Qualquer das escolhas seria desprezível. Preferi esta (escrever), uma opção igualmente piegas, igualmente pífia e sentimental, menos espalhafatosa, porém. A morte, mesmo em combate, é burlesca…

Só há uma vantagem na solidão: poder ir ao banheiro com a porta aberta. Mas isto é muito pouco, para quem não tem sequer a coragem de abrir a camisa e mostrar a ferida”. 

Ou nestas considerações sobre o sono:

“Ah, que intensos ciúmes, no passado e no futuro, sobre a nudez da amada que dorme! Só você a viu, só você a verá assim tão bela!”

“Nas mulheres que dormem vestidas há sempre, por menor que seja, um sentimento de desconfiança”.

“A amada tem sob os cílios a sombra suave das nuvens”.

“Seu sossego é o de quem vai ser flor, após o último vício e a última esperança”.

“Um homem e uma mulher jamais deveriam dormir ao mesmo tempo, embora invariavelmente juntos, para que não perdessem, um no outro, o primeiro carinho de que desperta.”

“Mas, já que é isso impossível, que ao menos chova, a noite inteira, sobre os telhados dos amantes.”

E finalmente aqui, ao lembrar o carnaval na sua infância:

“Muitas vezes, de madrugada, o menino acordava com o clarim e as vozes de um bloco. Eles estavam voltando. O canto que eles entoavam se chamava ‘de regresso’. Não sei de lembrança que me comova tão profundamente. Não sei de vontade igual a esta que estou sentindo, de ser o menino que acordava de madrugada, com as vozes de metais e as vozes humanas daquele Carnaval liricamente subversivo”.

O Agente Secreto tratou o Recife como se fosse Paris https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/o-filme-e-cidade.html 

23 março 2026

Minha opinião

Trump e o efeito bumerangue
Luciano Siqueira 
instagram.com/lucianosiqueira65      

A uma super potência nunca é dado o uso da força bruta para cumprir designíos imediatos sem graves consequências futuras. É o que ensina a História — como bem assinalou Paul Kennedy em sua obra "Ascensão e queda das grandes potências".

É o que se verifica na guerra ora encetada pelos Estados Unidos (com Israel) contra o Irã. A despeito da retórica agressiva, presunçosa e contraditória de Donald Trump — que prometeu uma guerra "cirúrgica" e de curta duração —, os fatos revelam a enrascada em que se meteu.

Verifica-se o fracasso da tática de "pressão máxima". Os Estados Unidos abandonaram precipitadamente e de modo unilateral o acordo nuclear com o Irã no pressuposto de que dobrariam o governo de Teerã, mas a resultante foi a resistência iraniana — inclusive com a expansão do conflito a outros países da região —, tendo como subproduto o isolamento político norte-americano em relação aos seus aliados da Comunidade Europeia e mesmo do Oriente Médio.

Ao invés de se afirmar pela agressividade e arrogância, os Estados Unidos têm a sua política "soft power" amplamente contestada e se revelam aos olhos da comunidade internacional com o principal fator de esfacelamento do multilateralismo como meio de atenuar conflitos e preservar a paz.

Donald Trump, de modo arrogante e errático, na verdade é o pivô do declínio relativo e persistente dos Estados Unidos como superpotência dominante no cenário internacional. 

Demais, no âmbito interno, pesquisas têm revelado que apenas metade da base eleitoral de Donald Trump apoia sua tresloucada política externa. No caso específico da guerra contra o Irã, renasce o temor de novos fracassos militares e políticos que tanto marcam a sociedade norte-americana, como Vietnã, Iraque e Afeganistão. 

A Guerra EUA x Irã e Clausewitz https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/minha-opiniao_5.html 

Arte é vida

 

Tatiana Bianchini 

Saudade do glamour imaginário da infância https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/tempos-idos.html 

Minha opinião

Estarei errado em minhas escolhas? 
Luciano Siqueira 
instagram.com/lucianosiqueira65     

Estou entre os militantes do Partido Comunista do Brasil habituados a amanhecer o dia buscando informações sobre o que acontece no mundo, no país e cá na província como alimento cotidiano da indispensável análise política. 

Tudo importa, inclusive fatos aparentemente fortuitos mas significativos o suficiente para repercutirem no comportamento das correntes políticas em presença. 

Porém a julgar pelo que produz cotidianamente o sistema Globo de comunicações, estou equivocado. 

Explico: enquanto busco correlacionar a mais nova diatribe de Donald Trump com o cenário nacional brasileiro, e a repercussão tática disso, sou bombardeado em todas as mídias da família Marinho pela informação posta em absoluto destaque de que a fala de fulano tem sido influenciada por cicrano, segundo a avaliação de beltrana — no intragável BBB Brasil.

Tivesse ainda entre nós, Gramsci certamente diria que essa idiotice faz parte da luta pela hegemonia cultural e a classe dominante se esforça por mantê-la para alimentar o poder que exerce. 

Isso mesmo! Acrescento: deplorável e deprimente. 

O diabo é que tem muita gente esclarecida e ativa na luta por um Brasil progressista e favorável aos direitos fundamentais do nosso povo que, sem o menor escrúpulo, acompanha atentamente se possível cada cena do tal BBB, escolhe os participantes da sua predileção e desperdiça inteligência e emoção na torcida para que este ou aquela vença seus concorrentes. 

Vade retro!

[Ilustração: Francisco Goya]

Leia também: Saudade do glamour imaginário da infância https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/tempos-idos.html    

Abraham Sicsu opina

Uma conversa sobre divulgação científica
Abraham B. Sicsu    

Dia chuvoso. Na esquina da Peixoto Gomides com a Alameda Santos, bar Pirajá, um encontro interessante. Anos atrás. Claudio, bom amigo e entusiasta da divulgação científica.

Democratizar o conhecimento, responder as angústias da sociedade, mostrar a importância da Ciência para a construção de uma sociedade mais harmônica, responsável e sustentável. Dedicamos nossos anos produtivos nessa missão, muitas vezes despercebida, mas importante para a população em geral. Agora aposentados gostaríamos de ver mais resultados.

Tornar acessível os avanços do pensamento humano e combater a desinformação, tarefa árdua e pouco compreendida. Contextualizar o que foi produzido e permitir que seja compreensível para os que não são especialistas, desafio que poucos fazem com eficiência.

Entender que nosso cotidiano e os caminhos futuros são fortemente influenciados por esses avanços, tentar explicar para que isso faça sentido aos não iniciados na área. Procurar meios que permitam essa disseminação.

Já estamos no segundo chopp e nos bolinhos de “aipim”. Uma pergunta surge. O que motivaria as pessoas, hoje em dia, para se interessarem e se motivarem a aprofundar o tema?

Atualmente, muitos são os tópicos que afetam diretamente as pessoas e com os quais elas tem que se preocupar. Na maioria, os rumos, até individuais, que tomarão estão fortemente condicionados aos caminhos que o conhecimento seguirá e seus avanços.

Evidentemente, não sejamos ingênuos de acreditar que é a Ciência que dará a direção do Mundo, muitos outros fatores influenciam até mais, como a Política ou mesmo a Economia, mas, mudanças de rumo que efetivamente signifiquem melhoria da qualidade de vida, encontram no avanço do conhecimento alicerce seguro para se consolidar.

Mais uma caneca, notamos muito discurso e pouca objetividade. Ao mesmo tempo, perguntamo-nos, no concreto, o que realmente interessa, em que assuntos podemos nos centrar para uma real motivação?

No genérico, temas como a Inteligência Artificial, nas diferentes áreas, avanços na Saúde, a Transição Energética, a nova Bioeconomia, as Mudanças Climáticas, a Genética e seus impactos, inclusive na alimentação, são bons motes para começar. Temas atuais que se tornam importantes quando se tem como princípio a busca de uma sociedade mais sustentável.

Falando em sustentabilidade, as energias renováveis e a transição energética, focada em fontes alternativas como a eólica e a solar, além dos novos processos, como o hidrogênio verde, parecem dar um bom debate. Há prós e contras, como enfrentar os impactos negativos, como viabilizar novos processos sem gerar um volume crescente de novos problemas. Procuramos enumerá-los, eram muitos, desejosos que os entendidos nos expliquem.

A questão climática é um real problema. A Ciência já comprovou serem bastante concretas as deteriorações causadas pelo modelo de desenvolvimento que a humanidade assumiu. Mas, ainda há negacionistas, que difundem informações baseadas em falsas premissas. Fundamental veicular, em linguagem compreensível, os estudos sobre aquecimento global, estratégias adaptativas e de mitigação, novos processos sobre descarbonização, entre outros.

Não nos esqueçamos das questões de poluição e a contaminação ambiental, principalmente com os microplásticos. Além dos fortes impactos na saúde humana, outras vidas ameaçadas num mundo em que ecossistemas estão sendo totalmente desestruturados é resultado altamente destrutivo notados. Apercebemo-nos de que o mundo é interativo e que os impactos do modo de produção e consumo adotados afetam profundamente a estabilidade da natureza e de diferentes vidas?

As pandemias são uma ameaça constante. Vivemos anos terríveis recentemente. Novas vacinas foram fundamentais. Regiões periféricas têm problemas estruturais com doenças negligenciadas que o avanço do conhecimento tem conseguido minorar. Será que as pessoas  sabem? Será que aumentou a credibilidade da Ciência junto às populações afetadas?

A moda agora é a Inteligência Artificial - IA. Impactos relevantes na vida dos homens. Profissões desaparecerão, os espaços urbanos e até os rurais serão totalmente modificados, os modos de vida serão profundamente alterados. Podemos explicar melhor essa revolução que celeremente transforma os modos de convivência, o ambiente em que estamos inseridos?

 A medicina, com a IA, estará em outro patamar e a saúde humana terá novos mecanismos de proteção, a robótica é o caminho para as cirurgias. O atendimento à distância, associado aos avanços da genética, faz com que doenças possam ser tratadas com grande eficiência. Estarão acessíveis quando e para quem?

As tecnologias mudam rapidamente. Com os avanços do 5G, tendo por base a IA,  a conectividade é outra. Espaço e tempo mudam de dimensão. A sociedade terá que se adaptar a um estilo de vida profundamente alterado em suas dimensões, em suas escalas de uso do conhecimento. Estamos preparados?

Novos materiais surgem para reorientar a engenharia, o perfil de sofisticação da sociedade muda. O mundo dos chips e as terras raras, algo ainda pouco conhecido. Como participar desse universo com autonomia e responsabilidade? Pergunta que exige que a sociedade se posicione.

Estes temas, todos, têm premissa de posicionamento, espero. Defender um ambiente com justiça social e que valorize a biodiversidade. E nele, há um grande empecilho.  O excesso de dados e informações faz proliferar a desinformação, o uso de falsas notícias e afirmações. Mais um tópico relevante para a Ciência. Como verificar a veracidade dos fatos?

O papo se prolonga e buscam-se meios para efetivar esses caminhos de divulgação. Publicações, debates, palestras em escolas, espaços de exposições, muitos outros surgem. Mas, a chuva não para.

Cambaleantes, dois guarda-chuvas, um para a Paulista, outro descendo a ladeira. Anos avançam, pouco se fez, sem perder a esperança, de que o próprio avanço da civilização fará que a preocupação com a divulgação científica seja considerada prioridade de formação para os cidadãos responsáveis.

Leia também: Luciana Santos diz que conceito do plano brasileiro de IA é ser inclusivo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2024/08/palavra-da-ministra-luciana.html

Renovação conscienciosa

Idosos em suas trincheiras 
Luciano Siqueira 
instagram.com/lucianosiqueira65 

Li de relance que o presidente Lula recomenda que o seu partido, o PT, promova renovação etária na Câmara dos Deputados. 

Ou seja, no próximo pleito nomes já carimbados pelo tempo (porém firmes na luta, observo) deem lugar a militantes novos. 

Nada contra. A renovação etária é sempre bem-vinda à luta do povo brasileiro em todas as suas trincheiras. 

Entretanto, partícipe que sou da geração mais antiga de quadros partidários, no PCdoB, meu partido, creio que a mescla de gerações é sempre mais salutar e eficiente. 

No próprio PT, o ex-ministro e ex-deputado José Dirceu, meu companheiro de geração, já anunciou o propósito de retornar à Câmara, candidato pelo seu partido em São Paulo. Ótimo!

Bato sempre nessa tecla: renovação, sim; mas dispensar os idosos jamais!

Leia também: "Presença de Renato" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/02/camarada-renato-presente.html  

Humor de resistência

 

Caio Gomez

O sadismo digital da Casa Branca https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/o-espetaculo-da-guerra.html